19/08/2014

O Sagrado e o Profano



Quando hoje falamos de Festa, estamos a falar da festa popular. Durkheim, sobre o fenómeno festivo, afirmava: ”Não pode haver sociedade que não sinta a necessidade de conservar e reafirmar, a intervalos regulares, os sentimentos e ideias colectivas que lhe proporcionam a sua unidade e personalidade”.
A raiz religiosa da Festa é, por outro lado, um facto histórico. E a evolução da Festa é indissociável da evolução religiosa ao longo dos tempos. Se em séculos passados as festas cristãs coincidam com as festas pagãs, fortalecendo a cultura religiosa, hoje o tempo criou novos laços, novas fronteiras. A sociedade de hoje organiza-se muito para além da sua componente religiosa ou litúrgica. É uma nova organização do exercício do poder onde o elemento religioso obviamente continua presente.
Na antiga Roma a procissão começava no Capitólio, atravessava o Fórum e terminava no Circo, onde tinham lugar os jogos, uma arena de entretenimento. Hoje o percurso da procissão é escolhido pelo povo e remonta à tradição e à memória. E é esse povo que transporta os “seus” santos, numa manifestação de fé ancestral. Ninguém tem poder ou capacidade para alterar este facto. E se alguém pensa que tem esse poder, está profundamente enganado. O passado assim nos ensina.
No nosso tempo, o sagrado e o profano estão bem definidos. Não se atropelam, nenhum deles se sobrepõe ao outro, convivem diariamente com ética e, sobretudo, devem fazê-lo com bom senso.

Citando Rousseau: “Plantai no meio de uma praça um poste coroado de flores, juntai aí o povo e tereis uma festa”. Porque é o povo que faz, organiza e vive a “sua” festa.






"Reduto", António José Marques






12/08/2014

Festa de Santo António - Polémica em torno da Procissão


Não vai longe o tempo em que, com muita antecedência, os santos que fazem parte do património religioso do Casteleiro, eram cuidadosamente preparados de modo a acompanhar Santo António durante a procissão no seu dia de festa, sinal de reconhecimento e ação de graças de todos os paroquianos. Sim, digo cuidadosamente, porque se é dia festa, então é para todos! Foi assim que o povo sempre entendeu. Para além de bem lavadinhos, exibiam as suas vestes festivas, algumas delas feitas de propósito para esse dia.
Da festa constava a procissão com o tradicional cortejo de oferendas. Composto por produtos da terra ou animais ali criados era, também, um momento alto da festa de Santo António que, uma vez terminada a procissão e, num palco improvisado, junto à torre da igreja tinha lugar, de imediato, a tradicional “arrematação de ofertas”. Pequenos e graúdos só arredavam dali para o almoço, depois de verem arrematada a última oferta!
Vem isto a (des)propósito do mau estar vivido ontem – dia de festa na aldeia – motivado por uma postura algo anormal do atual pároco – ministro de Deus – que há cerca de um ano o senhor bispo da Guarda ali colocara.
Vamos por partes:

a) O povo do Casteleiro já deu provas, ao longo da sua história, de ser ordeiro, respeitador dos valores da igreja, bem como dos seus pastores, para ali designados. A prová-lo estão os três últimos párocos: dois deles estiveram várias décadas à frente da paróquia e o último, até este resignar, depois de meia dúzia de anos ao serviço desta comunidade;

b) A festa em honra de Santo António, para além de chamar à terra todos aqueles que procuram lá fora melhores condições de vida, representa um ponto alto de agradecimento e ação de graças pelo bom ano agrícola ou pela proteção dos animais, forte contributo nas economias familiares;

c) Pelo respeito que os santos lhes merecem, o povo soube sempre organizar-se de modo a que neste dia de festa de Santo António, todos pudessem participar na tradicional procissão e aí serem venerados, cumprindo assim as promessas feitas ao longo do ano;

d) Contrariar estes princípios é estar contra a vontade e fé das pessoas;

e) Contrariar estes princípios é uma forma estranha de exercer o magistério.

