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27/07/2015

Uma fotografia


Há momentos que nos deixam sem palavras. As minhas pesquisas sobre o passado do Casteleiro, factos, pessoas, estórias, seguem a bom ritmo. O ritmo do tempo disponível para seguir pistas, confirmar hipóteses, etc… Pequenos avanços, grandes recuos, por vezes enormes decepções, becos onde não se vislumbra qualquer saída, enfim, um pouco de tudo!   Mas o material existente é já vasto, grande parte inédito como, aliás, tenho aqui deixado alguns apontamentos.
Desta vez estava às voltas com o “dossier” Santo Amaro. Tantas e tantas estórias sobre a Quinta, os seus sucessivos donos… De repente uma foto! Uma foto que está a permitir um avanço de investigação até aqui completamente bloqueado. Claro que tem a ver com o Morgado… Fica a foto. Referências havia algumas. Mas, às vezes, como referi, ficamos sem palavras. As estórias, documentadas, a que esta foto permitiu chegar são verdadeiramente fascinantes! Ficam para outro tempo…
 




"Reduto", crónica de António José Marques


06/07/2015

Um casteleirense em terras do Brasil

Antes do grande surto emigratório, sobretudo para França, iniciado na década 50 e que se confirmou na década seguinte (o Casteleiro perdeu 693 habitantes de 1950 a 1970), houve casteleirenses que partiram em busca de uma vida que fosse para além do trabalho agrícola de sol a sol. O destino mais comum foi o Brasil e também a Argentina.
 
 
Foi o caso do nosso conterrâneo agricultor Amândio Valentim. Nascido a 3 de Fevereiro de 1892, filho de José Valentim e de Maria Nabais e casado com Libânia Ferreira. Com passaporte emitido pelo Governo Civil de Lisboa a 4 de Março de 1939 e visto do consulado dois dias depois, aos 47 anos de idade parte de vapor para o Brasil. No Casteleiro deixa a sua esposa Libânia e 5 filhos: Joaquim, Manuel e Orlindo (já falecidos), Idalina e Maria. Por terras do Brasil terá ficado até cerca de 1951. Regressado ao Casteleiro faleceu em meados da década de sessenta.
 
Embora tenha partido para o Brasil 6 meses antes do início da II Grande Guerra, Amândio Valentim já tivera o seu quinhão de militar. A 21 de Março de 1917, integrado no Corpo Expedicionário Português, com 25 anos de idade, partia para França onde combateu na frente de batalha na I Guerra Mundial. Participou na Batalha de La Lys a 9 de Abril de 1918 e após ter sido ferido em combate por três vezes, foi evacuado da “frente” e embarcou para Lisboa a 13 de Setembro de 1918.
 
Um agradecimento especial ao meu amigo Manuel Cerveira Valentim, filho de Orlindo Valentim e neto de Amândio Valentim que me ajudou a “enquadrar” a descendência familiar, gente que muitos de nós conhecemos e que estão entre nós.
 
 
 
"Reduto", crónica de António José Marques
 
 
 
 

15/01/2015

Hoje é dia de Santo Amaro e não há Feira!


Hoje comemora-se o dia de Santo Amaro e na Quinta de Santo Amaro hoje não há feira. Mas já houve!
Segundo o vigário João dos Santos, de Sortelha, no termo do concelho havia três feiras nos finais do século XVIII: a Feira de São Marcos, na Quinta do Espinhal no dia 25 de Abril e duas na Quinta de Santo Amaro, uma a 15 de Janeiro e outra na segunda oitava da Páscoa. Neste período não consta que existissem feiras nos “lugares” mais próximos: Casteleiro, Sortelha, Bendada, Moita e Santo Estevão.
Mais uma surpresa relevante e que atesta a importância pretérita da “nossa” Quinta de Santo Amaro. Com uma história de muitos e muitos séculos, de reguengo do reino à Quinta do Morgado, hoje, dia de Santo Amaro, era dia de festa e de feira há, pelo menos, 250 anos.


O nome “Santo Amaro” existe desde meados do século XVII -a designação anterior não está ainda confirmada já que existem duas hipóteses em estudo. E terá essa designação, que chegou até aos nossos dias, desde o período em que pertencia à Ordem de São Bento, embora a sua exploração desde meados do século XVI não fosse feita directamente pela Ordem, mas “arrendada”. Santo Amaro terá sido a homenagem que a dita Ordem fez ao Santo que foi o herdeiro espiritual e da obra de São Bento. O nome e uma capela!

História e estórias de uma quinta onde nasceram muitos dos futuros habitantes do Casteleiro.






