07/03/2011

Uvas do Casteleiro vencem Festival do Vinho




As uvas do Casteleiro deram origem aos vinhos classificados em 1º e 2º lugar no 1º Festival do Vinho Novo do Sabugal, uma iniciativa do jornal “Cinco Quinas” que decorreu no salão da Junta de Freguesia do Sabugal no domingo de Carnaval.
Perto de oitenta vinhos de diferentes produtores apresentaram-se a concurso para serem apreciados em dois grupos de acordo com a origem: oriundos das Terras Frias e das Terras Quentes.
Com origem nas Terras Quentes classificou-se em primeiro lugar um produtor de Ruivós que adquiriu as uvas no Casteleiro e, em segundo lugar, o nosso conterrâneo José Manuel Gonçalves com uma produção partilhada com o seu irmão Carlos Gonçalves. O terceiro lugar foi atribuído a um produtor de Santo Estevão.
Mais uma vez, o afamado vinho do Casteleiro provou que, no Concelho do Sabugal, não tem rival!


Testamento do Galo anima Entrudo























Mais uma vez, a tradição cumpriu-se! No domingo gordo voltou a ouvir-se o “Testamento do Galo” nas ruas do Casteleiro. Depois de uma primeira leitura no Lar de São Salvador, os jovens casteleirenses juntaram-se no Largo de S. Francisco, leram o Testamento e, no final, ofereceram o Galo à Professora Rosa.

Foto da Semana


Sandra Fortuna, Vereadora da Câmara do Sabugal, no passado dia 4, em Badamalos, por ocasião da assinatura de protocolos com freguesias do Distrito, com a presença do Secretário de Estado da Administração Local, José Junqueiro.

06/03/2011

Hoje é Domingo Gordo

Não um domingo qualquer, este é o último domingo antes da Quaresma, pelo que, além de ser dia de folia, era dia de comer determinadas iguarias fornecidos pelo, com sua licença, o porco.
Depois da matança do porco que, geralmente ocorria por alturas do Natal, uma vez feito o enchido que embelezava o fumeiro, que secava junto ao caniço, as carnes mais gordas, juntamente com os ossos e os presuntos, eram guardados na salgadeira (arca com sal, normalmente em madeira – um conheço uma, totalmente esculpida em pedra com excepção, claro está, da tampa), donde eram tirados ao longo do ano, e geridos, regradamente, à medida das necessidades imperiosas.
Da água da cozedura dos ossos, repleta de gordura, juntamente com miolo de trigo e outros ingredientes eram feitos os farinheiros. Tal como a matança, a cozedura dos ossos era um ritual marcadamente familiar.
Enquanto os presuntos continuavam a repousar e “a tomar do sal”, na dita salgadeira, para o almoço de domingo gordo, eram guardadas determinadas carnes, que neste dia tinham um sabor especial. Refiro-me concretamente às orelhas, focinho, chispes e a cauda do dito animal.
Imaginem o quanto saboroso seriam todas estas carnes (bem, do sal, nem quero falar...), comidas no seu dia certo! Imaginem, se conseguirem, há quanto tempo eram desejadas…e já agora, quantas vezes seriam necessárias?
Tudo isto para explicar que o domingo que antecede o Entrudo, ao longo dos tempos, foi sempre carregado de fortes tradições religiosas, gastronómicas mas também com “foliões típicos” da nossa aldeia, à mistura.
Até porque a seguir ao Entrudo vinha a Quaresma que ditava forte rigor no jejum e abstinência. Daí que, nada melhor do que saciar bem o corpo. Quarta feira de cinzas – dia a seguir ao Entrudo, começava o rigor das leis religiosas…Nunca me esquecerei da frase que o senhor padre dizia na, quase sempre fria missa, dita na manhã desta quarta feira:”lembra-te ó homem que és pó e em pó te hás-de tornar” - ao mesmo tempo que fazia uma cruz, com cinza, sobre as nossas cabeças que até ficava todo arrepiado!
Tradições de outros tempos, que neste domingo gordo trago à vossa memória.
E, porque não, no próximo ano, o Centro de Animação Cultural proporcionar a todos os casteleirenses um almoço gastronómico a fazer lembrar os “velhos tempos”? Pensem nisso!
Aqui fica o desafio.

Bom Entrudo!