Não me parece correta esta forma de interagir com este povo, maioritariamente envelhecido, mas com uma forte vontade de continuar a festejar com os santos da sua devoção.
Será que o atual pároco, empedernido da sua juventude, tem dificuldade em perceber que, nunca conseguirá fazer bem o seu trabalho senão perceber o seu povo e, com ele, traçar o melhor caminho?
Como poderá o pastor “conduzir” o seu rebanho de uma forma calma e serena, se o cajado que transporta em vez de lhe servir de suporte e amparo, serve, para exercer a sua força, mesmo perante aquelas ovelhas com grandes dificuldades em percorrer o caminho, do bardo até à pastagem?
Deixaria apenas uma afirmação, indispensável ao exercício de qualquer profissão: Só o homem tem a capacidade de fazer, errar, refletir e melhorar!

Reconhecer o erro é uma virtude; é um ato de sensatez!






"A Minha Rua", Joaquim Luís Gouveia





06/08/2014

Passeio equestre por terras de Casteleiro

É já no próximo dia 10 de Agosto que se realiza o 4º Passeio Equestre do Casteleiro. Uma iniciativa de um grupo de casteleirenses que conta com o apoio da Junta de Freguesia.



10/07/2014

Primeiros resultados do projecto de vigilância da saúde da população de Casteleiro


Os primeiros dados do projeto de vigilância da saúde dos habitantes da freguesia de Casteleiro, no concelho do Sabugal, indicam que entre 80 a 90% dos idosos têm problemas de audição, visão e dentição, foi hoje revelado.
"Nestes dados preliminares surgiram-nos essencialmente três coisas em relação à qualidade de vida dos idosos, das pessoas com mais de 65 anos. Todos eles têm uma de três coisas: ou ouvem mal, ou veem mal ou têm deficiência de peças dentárias, não têm dentes", disse à agência Lusa o coordenador do estudo, João Luís Baptista, professor na Universidade da Beira Interior (UBI), na Covilhã.
O projeto de aplicação do SVD - Sistema de Vigilância Demográfica ("coorte" de base populacional) junto dos cerca de 400 habitantes da aldeia de Casteleiro é promovido pelo Centro de Investigação e Desenvolvimento da Beira (CIDB), liderado por João Luís Baptista.
O estudo, iniciado em abril, também envolve a Unidade Local de Saúde (ULS) da Guarda, a Direção Geral de Saúde, a Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal e o Centro de Investigação em Saúde Comunitária, entre outras entidades.
O projeto pioneiro realizado junto da população daquela freguesia do Sabugal vai permitir acompanhar a saúde dos habitantes e disponibilizar uma base de dados para trabalhos científicos.
Tendo em conta os resultados preliminares, o seu coordenador está a acertar com a Câmara Municipal do Sabugal e com a ULS da Guarda "um eventual programa de ajuda a estas pessoas mais idosas, no sentido de lhes dar melhor qualidade de vida".
"Nós temos uma percentagem muito elevada, entre os 80 a 90% das pessoas com mais de 65 anos, que têm pelo menos um destes problemas: audição, visão e dentição. Seria de todo conveniente que juntamente com a UBI, a administração local e depois a ULS, nós pudéssemos ajudar estas pessoas neste sentido de melhorarem a sua qualidade de vida, pelo menos numa destas coisas", admitiu.
João Luís Baptista disse que já teve uma primeira abordagem com o presidente da Câmara Municipal do Sabugal e com o diretor da ULS da Guarda e "ambos concordaram" com a sugestão.
A aplicação do SVD incluiu o levantamento demográfico, da pré-diabetes, da doença pulmonar obstrutiva crónica e de indicadores do ambiente, além do perfil de saúde dos habitantes da freguesia.
Na primeira fase dos trabalhos, foi realizado um inquérito, porta a porta, por alunos da Faculdade de Medicina da UBI, que incluiu a georreferenciação das casas e a anotação de informações sobre a saúde de quem lá habita.
João Luís Baptista disse à Lusa que os trabalhos no terreno estão terminados, faltando apenas a realização de um exame de espirometria, por cerca de 30 pessoas, no hospital da Guarda.
O responsável prevê que o "coorte" do Casteleiro fique finalizado em setembro e que o relatório final possa ser conhecido em outubro.
 