"Reduto", crónica de António José Marques




14/09/2014

Bigamia: cinco anos de degredo nas galés e açoitado publicamente

Assento de Baptismo de Manuel Gonçalves
Fez agora uma ano publiquei aqui, no Viver Casteleiro, um texto sobre um nosso conterrâneo, Manuel Gonçalves, um cristão-novo acusado de bigamia.
Agora, por gentileza da GenRegis é possível publicar o seu assento de baptismo realizado a 30 de Janeiro de 1683 e também a assento do primeiro casamento com Isabel Mendes, filha de João Mendes Antunes e Inês. O pároco de então era Manuel João Pinto da Fonseca.
Assento de Casamento de Manuel Gonçalves
Deixei em aberto, quando escrevi  a estória, a sentença de Manuel Gonçalves que, entretanto, tinha casado com Catarina Giraldes ainda era viva a sua primeira mulher.
Pois, caros amigos, a sentença de 26 de Julho de 1711 foi exemplar: degredo por cinco anos para as galés, penitências espirituais, pagamento de custas e ser açoitado publicamente. É obra…





 "Reduto", António José Marques


21/03/2014

A busca do ouro em 1724


Investigar a história e as estórias do Casteleiro revela-se uma tarefa rica de episódios  Quadros do quotidiano de uma aldeia rural recheada de vida e onde tudo parece ter acontecido. Hoje falamos de “embusteiros”.
Corria o ano de 1724 na aldeia, então com 500 habitantes. Mas a rotina dos primeiros meses desse ano tinha sido alterada com a chegada de um homem de nome José Bernardo. Chegou com mapas e prometeu descobrir um tesouro: nada mais nada menos que treze arrobas e meia de ouro. Fascinados, os nossos antepassados arregaçaram mangas e toca de cavar em busca do tesouro.
Mas os meses passavam e nada de tesouro. E o tal de José Bernardo a dar ordens a toda a gente, vivendo à custa dos casteleirenses. Até ao dia em que a coisa estalou. O homem era um impostor e como tal merecia uma boa sova: “enfadados de trabalharem sem proveito lhe deram algumas pancadas e o ameaçaram com mais”. Dito e feito. E de seguida uma queixa apresentada em Sortelha a um tal Manuel Mendes Vella, decerto uma autoridade. A estória chega aos nossos dias graças a essa queixa que daria origem a um inquérito conduzido por Frei Manuel Godinho, capelão em Castelo Branco.
É o inquiridor que escreve a 14 de Maio de 1724: “Durante 3 ou 4 meses ter um embusteiro que se nomeava José Bernardo o qual trazia enganado aquele povo e de alguns lugares vizinhos  prometendo-lhes  descobrir  naquele sitio um tesouro de treze arrobas e meia de ouro em contas preciosas . Durante aquele tempo fez trabalhar aquela simples gente de dia e de noite cavando, derribando penedos, fazendo-lhes obrigações por escrito, que eu vi, para o cumprirem. Também fazia algumas curas com palavras que não se lhe entendiam e experiencias com ferros em brasa.” Entretanto, José Bernardo sumiu da região.
O que os casteleirenses de então não sabiam e que hoje nós sabemos,  é que o tal José Bernardo era um “embusteiro” profissional.  A 23 de Julho de 1723, era dado como cirurgião, casado com Ana Mendes e que por “culpas” tinha sido condenado ao degredo pela Inquisição de Coimbra por quatro anos em Castro Marim. Mas, qual degredo, a 19 de Outubro do mesmo ano é citado pela Misericórdia de Castelo Branco como homem solteiro a caminho da vila de Múrcia do arciprestado de Braga.
Pelo caminho, fez uma paragem no Casteleiro. E pôs toda a gente à procura das arrobas de ouro.

Casteleiro, um passado de história e estórias!