"A Minha Rua", espaço de opinião de autoria de Joaquim Gouveia

02/03/2011

O Barroco Riscado e outras estórias de antanho

Estas são estórias de antanho, contos com que os nossos avós deliciavam a nossa meninice. Eles contavam – acho que as mesmas historietas – vezes sem conta e nós sempre encantados e no final sempre a mesma reacção:
- Ahh!
No pós-guerra, na nossa terra, não era o crescimento nem o desenvolvimento que marcavam território. Não. O que predominava era a superstição e os mitos.
Um desses mitos passava sempre por mouras encantadas, de que dou um exemplo aí adiante.
E eram muitas as superstições.
Só dois exemplos.
O ladrar «aflito» dos cães em noite de invernia – significava para muitos o anúncio da morte de alguém na aldeia.
A “Quinta da Senhora” era então um pequeno «latifúndio» da nossa zona com casa senhorial – não pela arquitectura mas pela dominação. Tinha lá sempre pavões. Pois havia a superstição de que o grito «de dor» dos pavões da “Quinta da Senhora” à noite significava também a morte de alguém. Ainda hoje, quando penso nesse grito lancinante que atravessava a noite me arrepio todo…

Havia também, claro, os mitos e as lendas da terra. Tinha de ser. Havia muitas naquele tempo. Uma espécie de literatura do maravilhoso infantil, que sempre me maravilhou. Só que os adultos é que acreditavam nelas antes de nós.



Algumas delas tinham a ver com um misterioso rochedo, o «Barroco Riscado».
Por exemplo, a das mouras encantadas.
As mouras encantadas dançavam e faziam as suas festas de comezaina em cima do «Barroco Riscado». É um grande rochedo da serra ao lado da Serra da Vila. Fui lá acima, andei em cima dele uma única vez, na adolescência: o local era tido como semi-misterioso e dado a feitiçarias. O «barroco» tem lá em cima umas poças – seguramente feitas pela erosão dos ventos e da água das fortes chuvadas. As poças são muito redondinhas. Parecem de facto pratos feitos de granito… A lenda que nos contavam dizia que era nesses pratos que as mouras encantadas comiam nas suas festas de feitiçaria…
Contavam-nos isto com o ar mais sério do mundo e muito acontecidos, como então se dizia: muito compenetrados da verdade absoluta da estória.
E nós, boquiabertos:
- Ahh!
Outra estória sobre o mesmo barroco põe o rochedo a «falar»:
- Obrigado a quem me virou – disse o barroco…

De facto, sobre o mesmo barroco contava-se mais uma história de encantar a pequenada toda.
Um dia, há muitos, muitos anos, uns homens que andavam na serra com os gados viram lá umas palavras escritas no barroco.
Um deles sabia ler e leu:
- Quem para o outro lado me virar
Grande tesouro há-de encontrar.
Voltaram-no.
E por baixo, do lado que agora estava para cima, o que leu o mesmo pastor?
- Bem-haja quem me virou
Que há tantos anos deste lado estou.
E nós, maravilhados:
- Ahh!

O pote de ouro
Contava-se ainda na nossa terra que uma das famílias mais ricas tinha chegado à riqueza de uma forma bem estranha: um dia, havia muito tempo, o patriarca da família tinha encontrado uma moura encantada que lhe dissera para «procurar» que «encontrava».
Nem onde nem o quê: apenas «procurar e encontrar».
Procurou e encontrou: havia um pote cheio de moedas de ouro enterradas debaixo do «balcão» (escadaria de pedra de acesso exterior à casa). Mas apanhou um susto antes de chegar às moedas. Porquê? Porque o pote estava guardado por uma serpente gigantesca que estava enrolada ao pote de barro antigo. Então, o dito patriarca daquela família foi buscar uma arma e… matou a serpente. E pronto: ficou com as moedas e ficaram todos ricos.
E nós, admirados e encantados:
- Ahh!



"Memória", espaço de opinião de autoria de José Carlos Mendes

25/02/2011

Festa da Caça ao ritmo do Acordeão


Seis acordeonistas vão percorrer as ruas e largos do Casteleiro durante os três dias da Festa da Caça. A qualquer hora, para onde se desloque, encontrará sempre um acordeão que marcará o ritmo da Festa!