(LUSA)
 
 

04/07/2014

Lar de S. Salvador com grande actividade






 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Com o início do mês de Junho, dia 1, os utentes das valências de Estrutura Residencial para Pessoas Idosas, Centro de Dia e Serviço de Apoio Domiciliário  deslocaram-se à povoação da Benquerença para aí participarem na festa religiosa em honra da Nossa Senhora da Quebrada. Visitaram a capela, onde em silêncio puderam reflectir e elevar a sua devoção.
Houve tempo, ainda, para assistir à actuação da Banda Filarmónica e para participarem num baile tradicional, onde conviveram com a comunidade local.
Na semana seguinte, a 9 de Junho, foi a vez de visitarem o Santuário da Senhora da Póvoa.
Este passeio, tradicional e que se repete ao longo dos anos tem como principal finalidade procurar que os nossos utentes, apesar da institucionalização, continuem ligados às tradições locais nas quais participavam.
Pelas 10h:30 min puderam assistir à Procissão seguida da Missa no altar do recinto.
A interacção com as outras IPSS's da região e com a comunidade local foi uma constante durante todo o dia. O almoço e a merenda foi partilhada com os outros utentes que se encontravam junto de nós, no recinto do Santuário.
Foi notória a alegria dos utentes, em reviver todas as lembranças que a romaria da Senhora da Póvoa lhes traz, como é possível comprovar pelas fotografias que se apresentam a seguir.
Não esquecendo os Santos Populares, festejou-se na nossa instituição o dia de S. João que teve início com um tradicional convívio entre todos os utentes e colaboradores, onde não faltou a sardinha assada.
A tarde foi animada com a presença do músico Alexandre Almeida que, em acústico, relembrou cantigas tradicionais portuguesas.
Algumas utentes mais desinibidas foram acompanhando as letras das músicas com grande entusiasmo.
Para finalizar fica o registo que, junto de alguns utentes recolhemos de quadras dos Santos Populares:
 
Se forem ao S. João
Trazei-me um S. Joaozinho
Se não puder ser um grande
Trazei-me um pequenino”
 
“Olha o manjerico
De folha recortada
Diz-me lá menina
Se estás bem casada.”
 
A Direção do Lar S. Salvador

22/06/2014

As nascentes das "Águas Radium"













No âmbito do estudo em curso no Casteleiro (Sistema de Vigilância Demográfica) que acompanha a saúde da população, a equipa de investigação entendeu ser necessário proceder a análises das minas das nossas conhecidas "Águas Radium”, na serra da Pena.
A foto publicada como desafio aos leitores é de uma dessas nascentes. As três nascentes situam-se bem longe do “castelo”, por caminhos sinuosos a cerca de 40 minutos de distância. Para lá chegar foi necessário desmatar a maior parte do percurso. Uma visita para colher amostras da água, acompanhada pelo proprietário e por elementos da Junta de Freguesia. O local, de difícil acesso, será desconhecido da grande maioria. As fotos que publicamos poderão mesmo ser as primeiras daquelas nascentes.
Curiosamente, hoje, 22 de Junho, faz 71 anos que o Diário do Governo, por decisão do Ministério da Economia de 17 de Junho, autorizava a Sociedade Termas Radium, concessionária das nascentes Chão da Pena, Favacal e Malhada a utilizar a designação “Termas Radium” e “Água Radium” e a aprovar o rótulo para o vasilhame.

Recorda-se que a concessão das nascentes havia já sido publicada a 10 de Janeiro  e 22 de Agosto de 1922.


14/06/2014

Novas obras em caminhos rurais



Uma zona estreita do caminho da Estrada e que apresentava um elevado estado de perigosidade, foi totalmente renovada por iniciativa da Junta de Freguesia, com a construção de raiz de um muro de suporte. Uma obra só possível graças à disponibilidade do proprietário do terreno, possibilitando desta forma o alargamento do caminho.

03/06/2014

Foto Desafio

Deixamos hoje um desafio ao leitor do “Viver Casteleiro”. Onde foi tirada esta foto? 



30/05/2014

À conversa com...Edite Fonseca

No próximo dia 21 de Junho, no Sabugal, e dia 22 no Casteleiro, a casteleirense Edite Fonseca apresenta o seu livro “Kassandra, uma infância tumultuosa”. O “Viver Casteleiro”, como prometido, esteve à fala com esta nossa conterrânea.



