É já no próximo dia 10 de Agosto que se realiza o 4º Passeio Equestre do Casteleiro. Uma iniciativa de um grupo de casteleirenses que conta com o apoio da Junta de Freguesia.
06/08/2014
19/07/2014
10/07/2014
Primeiros resultados do projecto de vigilância da saúde da população de Casteleiro
Os primeiros dados do
projeto de vigilância da saúde dos habitantes da freguesia de Casteleiro, no
concelho do Sabugal, indicam que entre 80 a 90% dos idosos têm problemas de
audição, visão e dentição, foi hoje revelado.
"Nestes dados
preliminares surgiram-nos essencialmente três coisas em relação à qualidade de
vida dos idosos, das pessoas com mais de 65 anos. Todos eles têm uma de três
coisas: ou ouvem mal, ou veem mal ou têm deficiência de peças dentárias, não
têm dentes", disse à agência Lusa o coordenador do estudo, João Luís
Baptista, professor na Universidade da Beira Interior (UBI), na Covilhã.
O projeto de aplicação do
SVD - Sistema de Vigilância Demográfica ("coorte" de base
populacional) junto dos cerca de 400 habitantes da aldeia de Casteleiro é
promovido pelo Centro de Investigação e Desenvolvimento da Beira (CIDB),
liderado por João Luís Baptista.
O estudo, iniciado em
abril, também envolve a Unidade Local de Saúde (ULS) da Guarda, a Direção Geral
de Saúde, a Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal e o Centro de
Investigação em Saúde Comunitária, entre outras entidades.
O projeto pioneiro
realizado junto da população daquela freguesia do Sabugal vai permitir
acompanhar a saúde dos habitantes e disponibilizar uma base de dados para
trabalhos científicos.
Tendo em conta os
resultados preliminares, o seu coordenador está a acertar com a Câmara
Municipal do Sabugal e com a ULS da Guarda "um eventual programa de ajuda
a estas pessoas mais idosas, no sentido de lhes dar melhor qualidade de
vida".
"Nós temos uma
percentagem muito elevada, entre os 80 a 90% das pessoas com mais de 65 anos,
que têm pelo menos um destes problemas: audição, visão e dentição. Seria de
todo conveniente que juntamente com a UBI, a administração local e depois a
ULS, nós pudéssemos ajudar estas pessoas neste sentido de melhorarem a sua
qualidade de vida, pelo menos numa destas coisas", admitiu.
João Luís Baptista disse
que já teve uma primeira abordagem com o presidente da Câmara Municipal do
Sabugal e com o diretor da ULS da Guarda e "ambos concordaram" com a
sugestão.
A aplicação do SVD incluiu
o levantamento demográfico, da pré-diabetes, da doença pulmonar obstrutiva
crónica e de indicadores do ambiente, além do perfil de saúde dos habitantes da
freguesia.
Na primeira fase dos
trabalhos, foi realizado um inquérito, porta a porta, por alunos da Faculdade
de Medicina da UBI, que incluiu a georreferenciação das casas e a anotação de
informações sobre a saúde de quem lá habita.
João Luís Baptista disse à
Lusa que os trabalhos no terreno estão terminados, faltando apenas a realização
de um exame de espirometria, por cerca de 30 pessoas, no hospital da Guarda.
O responsável prevê que o
"coorte" do Casteleiro fique finalizado em setembro e que o relatório
final possa ser conhecido em outubro.
(LUSA)
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projectos
04/07/2014
Lar de S. Salvador com grande actividade
Com o início do mês de Junho, dia 1,
os utentes das valências de Estrutura Residencial para Pessoas Idosas, Centro
de Dia e Serviço de Apoio Domiciliário
deslocaram-se à povoação da Benquerença para aí participarem na festa
religiosa em honra da Nossa Senhora da Quebrada. Visitaram a capela, onde em
silêncio puderam reflectir e elevar a sua devoção.
Houve tempo, ainda, para assistir à
actuação da Banda Filarmónica e para participarem num baile tradicional, onde
conviveram com a comunidade local.
Na semana seguinte, a 9 de Junho, foi
a vez de visitarem o Santuário da Senhora da Póvoa.
Este passeio, tradicional e que se
repete ao longo dos anos tem como principal finalidade procurar que os nossos
utentes, apesar da institucionalização, continuem ligados às tradições locais
nas quais participavam.
Pelas 10h:30 min puderam assistir à
Procissão seguida da Missa no altar do recinto.
A interacção com as outras IPSS's da
região e com a comunidade local foi uma constante durante todo o dia. O almoço
e a merenda foi partilhada com os outros utentes que se encontravam junto de
nós, no recinto do Santuário.
Foi notória a alegria dos utentes, em
reviver todas as lembranças que a romaria da Senhora da Póvoa lhes traz, como é
possível comprovar pelas fotografias que se apresentam a seguir.
Não esquecendo os Santos Populares,
festejou-se na nossa instituição o dia de S. João que teve início com um
tradicional convívio entre todos os utentes e colaboradores, onde não faltou a
sardinha assada.