23/02/2011

"Testamento do Galo" regressa a 6 de Março


O “Testamento do Galo” vai voltar a ouvir-se nas ruas e largos do Casteleiro no próximo dia 6 de Março, a partir das 15 horas.
Depois de no passado ano a Junta de Freguesia ter retomado a realização desta antiga e enraizada tradição associada aos festejos do Entrudo, eis que o Centro de Animação Cultural aceitou o desafio e é este ano o responsável pela iniciativa com o apoio da Junta. Está assim assegurada a preservação de uma tradição da memória cultural do Casteleiro.

21/02/2011

O cheiro das palavras

Hoje queria apresentar-vos o jogo das sensações, que pretende despertar em cada um dos leitores o cheiro intenso, que estas palavras transportam ao longo do tempo, nesta terra que é nossa - Casteleiro:

- Uva; mosto, jeropiga, vinho, aguardente, balsa, pipa, adega
- Marmelo, marmelada, geleia, açúcar em ponto
- Ovelha, leite, queijo curado, requeijão, soro.
- Porco, chouriça assada, morcela, farinheira, fumeiro, presunto, salgadeira.
- Lume, lareira, lenha, fumo, brasial, maçã assada, panela de ferro.
- Castanha, lume, magusto, assador.
- Natal, Menino Jesus, presépio, igreja, madeiro, praça, filhoses, família, amigos.
- Azeitona, lagar, azeite.
- Terra, estrume, semente, flor, fruto

Que tal este desafio?
Afinal as palavras também têm cheiro e o que é curioso, é que cada uma delas nos transporta para vivências bem características de épocas festivas, vida rural…de um tempo já passado, mas que pretendemos trazer à memória presente.




"A Minha Rua", espaço de opinião de autoria de Joaquim Gouveia

09/02/2011

I Passeio Equestre do Casteleiro





















No passado domingo, dia 6 de Fevereiro, as terras quentes do Casteleiro foram palco para um Passeio Equestre que juntou cerca de 50 cavaleiros.
O desafio, lançado por dois sócios do Centro de Animação Cultural do Casteleiro e mordomos do passeio equestre, Vítor Fortuna e Joaquim Nabais, dois amantes dos cavalos e de bons passeios, foi prontamente aceite pela Direcção.
Logo pela manhã, a azáfama era muita, cavalos, cavaleiros e muitos acompanhantes não paravam de chegar e foram muitos os que, após o pequeno-almoço, fizeram questão de iniciar o passeio…de carrinha!
Um domingo com temperatura agradável, um sol quente e a beleza única das terras casteleirenses, formaram o cenário perfeito para partir à descoberta de trilhos e caminhos de cores inconfundíveis.
À chegada, o CACC brindou todos os participantes com um almoço de ementa apelativa com os tradicionais enchidos da região para as entradas, sopa de canja e, como prato principal, arroz de feijão e uma farta grelhada, regada com um tinto das velhas e famosas castas do Casteleiro.
A Junta de Freguesia apoiou a iniciativa com a oferta de um troféu a todos os participantes.
Durante a tarde ainda houve tempo para brindar os mais resistentes com uma brincadeira e também uma surpresa: três bezerras para animar a malta.
Terminado com êxito este I Passeio Equestre do Casteleiro, ficou a promessa de iniciar a preparação do próximo.

Beatriz Costa

04/02/2011

Expressões do linguajar casteleirense (II)

Depois da viagem que tenho vindo a fazer por ruas e vielas, desta nossa terra, conversando com pessoas idosas, sabedoras de muitas vivências ancestrais, procurei trazer a este espaço, de partilha, muitas palavras e expressões que fazem parte do património linguístico casteleirense.
Por agora, vou ficar aqui estacionado, na “paragem da carreira”, procurando voltar ao vosso encontro, em momento considerado oportuno.