-Especialmente para os leitores do “Viver Casteleiro”, diga-nos quem é a Edite Fonseca? Quais as ligações a esta nossa aldeia?

Edite Fonseca é uma jovem mulher nascida e criada nos arredores da aldeia de Casteleiro, na Quinta da Carrola, onde a minha infância sempre foi muito intensa. Mal comecei a andar já seguia os meus irmãos para todos os sítios. Os lugares que eu preferia eram os campos de centeio onde corríamos e devido às nossas travessuras eramos frequentemente repreendidos pelo meu pai. Os campos de flores, os barrocos que galgávamos ainda jovens. O chilrear dos passarinhos, o voo apressado de inúmeros insectos tais como as borboletas e o cheiro agradável que imanava das flores e restantes plantas campestres. A paisagem bucólica de maior beleza e que reina na minha memória são os campos cheirosos e floridos da minha terra, a aldeia de Casteleiro e a Quinta da Carrola, na ocorrência a aldeia de “Saudade” e a “Quinta de Acerola” como são designadas na minha obra. Um misto de real e fantasia e onde ambos se confundem por vezes. 
-A infância numa pequena aldeia, como a nossa, é recordada por muitos como momentos inesquecíveis, normalmente de felicidade. A infância de “Kassandra” foi tumultuosa.  E os sonhos de menina? Quais eram os seus sonhos?
Se descrevesse todos os sonhos de criança ficaria aqui ao longo de múltiplas horas. (risos) Sempre fui muito sonhadora e continuo a sê-lo. Penso que li muitas vezes o poema Pedra Filosofal de António Gedeão. O sonho sempre foi uma constante na minha vida e penso que foram os mesmos que me permitiram de evoluir. Sonhava um dia tornar-me jornalista e tal aconteceu. Viajar pelo mundo e conhecer novas culturas, dar aulas a crianças pois sinto-me de algum modo muito ligada a crianças e claro encontrar um marido decente, casar-me e ter filhos. Mas esse sonho ainda não foi concretizado… Aquela menina que um dia andou descalça ainda sonha com o príncipe encantado e está certa que um dia este cruzará o seu caminho. Os filhos virão por acréscimo, afinal…Não é esse o desejo de todas as crianças ao crescerem? Um lar, um marido e diversos filhos a abençoarem a união?

-Um dia partiu. Novas terras, novas gentes. As ruas, os recantos, os cheiros do Casteleiro estiveram presentes? Ainda estão?
Esteja eu onde estiver a minha aldeia e quinta vão sempre acompanhar-me. Não posso apagar as doces lembranças da minha terra e tal não desejo. Porque a minha personalidade é constituída por experiências vividas naquela incomparável terra da Beira Alta. Por exemplo… Como esquecer os Natais passados na aldeia juntos dos demais habitantes e sobretudo dos serões passados à volta do madeiro? O saltar à fogueira na qual se queimavam os rosmaninhos, os magustos, as Janeiras que cantarolávamos defronte das moradias da aldeia afim de recebermos algumas recompensas. Estas e muitas mais vivências enchem o meu coração de alegria porque as vivi. Mas ao mesmo tempo tristeza porque actualmente estou longe demais para participar á sua realização. Tratam-se de tradições sãs e que deveríamos fazer perdurar por longos anos. Também as pessoas simples, os habitantes da aldeia, me deixam SAUDADE. Frequentemente sou invadida por sentimentos como a nostalgia. Porque "ninguém é igual a ninguém" e deste modo as pessoas que me rodeiam não podem substituir os que um dia passaram e fizeram parte da minha vida.
- Hoje mulher adulta, por onde tem andado a Edite? Que caminhos tem trilhado?
Tenho andado com a casa às costas! Pareço uma tartaruga que carrega sempre a carapaça com ela. Casteleiro, Cerdeira, Covilhã, Portalegre, Lisboa, Thonon-les-Bains, Paris, Londres, e novamente Paris. Sem contar as vezes em que fiquei um ou dois meses no estrangeiro a trabalho ou a lazer. Tenho tido a sorte de viajar imenso, EUA inúmeras vezes, Caraíbas, Emiratos Árabes, diversos países europeus… De todos os lugares visitados confesso que prefiro o nosso velho continente, pois nele me sinto “em casa” e segura. Não pertenço a uma nação, mas sim a um continente com história, a Europa.