A tarde foi animada com a presença do
músico Alexandre Almeida que, em acústico, relembrou cantigas tradicionais
portuguesas.
Algumas utentes mais desinibidas
foram acompanhando as letras das músicas com grande entusiasmo.
Para finalizar fica o registo que, junto de alguns utentes
recolhemos de quadras dos Santos Populares:
Trazei-me
um S. Joaozinho
Se
não puder ser um grande
Trazei-me
um pequenino”
De
folha recortada
Diz-me
lá menina
Se
estás bem casada.”
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lar
30/06/2014
26/06/2014
22/06/2014
As nascentes das "Águas Radium"



No âmbito do estudo em
curso no Casteleiro (Sistema de Vigilância Demográfica) que acompanha a saúde
da população, a equipa de investigação entendeu ser necessário proceder a
análises das minas das nossas conhecidas "Águas Radium”, na serra da Pena.
A foto publicada como
desafio aos leitores é de uma dessas nascentes. As três nascentes situam-se bem
longe do “castelo”, por caminhos sinuosos a cerca de 40 minutos de distância.
Para lá chegar foi necessário desmatar a maior parte do percurso. Uma visita
para colher amostras da água, acompanhada pelo proprietário e por elementos da
Junta de Freguesia. O local, de difícil acesso, será desconhecido da grande
maioria. As fotos que publicamos poderão mesmo ser as primeiras daquelas
nascentes.
Curiosamente, hoje, 22
de Junho, faz 71 anos que o Diário do Governo, por decisão do Ministério da
Economia de 17 de Junho, autorizava a Sociedade Termas Radium, concessionária
das nascentes Chão da Pena, Favacal e Malhada a utilizar a designação “Termas
Radium” e “Água Radium” e a aprovar o rótulo para o vasilhame.
Recorda-se que a concessão
das nascentes havia já sido publicada a 10 de Janeiro e 22 de Agosto de 1922.
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aguas radium
14/06/2014
Novas obras em caminhos rurais
Uma zona estreita do caminho da Estrada e que apresentava um
elevado estado de perigosidade, foi totalmente renovada por iniciativa da Junta
de Freguesia, com a construção de raiz de um muro de suporte. Uma obra só
possível graças à disponibilidade do proprietário do terreno, possibilitando
desta forma o alargamento do caminho.
03/06/2014
30/05/2014
À conversa com...Edite Fonseca
No próximo dia 21 de Junho, no Sabugal, e dia 22 no Casteleiro, a
casteleirense Edite Fonseca apresenta o seu livro “Kassandra, uma infância
tumultuosa”. O “Viver Casteleiro”, como prometido, esteve à fala com esta nossa
conterrânea.
-Especialmente para os leitores do “Viver Casteleiro”, diga-nos quem é a
Edite Fonseca? Quais as ligações a esta nossa aldeia?
Edite Fonseca é uma jovem mulher
nascida e criada nos arredores da aldeia de Casteleiro, na Quinta da Carrola,
onde a minha infância sempre foi muito intensa. Mal comecei a andar já
seguia os meus irmãos para todos os sítios. Os lugares que eu preferia eram os
campos de centeio onde corríamos e devido às nossas travessuras eramos
frequentemente repreendidos pelo meu pai. Os campos de flores, os barrocos que
galgávamos ainda jovens. O chilrear dos passarinhos, o voo apressado de
inúmeros insectos tais como as borboletas e o cheiro agradável que imanava das
flores e restantes plantas campestres. A paisagem bucólica de maior beleza e
que reina na minha memória são os campos cheirosos e floridos da minha terra, a
aldeia de Casteleiro e a Quinta da Carrola, na ocorrência a aldeia de “Saudade”
e a “Quinta de Acerola” como são designadas na minha obra. Um misto de real e
fantasia e onde ambos se confundem por vezes.
-A infância numa pequena aldeia, como a nossa, é recordada por muitos como
momentos inesquecíveis, normalmente de felicidade. A infância de “Kassandra”
foi tumultuosa. E os sonhos de menina? Quais eram os seus sonhos?
Se descrevesse todos os sonhos de
criança ficaria aqui ao longo de múltiplas horas. (risos) Sempre fui muito
sonhadora e continuo a sê-lo. Penso que li muitas vezes o poema Pedra Filosofal
de António Gedeão. O sonho sempre foi uma constante na minha vida e penso que
foram os mesmos que me permitiram de evoluir. Sonhava um dia tornar-me
jornalista e tal aconteceu. Viajar pelo mundo e conhecer novas culturas, dar
aulas a crianças pois sinto-me de algum modo muito ligada a crianças e claro
encontrar um marido decente, casar-me e ter filhos. Mas esse sonho ainda não
foi concretizado… Aquela menina que um dia andou descalça ainda sonha com o
príncipe encantado e está certa que um dia este cruzará o seu caminho. Os
filhos virão por acréscimo, afinal…Não é esse o desejo de todas as crianças ao
crescerem? Um lar, um marido e diversos filhos a abençoarem a união?