- Andar a intchê tchòriças – andar sem fazer nada
- Daquênada – daqui a pouco
- Inté amanhã – até amanhã (despedida)
- Òdespoi - depois
- De vreve – rapidamente
- Está atchacado – está muito doente/muito engripado
- A marrana está barronda / A marrana anda saída – a porca anda com cio
- Estás a olhar p’ò dismo – estás a olhar para o boneco
- Tá ali mai contcha! – está mais invejosa!
- Andar de candeia às avessas – Andar zangado com…
- É uma marrana – Refere-se a pessoa pouco asseada
- Acmodar o vivo – dar de comer aos animais (acontecia antes do dono se ir deitar)
- É uma badagnêra – é uma parva/mal educada
- Atende-me daí a faca (o pão…) – dá-me a faca
- A laranja de manhã é ouro, ao meio dia prata e à mata – Isto para dizer que a laranja, à noite; faz mal
- O prato está esboslado – o prato apresenta os seus bordos meio desfeitos
- Apitcha a pinha com o tção – acende a pinha com pau que está no lume a acabar de arder
- O garoto é mesmo um boguêlo – a criança anda sempre doente
- Deitaram-lhe mau olhado – alguém desejou algo de mau (esta expressão era relacionada com actos de bruxaria)
- Traz o diabo no corpo – anda com algum espírito maligno
- É um patchá - é um pasmado; com habilidade para pouquíssimas coisas
- Quem cabritos vende e cabras não tem, de algum lado vem – para explicar que pessoas que vivem bem e não têm modo de vida é porque recebem dividendos de uma forma ilícita.
- Nô atcho o cu cas mãos ambas - tenho mesmo muito que fazer/dificilmente conseguirei fazer tudo...

Até breve!




"A Minha Rua", espaço de opinião de autoria de Joaquim Gouveia

02/02/2011

Prova de Santo Huberto na "Festa da Caça"

Está já assegurada a realização de uma prova de Santo Huberto na Festa da Caça do Casteleiro: Dia 11 de Junho, às 9 horas.
As provas de St Huberto são direccionadas a caçadores com cão de parar que, num determinado percurso definido pelo juiz, são avaliados pelo desempenho de cão e caçador. Neste tipo de prova são aspectos avaliados pelos juízes a forma correcta de abordar o terreno a caçar, o respeito pela natureza, o cumprimento das regras de segurança que devem ser observadas no decorrer do acto venatório, o espírito desportivo, a ética, o sentido ecológico do caçador, a ligação com o seu cão, a forma como este sinaliza a caça (paragem), obedece às ordens, respeita o levante da caça e o tiro, a forma como cobra a peça abatida e a entrega ao dono.

Dia 11 de Junho - 09 horas

Frases que são ditados: sabedoria popular a sério!

Intervalo na crise.
Há ditados populares que se usam no Casteleiro que acho que não se dizem em mais lado nenhum. Os nossos avós (meus: os bisavós da maioria dos que me lêem) baseavam muito da sua vida nestas frases, cada uma delas uma espécie de quiz, uma verdade geral da sabedoria popular…
Vá-se lá saber porquê, muitas vezes dão mesmo certo. Ou melhor, sabemos porquê: é que a origem dessas frases condensadas é a experiência de séculos sintetizada em meia dúzia de palavras.
Adoro perder uns minutos com elas. Desde miúdo, isto sempre me fascinou pela justeza das coisas: bate tudo mesmo certinho!

Hoje trago aqui só três, para não chatear a malta – que pensa que tem muito mais que fazer...

Duas que vêm mesmo a propósito. Num ano de tanto frio, que mais fazer do que queimar lenha e aquecer bem a casa.

Primeira:
Uma velha em Abril
Queimou um carro e um carril.
Uma camba que lhe sobrou
Para Maio a guardou.
Sobrou-lhe um bocadinho
Como um punho:
Ainda o guardou para Junho.

Segunda:
Março, marçagão,
De manhã, Inverno,
À tarde, Verão.

E agora mais três diversificadas.

Ainda sobre o calendário.
Quem malha em Agosto
Malha com desgosto.

Uma dos namorados que achavam pequenos os dias de Maio (os maiores do ano):
Ai, dias de Maio, dias de amargura,
Ainda mal não é manhã, já é noite escura.


E uma que se aplica sempre, quando se faz uma asneira:
Está um edital à porta da igreja:
Quem é burro, não o seja.