 -Surpreende-nos agora com um livro. Como surgiu a escrita na sua vida?
Escrever é um meio de exprimir o que me vai na alma. Quando vivia em Londres tinha diversos amigos tremendos. Daqueles que quando precisamos de carinho, ternura e de amor estão de braços abertos para nos receber e saciar a nossa “fome” de sentimentos nobres. Naquela cidade o tempo para escrever era escasso. De regresso a Paris, tinha mais disponibilidade e uma vontade enorme de contar aos outros o que experienciei, as vivências existentes no mais profundo do meu ser.
Desejava partilhar a minha luta com inúmeras pessoas, dar-lhes coragem para a sua luta. Eu sempre lutei e continuarei. Nunca irei baixar os braços, só quando a morte me levar.
Ia escrevendo e narrando a minha história. Mais escrevia mais tinha vontade de revelar aos leitores. E assim ficou uma obra de mais de 500 páginas.  
Mas o gosto pela escrita sempre coabitou em mim juntamente com outros pontos de interesse tais como o jornalismo e a poesia.  

-O título deste livro sugere-nos algo de autobiográfico. Existiu uma “Cassandra” na mitologia grega”.  Mas a “Kassandra” parece-me bem real.  Porquê este nome?

Longe de mim ter a pretensão de ser uma deusa. Sou uma mulher de carne e osso com as minhas qualidades e os meus defeitos. Gosto do meu nome, mas nem sempre foi assim. Aquando de pequena imaginava um mundo diferente daquele onde vivia, se calhar um mundo perfeito como aqueles das telenovelas brasileiras que via na televisão. Quem sabe…chamar-me Kassandra. Por esse motivo e tantos outros decidi chamar Kassandra à minha personagem central. Um nome penso que um tanto Americanizado e quem sabe… com um certo gosto a Hollywood. Significa “para brilhar” e é o que eu quero para a minha obra. O meu livro tratasse de um primeiro “bebé” para o qual anseio o maior sucesso do mundo.
- Penso que todos os casteleirenses estão curiosos em ler esta sua obra. O que lhes pode revelar?
Revelar mais??? Mas não tenho feito outra coisa ao longo desta entrevista!!! (Risos)
Têm de ler para crer! Vão se rever nas minhas aventuras e desventuras. Ter vontade de ler o livro e reler sem parar! O riso e o choro vão se confundir muitas vezes. Vão sair da obra mais fortes e com vontade de lutarem por aquilo que mais desejam, pelos ideais que cada um possuí. Mais que uma obra trata-se de um incentivo aos leitores e uma narração de história incríveis que por vezes magoam.


-Porquê ter designado a aldeia do Casteleiro de "Saudade"?
Saudade, aquela palavrinha que revela em nós sentimentos aliados à ausência de alguém. Que constantemente machuca e fere o nosso coração. Saudade é o que sinto em relação às pessoas, aos usos e costumes, às tradições, à excelente gastronomia portuguesa, ao clima e ao saber fazer de um valente povo que é o nosso!
É pura a saudade que me invade quando estou ausente do meu país! Emigrada há diversos anos quis através do nome fictício dado à minha aldeia homenagear as gentes daquela terra e o pitoresco cenário de suas ruas singelas, de casas simples que felizmente foram o meu cenário durante longos anos. Dado que é a saudade que invade o meu coração vamos dar asas a nossa imaginação e deixar-nos transportar para o universo da pequena Kassandra. Uma vivência com cheiro a plantas, a terra fértil e a "Saudade"!