"Reduto", crónica de António José Marques



24/01/2014

Joaquim Mendes Guerra

Casa onde nasceu
Às dez horas do dia 24 de Janeiro de 1953, faz hoje sessenta e um anos, falecia em sua casa, na Quinta Mimosa no Casteleiro, vítima de hemorragia cerebral, o nosso conterrâneo Joaquim Lopes Neves Mendes Guerra.
Joaquim Mendes Guerra nasceu no Casteleiro em 1893, filho de Manuel José Fernandes Mendes Guerra, o maior proprietário da Aldeia à época, também ele natural do Casteleiro e de Emília dos Prazeres Neves Mendes Guerra, natural de Tamanhos no concelho de Trancoso. Joaquim Mendes Guerra foi casado com Maria do Céu Barreiros Guerra, (a “Senhora”) que enviuvou com apenas 52 anos.
Em crónica anterior já aqui abordei a vida deste casteleirense a propósito do motim do aguilhão frente à Câmara do Sabugal a 10 de Fevereiro de 1926. Referi, então, que a investigação sobre a vida de Mendes Guerra estava adiantada. Hoje, está praticamente concluída.
Após muita e diversificada investigação, ouso afirmar que Joaquim Mendes Guerra é, para mim, a personalidade mais fascinante do Casteleiro do século XX. A sua vida, personalidade, acção e obra extravasou as fronteiras da nossa terra, do concelho e da região.
Aluno da Universidade de Coimbra
Em 1913, com vinte anos de idade, estudava em Coimbra, matriculado na Faculdade de Letras. No ano seguinte optou pela Faculdade de Direito. Contemporâneo na Universidade, e em algumas das disciplinas, de António de Oliveira Salazar e Manuel Gonçalves Cerejeira, com quem manteria fortes relações de amizade, Joaquim Mendes Guerra regressaria anos depois ao Casteleiro. Na política, integra a corrente do Integralismo Lusitano, ao invés de seu pai que pertencera ao Directório do Partido Progressista do Sabugal até 10 de Agosto de 1898.
Acta de tomada de posse Presidente da Junta
Jornalista, fundou a “Gazeta do Sabugal”, com sede no Casteleiro, órgão defensor dos “lavradores do concelho”. A 2 de Janeiro de 1926 toma posse como Presidente da Junta de Freguesia de Casteleiro. Um cargo de curta duração já que, a 30 de Junho do mesmo ano é empossado como Presidente da Comissão Administrativa do Concelho do Sabugal. Até à sua morte, desdobrou-se em múltiplas actividades políticas e, sobretudo, de publicação de artigos em diversos jornais do País. No dia da morte era publicado o seu último artigo no jornal “A Voz”, sobre “Usos e Festas Tradicionais da Beira”.
Militante, polémico, interventor, a vida de Joaquim Mendes Guerra, o seu percurso em pormenor, merece ser do conhecimento público de todos os casteleirenses. Isso acontecerá ainda em 2014. 

Assinatura





"Reduto", crónica de António José Marques

12/01/2014

Milho para o exército de El Rei

Estamos em Dezembro de 1832. D. Miguel I, filho de D. João VI, era Rei de Portugal mas em luta com seu irmão D.Pedro. Guerra civil entre miguelistas e pedristas, absolutistas e liberais. Por este tempo, 1832, D.Pedro tinha já reunido em Inglaterra uma força de sete mil soldados para lutar contra o seu irmão e defender o partido liberal. D. Miguel perdeu esta guerra e o seu reinado viria a terminar a 26 de Maio de 1834.
No nosso Casteleiro de há cerca de 180 anos, com perto de 550 habitantes, a vida diária decorria de sol a sol a trabalhar a terra. Como sempre. E por isso, em tempo de guerra, quando chamados a contribuir para o exército “de sua majestade”, deram o que mais tinham: milho.
A “Gazeta de Lisboa” de 5 de Janeiro de 1833 relata essas ofertas.
“O Cura José Augusto Cameira e Joaquim Pinto de Oliveira, dois alqueires de milho cada um.
Manoel Martins da Costa 1 e meio do dito. José Fernandes Mendes, Manoel da Fonseca, Manoel Mendes Esteves e Luis Baptista, 1 dito dito cada um. Felix Mendes, Manoel Gomes, José Caetano Esteves, António Cameira, Francisco Pereira, Manoel Louro e José António de Sequeira, em módicas quantidades 3 alqueires e 1 quarta de milho.”
O Casteleiro, no total, contribuiu com perto de 13 alqueires de milho.
Factos e curiosidades da nossa Aldeia!






"Reduto", crónica de António José Marques



30/08/2013

Preso por bigamia


 
A 12 de Setembro de 1710, Manuel Gonçalves, de 30 anos de idade, natural do Casteleiro, filho de António Fernandes e Maria Gonçalves, casado com Isabel Mendes, foi preso pela Inquisição, acusado de bigamia.
Este casteleirense, que à data da prisão vivia em Alpedrinha, referenciado como cristão-novo, terá casado novamente, ainda era viva a sua mulher, com Catarina Giraldes.
Mas que estória encerra esta prisão e qual terá sido a sentença aplicada a este nosso conterrâneo há mais de 300 anos? Um estudo em desenvolvimento….






"Reduto", crónica de António José Marques

26/07/2013

Festa das Mães, faz hoje 70 anos

Hoje, dia em que se evoca o dia dos avós, lembramos aqui a "Festa das Mães" que se realizou no Casteleiro há exactamente 70 anos, no dia 26 de Julho de 1943. Festa rija, com comissão para a venda de flores, comissão para os festejos, etc..

 
 

22/07/2013

O Motim do Aguilhão


Ontem, dia 21, fui ao Sabugal assistir à recriação do ”Motim do Aguilhão”, uma iniciativa do Município, integrada na “Viagem aos anos 20”.
 