"Memória", espaço de opinião de autoria de José Carlos Mendes

25/01/2011

Eleições

Confesso que, para mim, votar é uma obrigação que me dá muito prazer. Gosto de votar, manifestar a minha opinião e não deixar apenas aos outros a capacidade de decisão. Votei sempre em todas as eleições.
Ao longo do tempo, os meus favoritos ganharam, outras (muitas) vezes perderam. A democracia é assim. A maioria é quem decide. Independentemente da nossa vontade.
Nas últimas eleições presidenciais o meu candidato perdeu. Mas o que verdadeiramente me chocou foi o facto da maioria dos portugueses não ter votado. Atingimos a maior taxa de abstenção de sempre. A maioria optou por não se pronunciar sobre os candidatos.
E, assim, temos um Presidente da República eleito por apenas 24% dos portugueses. Algo vai mal quando nos demitimos das nossas obrigações de cidadão, com direitos mas também com deveres!







"Reduto", espaço de crónica semanal de autoria de António Marques

21/01/2011

Expressões do linguajar casteleirense

Na sequência do trabalho que temos vindo a desenvolver à volta da riqueza linguística da nossa terra, trago-vos, aqui hoje, algumas expressões utilizadas no dia a dia da nossa gente mais idosa. Então registem com atenção, pois vale mesmo a pena guardar estas preciosidades:

“Agarrei em mim” – tomei a atitude de…
“Eu, mai a minha” – minha, refere-se à esposa
“Tchegar a vaca” – levar a vaca ao boi de cobrição
“Boi de cobrição” – Boi para procriar – normalmente havia um ou dois no povo onde os ganhões levavam as vacas, quando andavam com o cio
“Andar dalevanto a noite intêra” – Passar a noite com má disposição intestinal
“Dor nas cruz” – dor de costas
“Já tchega até da bonda” – Já chega, até de sobra
“Anda de barriga” – Está grávida
“Não atchei o cu cas mãos ambas” – Andei todo o dia a correr
“Está a atá-las” – Está a morrer
“Anda de mal com ele” – Está zangado com ele
“É muito zarêlho” – É muito irrequieto
“Anda a roçar a casa” – Anda a esfregar (lavar) a casa
“Não tens porte pra nada” – não tens iniciativa alguma/não sabes fazer nada
“Dias aslanados” – Datas importantes do calendário litúrgico e respeitados por todos ou então ligados a acontecimentos, marcadamente importantes
“Dia Santo, de guarda” – dia em que não se podia trabalhar, sobretudo trabalhos do campo.

Convém reter algumas pequenas regras visíveis em muitas das palavras utilizadas:
• O ditongo “ei” no meio de qualquer palavra é pronunciado “ê” (exemplo: lareira, diz-se “larêra”)
• O “e” no final da palavra é dito “ei” (exemplo: Zé diz-se “Zei”)
• O “ch” tem sempre junto a presença do “t” (exemplo: “tchapéu”; “tchave”).



"A Minha Rua", espaço de opinião de autoria de Joaquim Gouveia

16/01/2011

Ano Internacional das Florestas em 2011

O ano 2011 foi declarado pela Organização das Nações Unidas o Ano Internacional das Florestas. Pretende-se com isto chamar, aumentar a sensibilização das questões relacionadas com a gestão sustentável, conservação e desenvolvimento sustentável de todos os tipos de florestas, para benefício das gerações presentes e futuras.
Trago aqui este tema para alertar e deixar umas ideais, pois as nossas florestas foram abandonadas há muito tempo e após o grande incêndio de 2009 o que se viu foi o corte das árvores queimadas e não só.
Ontem a tarde dei um passeio pelo alto da Carrola, pela área ardida, onde verifiquei alguma regeneração de sobreiros e pinheiros, mas esta regeneração podia ser muito mais com uma ajuda, espalhando sementes e limpando os restos de madeira que não arderam.
Não se pode desanimar, tem que se lutar por uma freguesia mais verde, devia-se pensar em estratégias conjuntas, mesmo que muitos proprietários não possam trabalhar a terra pelas mais variadíssimas situações. Porque não criar uma cooperativa ou associação para a gestão desses terrenos, reflorestar as áreas de floresta e cuidar dos olivais, produzindo uma marca de azeite que o lucro da venda seria para investir na gestão dos terrenos. Esta ideia irei debater noutro post.
Devem ser escolhidas as melhores espécies que se adaptam na nossa terra. Ontem fiquei surpreendido com a quantidade de sobreiros que estão a rebentar, como sabem do sobreiro retira-se a cortiça e a bolota para engorda dos suínos, são tudo sectores que se deveriam apostar para rentabilizar o investimento feito e não deixar a floresta ao abandono.
Para terminar informo que o Governo Civil da Guarda lançou em Dezembro passado uma campanha “F de Florestar” que visa oferecer e apoiar as iniciativas de reflorestação de áreas ardidas.
Gostava de ver a floresta do Casteleiro novamente verde, há que pensar nisto, pois daqui a 3 ou 4 anos está tudo cheio de mato e a regeneração natural não consegue sobreviver aos constantes incêndios, a floresta precisa da nossa ajuda.