- E projectos? Como vê o seu amanhã? Como mulher e escritora…
Novos livros vêm a caminho… E, confesso que tenho vontade de regressar às origens. Alcançar uma vida diferente. Onde a pacatez e as coisas simples da vida fazem toda a diferença. Mas para tal têm de haver condições e até ao momento ainda não estão todas reunidas. Mas sim… como disse gostaria de viver no campo, montar a cavalo com frequência e viver do trabalho de autora. Não é isso que todos os escritores desejam? Mas para isso é preciso ter muito mérito pois são raros os autores que vivem da actividade literária. Gostava de ter a sorte de ser uma dessas autoras e de um dia ser comprada e relembrada juntos dos restantes nomes da literatura portuguesa, tais como Eça de Queirós, Júlio Dinis, Fernando Pessoa, etc.
Como mulher… Releguemos esse papel para mais tarde…

-Dia 22 de Junho vai estar no Casteleiro. Como antevê esse momento? Será tumultuoso? Sereno? 
Creio que será tumultuoso… Tudo o que eu faço é tão impulsivo e cheio de energia que não poderia ser de outra forma. De serena tenho pouco. Sou mesmo uma mulher em fogo!!! A minha cabeça está sempre a 1000! Com ideias novas que circulam em mim! As pessoas vão falar e vão discutir acerca da minha obra e é isso que eu pretendo… Falar e dar que falar.

António José Marques

26/05/2014

Quem se lembra?

O Burro de cangalhas
Esta imagem representa uma época não muito distante dos nossos dias mas, o suficiente, para que a juventude de hoje não tenha disso recordação.
Animal modesto, meigo, de olhar doce e andar pachorrento. Na nossa aldeia, ele fazia parte de quase todos os agregados familiares. Num tempo em que todas as famílias expurgavam da terra o máximo que esta lhes podia dar, o burro assumia um papel importantíssimo: transportava bens e pessoas e ainda, como força motriz para puxar a nora, tirando a água do poço para a rega da horta.
Será interessante dar a conhecer o “equipamento” com que este asno se apresenta: Sobre a cabeça, exibe o «cabresto» – feito de cabedal e, juntamente com a «rédea» (corda de sisal) servem para o homem o guiar, ou simplesmente o prender a uma árvore ou num local onde possa pastar. Sobre o dorso ostenta uma «albarda», feita de cabedal (à frente e atrás) e pano-cru, cheio de palha muito bem acomodada de modo a constituir um assento bem cómodo para que o dono se sinta bem, quando caminha de casa até ao chão. Para segurar a «albarda» utiliza-se uma «silha», em forma de cinto, apertando esta, à barriga do animal. As «cangalhas» (na figura) assentavam sobre a «albarda». Considerado um assessório de grande utilidade, serviam para transportar o estrume, e outros bens. Sim, porque não havia os tratores que hoje há!...
Acrescento ainda o «burnil» (a gravata do burro), feito de cabedal e pano-cru, e, uma vez colocado sobre o pescoço do animal e com a extensão de umas cordas, servia para atrelar o arado ou a «nora».
Todos estes «arreios» eram feitos por medida, por um «albardeiro» que, de tempos a tempos, deslocava-se de terra em terra, fazem arranjos nas «albardas» usadas e tirando as medidas para as encomendas que mais tarde haveria de fazer. Normalmente estas entregas eram feitas ao domingo, logo pela manhã e, diz-nos quem sabe, que as «albardas» custavam um dinheirão!
O último «albardeiro» visto pelo Casteleiro, vinha de Stº Estêvão. Era conhecedor de uma arte rara! Por vezes as «albardas» estavam a necessitar de arranjo e o «albardeiro» não havia maneira de aparecer!...Hoje é considerada uma das profissões já extinta!


NOTA: O negócio dos burros geralmente estava nas mãos dos ciganos. Quando o comprador tentava fazer negócio, o animal apresentava-se na melhor forma. O pior era nos dias seguintes!...






"A Minha Rua", Joaquim Luís Gouveia

Europeias - PS vence no Casteleiro



21/05/2014

KASSANDRA, uma infância tumultuosa



“Kassandra, uma infância tumultuosa” é o título do primeiro livro da nossa conterrânea Edite Fonseca. A obra terá o seu lançamento no próximo dia 21 de Junho, às 16 horas, no Auditório Municipal do Sabugal e, no dia seguinte, às 15 horas, no Casteleiro. O “Viver Casteleiro” publicará, nos próximos dias, uma entrevista com a autora que nos irá revelar um pouco sobre a obra.





15/05/2014

Linhaça - 5 mil anos A.C.


