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12/03/2017

Primo Augusto: Prisioneiro e não desertor

A 21 de Março de 1917, faz agora 100 anos, o casteleirense Primo Augusto, soldado do Regimento de Infantaria 12 da Guarda, embarcava em Lisboa a bordo do navio inglês Bellerophon com destino ao porto de Brest em França. Era um dos 25 jovens do Casteleiro integrados no Corpo Expedicionário Português que participou na primeira guerra mundial.

Primo Augusto era filho de António Fernandes Carriço e Maria da Conceição. Na sua caderneta militar podemos ler que, passados uns meses, a 13 de Agosto, é punido com quatro dias de detenção por ausência a um serviço e, no dia 27, baixa ao hospital.
Mas, o facto mais relevante é que a 26 de Fevereiro de 1918 é considerado desertor, não tendo pois participado na Batalha de La Lys que ocorreu a 9 de Abril desse mesmo ano. Só quase um ano depois, a 16 de Janeiro de 1919, a sua ficha dá conta da sua presença com a frase “vindo do inimigo”.
Ora, a verdade é que o nosso conterrâneo Primo Augusto não desertou. Foi capturado pelo inimigo e esteve quase um ano no campo de prisioneiros de Dulmen, na Alemanha. Um campo para praças onde, por exemplo, a 24 de Agosto de 1918 estavam 300 prisioneiros. Primo Augusto era um deles.
Cem anos depois é possível “limpar” o nome deste nosso conterrâneo graças a uma investigação junto do Comité Internacional da Cruz Vermelha, onde consta a sua ficha de prisioneiro.
Ficha de prisioneiro
Chegada de prisioneiros. "Ilustração Portuguesa", 10/Fev/2019
Primo Augusto viria a embarcar para Lisboa a 31 de Janeiro de 1919, quinze dias depois de ser libertado, e chegou ao cais de Santos a 4 de Fevereiro, dois anos depois da sua partida.
Da informação que foi possível recolher, Primo Augusto viveu sempre em Gonçalo onde viria a falecer em 21 de Abril de 1960.
 


 
"Reduto", crónica de António José Marques

07/01/2015

Os Casteleirenses na Primeira Guerra Mundial

A 22 de Julho de 1916 é constituído em Tancos o Corpo Expedicionário Português composto por 30 mil homens. A 7 de Agosto, Portugal aceita entrar na Guerra a convite do governo britânico. A 30 de Janeiro de 1917 partem do Tejo, em três navios, os primeiros soldados portugueses em direcção a Brest. O CEP ficaria estacionado na Flandres francesa. Os portugueses estavam organizados em duas Divisões, cada uma com três Brigadas. Os jovens casteleirenses estavam quase todos na 3ª Brigada da 1ª Divisão pois pertenciam ao Batalhão de Infantaria nº 12 da Guarda. Desde Fevereiro de 1917 até Outubro foram enviados para França perto de 60 mil homens. Em Abril de 1918 o CEP tinha perdido 6 mil soldados. Com a Batalha de La Lys, em 9 de Abril desse ano, em apenas 4 horas o CEP perdeu 7500 homens, entre mortos, feridos, desaparecidos e prisioneiros. Foi o fim do CEP e a maior derrota do exército português depois de Alcácer Quibir.
Partida do Cais de Santos

O Batalhão de Infantaria da Guarda que partiu para França era composto por 23 oficiais, 48 sargentos e 1028 cabos e soldados. Partiram em 20 de Março de 1917 e regressaram a  4 de Junho de 1919. Entre oficiais e soldados morreram 45. Naturais do Casteleiro participaram pelo menos 25 e todos eles regressaram à nossa aldeia:

José Fernandes Carrilho – Soldado, Batalhão Infantaria Nº 3; José Fernandes – Soldado; Germano Soares - Soldado, RI 12; Jerónimo Ferreira – Soldado, RI 12 (Quinta de Santo Amaro); António Geraldes – Soldado Corneteiro, RI 12; Cassiano Batista Guerra – Soldado; RI 12; Joaquim Machado – Soldado, RI 12; Amândio Valentim – Soldado, RI 12; Joaquim Marques – Soldado, RI 12; António Pinto – Soldado, RI 12; José Canelo – Soldado, RI 12; Álvaro Geraldes – Soldado, RI 12; Manuel Mendes dos Reis – Soldado, RI 12; Cassiano Ferreira – Soldado, RI 12; José Capelo – 1ºCabo, RI 12; Joaquim Gonçalves – Soldado, RI 12; José Mendes Félix – Soldado, RI 12; Mário dos Reis – Soldado, RI 12; Primo Augusto – Soldado, RI 12; Germano Machado – Soldado, RI 12; Januário Ferreira – Soldado, RI 12; Joaquim Coutinho – Soldado, 2º Grupo, Administração Militar/Abastecimentos; José Martins – 1º Cabo, Regimento de Sapadores Mineiros; Firmino Geraldes – 1º Cabo, RI 12 (Valverdinho) e, ainda, Manuel Cavaleiro cuja caderneta não consta.
















Nas fotos, (clique para ampliar), a Caderneta Militar de José Fernandes Carrilho, soldado condutor (de mulas) filho de José Fernandes Carrilho e de Ricarda Maria. Uma vida militar curiosa com muitas baixas médicas, pelo menos cinco prisões, normalmente de 10 dias cada uma, e um julgamento. O motivo era sempre o mesmo: faltar à revista, faltar ao trabalho de fortificação, não cumprir ordens dizendo “palavras obscenas”, etc…

Estórias de Casteleirenses…








 "Reduto", crónica de António José Marques