E fui por um motivo muito concreto. É que este motim, que aconteceu a 10 de Fevereiro de 1926, teve como mentor o nosso conterrâneo e Presidente da Junta de Freguesia de Casteleiro à época: Joaquim Mendes Guerra, (falecido a 24/1/1953), filho do abastado lavrador e ilustre casteleirense Manoel José Fernandes Guerra e marido da ainda hoje muito falada na aldeia, D. Maria do Céu Guerra (a Senhora).
Joaquim Guerra pertenceu à geração do “integralismo lusitano” e foi um grande defensor da causa dos lavradores do concelho. O motim, obviamente com motivos políticos, juntou frente à Câmara do Sabugal cerca de 1500 manifestantes e teve como causas directas a imposição de um imposto de turismo, a licença de cães e a licença de “aguilhão” , a ponta de metal usada para incitar as juntas de bois. Um leque de impostos que atingia ferozmente os lavradores. Ontem, tal como hoje!
A acção de Joaquim Mendes Guerra foi multifacetada. A 18 de Abril desse ano, fundou o jornal “Gazeta do Sabugal”, com sede no Casteleiro, onde continuou com numerosos artigos a defender as causas em que acreditava. Logo no primeiro número do jornal escrevia “Os lavradores sabem que devem pagar contribuições e hão-de pagá-las, mas só querem pagar as que forem justas e as que forem necessárias”.
A vida deste nosso conterrâneo foi rica de momentos cruciais, durante muitos anos, na vida política do concelho. O seu estudo e divulgação é outro dos objectivos em carteira, mas já em avançado estado de pesquisa.
Acreditem que foi com enorme prazer que ontem assisti à recriação deste motim com a praça frente à Câmara do Sabugal repleta de gente, muitos com varapaus e em grande berraria, e ouvir o actor abrir o discurso à multidão:
“Chamo-me Joaquim Mendes Guerra e venho do Casteleiro”.
 
 
 
 
 
"Reduto", crónica de António José Marques

14/07/2013

Bruxa e Feiticeira...


Em 1716, o Casteleiro teria uma população muito próxima da actual. Cerca de 400 habitantes. Certamente, a agricultura era a sua principal ocupação. Gente humilde, pobre, a exemplo do resto do país rural. Isto, enquanto em Lisboa a corte de D. João V era das mais ricas da europa graças ao ouro que chegava do Brasil. O luxo e a opulência rivalizavam com as dificuldades do povo com inúmeros impostos para pagar. A Inquisição estava no seu auge, com autos de fé transformados em verdadeiros espectáculos no Terreiro do Paço, em Lisboa.
No Casteleiro rural, uma mulher de 70 anos era acusada de bruxaria. Feitiços testemunhados pelos seus conterrâneos que levaram à sua denúncia ao Capitão-Mor de Sortelha.
Chamava-se Leonor Fernandes, era viúva de Sebastião Fernandes Gázio, natural e moradora no Casteleiro.
O processo, extenso, descreve os feitiços, as bruxarias como, por exemplo, “dar e tirar saúde a criaturas”. As inúmeras testemunhas dão os seus nomes  e “contam” tudo. Quem eram, o que viram, o que aconteceu a esta nossa conterrânea? Uma estória real que teve lugar há cerca de 300 anos.
Uma estória que terá que ser estudada e revelada…






"Reduto", crónica de António José Marques



09/07/2013

Apontamentos, estórias, factos...


Inicio hoje uma série de “apontamentos” históricos sobre o Casteleiro. Na sua grande maioria são inéditos ou, embora conhecidos, nunca foram objecto de publicação. São pequenas estórias, dados, curiosidades e alguns factos até hoje “soltos” mas que procurarei relacionar com o conhecimento existente sobre a nossa aldeia.
Esta série de apontamentos, que aqui serão referidos mas sem desenvolvimento aprofundado, fazem parte de um dossier que estou a construir e que, proximamente, poderá ver a luz do dia em forma de livro. Assim a utilização das horas o permita.
A primeira grande operação de “recenseamento” do Reino foi efectuada entre 1527 e 1532. Este “Cadastro” ou “Numeramento” está disponível na Torre do Tombo. Mas não está completo. Faltam dois volumes, os relativos à Beira e Alentejo. Esses estão na Biblioteca do Museu Britânico.
Graças a um amigo que reside em Londres, foi possível obter a digitalização da parte que a nós, casteleirenses, nos interessa: o cadastro do termo de Sortelha, então concelho de que o Casteleiro fazia parte. E aqui podemos ver o documento original, embora seja de há muito conhecido que ao Casteleiro era referenciado a existência de 52 moradores.
Mas este documento levanta imensas questões e numerosas pistas de investigação, todas relacionadas com o Casteleiro e suas actuais anexas.
Mas, esse, é um estudo em desenvolvimento….
 
 
 
 
"Reduto", Crónica de António José Marques