 
No 'post' de hoje quero falar-vos da linhaça tão consumida hoje no pão, bolos e flocos de cereais, mas em tempos antigos guardadas religiosamente pelas nossas avós para combater o inchaço, reumatismo, artrose, etc.
Como curiosidade, a semente do linho também conhecida como linhaça, remonta a milhares de anos antes de Cristo (5 mil A.C.)!!!
À semelhança do que tem acontecido com outros usos e costumes do Casteleiro, fui algumas idosas do Lar e Centro de Dia local, que se deliciam a falar destas coisas, as suas mães e avós costumavam aplicar sementes quentes, no local desejado, de manhã e à noite. Mas afinal, como faziam para aquecer a linhaça? Perguntei. 
Numa malga/tigela com água quente (preferível a ferver) colocavam 2 ou 3 colheres de sopa de sementes. Depois colocavam esta papa num lenço ou pano limpo, dobrado para conservar o calor; depois deixavam arrefecer um pouco e aplicavam o emplastro, na cara, no joelho, perna ou pé.
A linhaça além de combater o inchaço serve, ainda, para reduzir o colesterol, diminuir peso, melhorar o funcionamento do intestino, regular a pressão arterial, etc.
Para a Ti Graça e Ti Zabel (nomes fictícios) a linhaça foi sempre muito usada na “cura de muitos males: maçadelas nos pés, frúnculos, espinhas (não de peixe, mas qualquer coisa que se espetasse no pé, mão, braço…Era remédio santo!
“Hoje em dia é que há remédio para (quase) tudo” – diz a Ti Zabel, soltando uma rasgada gargalhada.
 





"A Minha Rua", Joaquim Luís Gouveia



14/05/2014

Uma Obra em Marcha


Terminado o Inverno, é tempo de regressar ao arranjo dos caminhos rurais da Aldeia. Desta vez um longo troço de um caminho na Ribeira da Cal foi totalmente reconstruído e alargado. Um caminho finalmente transitável e solucionado o escoamento de águas.


05/05/2014

O Linho – Da sementeira à toalha de mesa

Para quem, como eu, nasceu e cresceu na aldeia já ouviu falar com certeza, numa cultura que desapareceu por completo, das produtivas baixas do Casteleiro – o linho. Na tentativa de recuperar todo o processo, desde o seu cultivo até aos bonitos panos ou toalhas, que em dias festivos tornavam a mesa da sala de jantar mais composta, fomos ouvir pessoas idosas que, desde muito jovens, sabiam manusear muito bem todos os artefactos usados no cuidadoso trabalho de preparação dos fios que, mais tarde, serviriam de matéria prima a verdadeiras obras de arte.












Tudo começava pela sementeira, em terrenos húmidos, que acontecia entre Março e Abril. Três meses depois estava pronto para arrancar e começar uma série de operações até obter o tecido do linho.
Depois de arrancado, com raiz e tudo, era ripado no ripanço e levado em molhos para a ribeira onde permanecia, enterrado na água, cerca de duas semanas.
A seguir era levado para casa, onde era batido durante muito tempo, com um maço, esfregado sobre uma pedra de modo a tirar-lhe a casca rija. Uma vez em casa, o linho era tascado no cortiço com uma espadela.
No cedeiro era separado o linho mais fino do mais grosseiro – a estopa, usada na confeção de sacos.
O linho fino era então fiado com roca adequada. As mulheres punham-no na roca para depois o puxarem com os dedos, molhando-o, lambendo os dedos e dele fazerem fios, enrolando-os no fuso. Desta operação resultavam as maçarocas que eram postas no sarilho dando origem às “meadas”.  
Para branquear o linho, faziam-se as “barrelas” em água a ferver com cinza numa panela de ferro, até o linho amolecer, passando, de imediato, à dobadoira para fazer os novelos que vão ao tear, donde sai o pano, que depois de corado alguns dias ao sol, dava origem a várias utilidades para a casa ou mesmo para peças de roupa.












Os teares eram, também, peças-chave do processo, indispensáveis a quem, tendo linho, queria então fazer lençóis, toalhas, panos para tapar as cestas e tabuleiros, camisas.
Aqui fica o registo de mais uma atividade que, durante muitos anos, ocupou as famílias casteleirenses.