"Ambiente agrícola e espaço florestal"
espaço de opinião de autoria de Ricardo Nabais

13/01/2011

Entrevista com a Vereadora Sandra Fortuna


Pela primeira vez, há na Câmara do Sabugal um(a) Vereador(a) do Casteleiro. E está a desempenhar muito bem o seu cargo.
Na sequência imediata de o «Viver Casteleiro» a ter considerado a Personalidade do Ano, a Dra. Sandra Fortuna foi por mim desafiada «em segredo» para esta entrevista, logo a seguir ao Ano Novo, a primeira para este nosso «sítio». Devido às suas muitas ocupações, só agora ficou concluída – o que é muito bom sinal: a Sandra não brinca em serviço, quis responder ponderadamente e com verdade sentida. A «nossa» Sandra não fugiu a nenhuma pergunta, ao contrário do que me costumam fazer outros «políticos».
Estamos apenas a meio de Janeiro, pelo que ainda se justificam os votos de Bom Ano com que abrimos… Vamos ler o que tem para nos dizer a «nossa» Vereadora da Câmara do Sabugal, que é também Secretária-Geral de uma IPSS na Covilhã e Presidente da Direcção do nosso Lar do Casteleiro.

José Carlos Mendes - Olá, Sandra. Bom Ano.
Sandra Fortuna - Olá. Bom Ano para si e para os leitores também.

- Sandra, um ano e pouco depois, como é estar numa posição de destaque como vereadora no Sabugal?
-Como já referi noutra entrevista, encaro a política como um enorme e aliciante desafio. Considero que se não me achasse capaz de contribuir para uma melhoria do trabalho do executivo não teria ocupado o lugar de vereadora. Tenho-me empenhado nas funções que agora exerço e o meu desejo é fazer sempre mais e melhor, mas tentando também fazer diferente.

- O caso da Administração da empresa municipal Sabugal + supomos que seja apenas mais um, embora tenha tido muita visibilidade. Há mais situações de constrangimento?
- Quando os processos não são explicados com a transparência necessária permanecem sempre dúvidas.

- A Sandra Fortuna, enquanto Vereadora, representa o concelho todo, como qualquer outro vereador, claro, mas é inevitável perguntar algo sobre o Casteleiro: acha que o facto de a nossa terra ter alguém na Câmara tem tido vantagem especial? Acho que é a primeira vez na história local que temos alguém a sentar-se na Câmara mesmo…
-Tendo eu nascido e crescido no Casteleiro, nutro por esta terra um sentimento inexplicável, gosto muito do Casteleiro. Em todos os locais onde estou e nos órgãos onde pertenço (políticos e não políticos), faço questão de falar sempre do nosso Casteleiro, como também no Concelho do Sabugal. Tenho consciência que todas as freguesias têm de ter o mesmo tratamento nos assuntos que apresentam à Câmara Municipal.
O Concelho do Sabugal é riquíssimo em tradições, respeito todas e orgulho-me por pertencer a um Concelho como o do Sabugal.

- Muita gente alude ao facto de a Sandra ser hoje uma espécie de sucessora da «Lucindinha», que, por ser Presidente da Junta era membro da Assembleia Municipal. Acha que é assim? Sente essa responsabilidade?
- Sinto um enorme orgulho no trabalho da Lucinda no Concelho do Sabugal e sobretudo no Casteleiro. O facto de existirem comparações é para mim uma satisfação, pois a Lucinda era uma pessoa determinada, justa e leal aos seus amigos. É uma referência.
No que diz respeito à responsabilidade, penso que estar em lugares políticos (neste caso como vereadora) exige sempre muita responsabilidade.