Por mim, sinto-me mais enriquecido, mas com uma forte vontade de continuar a percorrer este caminho na busca de outros apontamentos que ilustrem as vivências de um povo que dedicou uma vida inteira à terra, de onde retirou, sempre, o sustento para os seus filhos. Oxalá aconteça o mesmo consigo, caro leitor!






"A Minha Rua", Joaquim Luís Gouveia



02/05/2014

Dia da Mãe


Com o Dia da Mãe, a celebrar-se no primeiro Domingo de Maio, que este ano decorrerá no dia 4 de Maio, não esqueçamos, neste dia, a nossa mãe, porque “Mãe há só uma e mais nenhuma.”
Esta é a verdade, verdadinha que ninguém a poderá escamotear, contestar, negar e muito menos aceitar que a nossa mãe seja destituída, olvidada, que deixe de ser mãe, quer seja boa ou má mãe.
Se o cordão umbilical jamais será separação maternal, com o após a morte ela é e será sempre mãe, cujo nome não poderá ser atribuído a quem quer que seja que não seja a verdadeira mãe.
Sendo nela que corre o sangue do seu filho e nele o sangue da sua mãe, este binómio inseparável de mãe e filho jamais se apagará e deixará de ser, haja o que houver.
Amemos e honremos, pois, a nossa mãe que, antes de nascermos, já nos ansiava e amava; que nos gerou com amor, dores e lágrimas; que as dores do parto esqueceu ao ver-nos pela primeira vez, enfim, que nos criou e educou com carinho, amor e sacrifícios, por certo.
Amando-a, respeitando-a, estimando-a e honrando-a, se ainda temos a dita de a possuirmos, é, por tudo isto, a melhor prenda que lhe poderemos oferecer, em especial, neste dia, e, se do reino dos vivos já partiu, com uma lágrima de amor e saudade, recordemo-la, na certeza de que, no etéreo descanso, ela continuará a velar por nós e a amar-nos ainda.
Sendo assim, digo e repito que “Mãe há só uma e mais nenhuma”.
 

 
 
 
Daniel Machado
 
 
 

26/04/2014

Memórias de Abril


O Casteleiro sempre foi uma aldeia onde os ideais políticos foram debatidos e estiveram presentes. Desde membros do Partido Progressista, do Partido Republicano, do Integralismo Lusitano, correntes do princípio do século passado, os casteleirenses sempre foram activos e activistas em tudo o que diz respeito à coisa pública.
Em 25 de Abril de 1974 não foi diferente. Um grupo de jovens, muitos jovens, arregaçou as mangas e criou o Centro de Animação Cultural. Recordo-me de em 1975 serem representadas peças de teatro de autores como Brecht e Luis de Sttau Monteiro. Em tempo de revolução, o Casteleiro esteve presente. Chegou mesmo a ser a única freguesia do distrito da Guarda com uma Junta de Freguesia eleita pela APU (Aliança Povo Unido), pela mão solidária do Sr. Manuel Guerra. O MFA e a sua 5ª Divisão (Dinamização Cultural) também lá esteve. Recordo-me do helicóptero aterrar na Estalagem. E, claro, também fizemos umas ocupações….
Ontem, na evocação do 25 de Abril no Casteleiro, tudo isto esteve presente na minha memória.

O Casteleiro é uma terra única. Sou suspeito? Sou!  Mas é com muito orgulho que o admito.





"Reduto", crónica de António José Marques




25 de Abril no Casteleiro



O Casteleiro evocou o 25 de Abril com uma Conferência sobre os “40 Anos de Poder Local Democrático”. Uma grande jornada de homenagem aos autarcas que nas Freguesias e nas Câmaras, desde 1974, ousaram com espirito solidário, lutar na defesa das populações, construindo, pedra a pedra, uma nova realidade, mais justa, com tolerância, onde os valores da Liberdade, Igualdade e Fraternidade estiveram sempre presentes.

Hoje, no Casteleiro, de cravo ao peito, respirou-se Abril na companhia de muitos amigos, autarcas e ex-autarcas. Hoje, o Casteleiro disse presente. E assim vale a pena! 

António José Marques