Considera a acção da Lucinda uma espécie de luz orientadora?
- Quando falo na Lucinda emociono-me sempre. Uma pessoa com enorme valor que para mim estará sempre presente e de quem tenho uma saudade infinita.
Só quem a conheceu consegue perceber as minhas palavras.

- Quem está eleito e vota aquelas propostas no dia-a-dia, que responsabilidades sente quando levanta o braço – seja para dizer sim, seja para dizer não?
- O papel da oposição na Câmara Municipal tem de ser, do meu ponto de vista, construtivo. Tem sido assim desde o início do nosso mandato. Ninguém pode dizer que a Câmara não está a desenvolver trabalho por responsabilidade da oposição PS. Temos provas de que o nosso objectivo não é prejudicar o trabalho de quem está no poder. Mas sim criticar quando temos de o fazer e apresentar propostas quando achamos oportuno.

- A Sandra foi professora alguns anos. O que fica desse tempo?
- Ficam tantas coisas. O ser professora é das profissões mais bonitas e encantadoras que se pode ter. A experiência valeu muito a pena, o contacto com os meus alunos, a evolução de cada um, momentos quase únicos.

- Outro domínio em que a Sandra se desdobra é o da actividade social: Secretária-Geral de uma IPSS e Presidente da Direcção de outra (o Lar do Casteleiro, neste caso), além do já referido cargo de Vereadora. Há mesmo tempo para tanta coisa? Qual é o segredo?
-Não há segredos. Para conseguir desenvolver todos os projectos, para além de planificar tudo muito bem, existe um factor determinante. Gosto do que faço! Nestas coisas a parte prejudicada acaba por ser a família. Que tem sido uma enorme força e motivação. Mas também os bons amigos que tenho sempre a meu lado.

- Sandra, agradecemos o depoimento. Ficamos a conhecê-la melhor. Bom sucesso para as suas tantas actividades!
- Obrigada. Foi um prazer.


Entrevista de autoria de José Carlos Mendes

12/01/2011

Memórias...

Ao abordarem aqui o tema da evolução linguística no Casteleiro, renasceu em mim memórias destes tempos …
Gostava de partilhar com vocês a minha experiência desta “língua” tão “falada” entre o nosso povo e que faz aflorar em mim boas recordações …
Quando a minha avó falava em “gravanços”, nunca tal eu pensava que seriam os benditos Grãos….e que os “malhávamos” no terraço em pleno Verão….Pois bem, descobri então o que eram os tais “gravanços”!
Entre outras “expressões” como: “cachopa” andas ai “encarrapata” toda “arreganhada”! Era mal vestida e por isso tinha frio….o que eu descobria…
A “gadanha” o “abonda” a “rebaldeira”, são palavras que fui ouvindo ao longo de toda a minha vida.…. pelas minhas avós, tias e tios….no Casteleiro. Sim, porque em Lisboa não se ouvia nada disto…
Quando eu na escola, por alguma razão as dizia, havia sempre alguém que perguntava…O que é isso??? E eu corrigia o termo “Casteleirense” para “Lisboeta”…Ao longo do tempo adaptei-me a estes termos e sabia-os distinguir…Sabia que só as pessoas do Casteleiro o diziam, e que em Lisboa não se falava assim…
Nos dias de hoje já só as ouvimos nas pessoas mais velhas….mas…como a “tradição” no Casteleiro ainda é o que era….os que lá “regressam” depois de uma vida noutra cidade, adaptam-se depressa aos “termos” e quando dou por isso, até parece que nunca saí de lá …. é o caso dos meus pais, que depois de reformados voltaram às origens e, quando dou por eles, já estão a falar “Casteleirense”….Ainda hoje pergunto o que são algumas coisas, quando a minha mãe diz: estamos ao “borralho”…… anda-mos a derrunchar as árvores…Ok…
Conclusão: Ao fim de 37 anos de vida, ainda aprendo “palavras” novas….ditas no Casteleiro…


Susana Leitão

10/01/2011

Charcos com vida

Hoje trago-vos mais uma iniciativa: a campanha “Charcos com Vida” que pretende incentivar as entidades aderentes a descobrir, valorizar e investigar os charcos e a sua biodiversidade. Para tal, as entidades são convidadas a realizar um conjunto de actividades de exploração científica e pedagógica, que visam contribuir para o conhecimento da biodiversidade e importância destes habitats, bem como sensibilizar e mobilizar a comunidade escolar e local para a preservação dos charcos enquanto reservatórios de biodiversidade e laboratórios vivos.
Esta campanha é direccionada para todas as escolas nacionais do ensino básico e secundário, sendo aberta à participação de outras entidades, como associações, câmaras municipais, centros de educação ambiental e particulares. Consoante a existência de charcos nas redondezas ou a disponibilidade de terrenos próprios com condições apropriadas, as entidades aderentes poderão adoptar um charco natural em áreas próximas ou construir um nas suas instalações, segundo as instruções fornecidas. Retirado daqui .
Para além desta campanha que vos apresento aqui esta semana, penso que se devia cartografar todos os pontos de água da freguesia bem como os acessos, que tipos de veículos conseguem aceder e, mais importante que estar cartografado, é estar sinalizado para que todos os intervenientes que precisem de aceder aos pontos de água saibam onde se localizam.
Cada vez mais é importante participar nestas campanhas e fazer um trabalho activo em todas as áreas que possam estar presentes na nossa freguesia.
Para a próxima semana falaremos de florestas, pois este ano é o Ano Internacional das Florestas.







"Ambiente agrícola e espaço florestal"
espaço de opinião de autoria de Ricardo Nabais

09/01/2011

Junta adquire viatura para ataque a incêndios












A Junta de Freguesia adquiriu recentemente uma viatura todo-o-terreno tendo em vista, essencialmente, a utilização no combate a incêndios na sua fase inicial. Um kit específico para esse fim irá agora ser instalado na viatura.

06/01/2011

A memória...das palavras (IV)

Hoje, quero agradecer, de uma forma especial, ao meu caro amigo José Carlos Mendes, pelo contributo dado na recolha destas palavras. Claro que este é um espaço aberto a outros colaborantes que queiram embarcar nesta “viagem no tempo”, enviando directamente para o “Viver Casteleiro” ou para o email jluisgouveia@gmail.com.
Continuemos a viagem:

Tchòriças (das pernas) – manchas, avermelhadas, de forma redonda existentes nas pernas, das mulheres, provocadas pelo calor excessivo do lume
Azamel – pessoa que anda constantemente doente
Patcharouco – pessoa de pouca iniciativa e a quem nada se pode confiar
Bòguêlo – criança que anda constantemente doente
Zarinzel – pessoa que não pára um bocadinho, mas que nada faz
Tcharimbelho – pessoa que ouve aqui e conta ali
Garrantchos – instrumento agrícola, em ferro com pontas aguçadas e que servem para retirar o estrume da cama dos animais
Carounho (do milho) – parte da maçaroca do milho, esbranquiçada, que sustenta as sementes. É o carounho que dá forma à maçaroca
Inchinho – instrumento agrícola, de madeira, com pontas aguçadas e que serve para alisar a terra, depois de semeada (inchinhar as batatas, o feijão…)
Galhoulho – pessoa que não diz coisa com coisa…que atrapalha qualquer conversa
Casquêro – chapéu velho; bocado de pão, geralmente duro, que era levado para o campo, servindo de alimento durante o dia de trabalho
Trempens – suporte em ferro, de forma arredondada, e uns ferros na vertical. Servem de suporte para colocar a frigideira onde se fazem as filhós, na noite de Natal
Coutcho – objecto de cortiça, em forma de cotovelo, que serve para beber água, retirada das frescas fontes, existentes nos campos
Cravelha – objecto em madeira, geralmente em forma rectangular, que servia para fechar a porta de casa, da loja…
Cadeias (do lume) – argolas em ferro, suspensas no interior da chaminé e que serviam para sustentar os “caldeiros” da vianda, que diariamente eram preparados para os porcos, vacas…
Tchanêlo – sapatos velhos, muitas vezes feitos de pano e borracha por baixo
Mòrão – parte superior da chaminé, geralmente em pedra, onde era colocada a caixa de fósforos e as tenazes
Acebarrado - entusiasmado
Contchas – manchas de sujidade, na roupa ou mesmo no corpo
Tchoquice – sujidade em abundância

Prometo continuar, com a memória…das palavras!




"A Minha Rua", espaço de opinião de autoria de Joaquim Gouveia