-Um dia partiu. Novas terras, novas gentes. As ruas, os recantos, os cheiros
do Casteleiro estiveram presentes? Ainda estão?
Esteja eu onde estiver a minha
aldeia e quinta vão sempre acompanhar-me. Não posso apagar as doces
lembranças da minha terra e tal não desejo. Porque a minha personalidade é
constituída por experiências vividas naquela incomparável terra da Beira Alta.
Por exemplo… Como esquecer os Natais passados na aldeia juntos dos demais
habitantes e sobretudo dos serões passados à volta do madeiro? O saltar à
fogueira na qual se queimavam os rosmaninhos, os magustos, as Janeiras que
cantarolávamos defronte das moradias da aldeia afim de recebermos algumas
recompensas. Estas e muitas mais vivências enchem o meu coração de alegria
porque as vivi. Mas ao mesmo tempo tristeza porque actualmente estou longe demais para
participar á sua realização. Tratam-se de tradições sãs e que deveríamos fazer
perdurar por longos anos. Também as pessoas simples, os habitantes da aldeia, me deixam SAUDADE. Frequentemente sou invadida por sentimentos como a nostalgia.
Porque "ninguém é igual a ninguém" e deste modo as pessoas que me rodeiam não
podem substituir os que um dia passaram e fizeram parte da minha vida.
- Hoje mulher adulta, por onde tem andado a Edite? Que caminhos tem
trilhado?
Tenho andado com a casa às
costas! Pareço uma tartaruga que carrega sempre a carapaça com ela. Casteleiro,
Cerdeira, Covilhã, Portalegre, Lisboa, Thonon-les-Bains, Paris, Londres, e
novamente Paris. Sem contar as vezes em que fiquei um ou dois meses no
estrangeiro a trabalho ou a lazer. Tenho tido a sorte de viajar imenso, EUA
inúmeras vezes, Caraíbas, Emiratos Árabes, diversos países europeus… De todos
os lugares visitados confesso que prefiro o nosso velho continente, pois nele
me sinto “em casa” e segura. Não pertenço a uma nação, mas sim a um continente
com história, a Europa.
-Surpreende-nos agora com um livro. Como surgiu a escrita na sua
vida?
Escrever é um
meio de exprimir o que me vai na alma. Quando vivia em Londres tinha diversos
amigos tremendos. Daqueles que quando precisamos de carinho, ternura e de amor
estão de braços abertos para nos receber e saciar a nossa “fome” de sentimentos
nobres. Naquela cidade o tempo para escrever era escasso. De regresso a Paris, tinha mais disponibilidade e uma vontade
enorme de contar aos outros o que experienciei, as vivências existentes no mais
profundo do meu ser.
Desejava
partilhar a minha luta com inúmeras pessoas, dar-lhes coragem para a sua luta.
Eu sempre lutei e continuarei. Nunca irei baixar os braços, só quando a morte
me levar.
Ia escrevendo
e narrando a minha história. Mais escrevia mais tinha vontade de revelar aos
leitores. E assim ficou uma obra de mais de 500 páginas.
Mas o gosto
pela escrita sempre coabitou em mim juntamente com outros pontos de interesse tais como o
jornalismo e a poesia.
-O título deste livro sugere-nos algo de autobiográfico. Existiu uma
“Cassandra” na mitologia grega”. Mas a “Kassandra” parece-me bem
real. Porquê este nome?
Longe de mim ter a pretensão de
ser uma deusa. Sou uma mulher de carne e osso com as minhas
qualidades e os meus defeitos. Gosto do meu nome, mas nem sempre foi assim.
Aquando de pequena imaginava um mundo diferente daquele onde vivia, se calhar um
mundo perfeito como aqueles das telenovelas brasileiras que via na televisão. Quem
sabe…chamar-me Kassandra. Por esse motivo e tantos outros decidi chamar
Kassandra à minha personagem central. Um nome penso que um
tanto Americanizado e quem sabe… com um certo gosto a Hollywood. Significa
“para brilhar” e é o que eu quero para a minha obra. O meu livro tratasse de um
primeiro “bebé” para o qual anseio o maior sucesso do mundo.
- Penso que todos os casteleirenses estão curiosos em ler esta sua
obra. O que lhes pode revelar?
Revelar
mais??? Mas não tenho feito outra coisa ao longo desta entrevista!!! (Risos)
Têm de ler
para crer! Vão se rever nas minhas aventuras e desventuras. Ter vontade de ler
o livro e reler sem parar! O riso e o choro vão se confundir muitas vezes. Vão
sair da obra mais fortes e com vontade de lutarem por aquilo que mais desejam,
pelos ideais que cada um possuí. Mais que uma obra trata-se de um incentivo aos
leitores e uma narração de história incríveis que por vezes magoam.
Saudade,
aquela palavrinha que revela em nós sentimentos aliados à ausência de
alguém. Que constantemente machuca e fere o nosso coração. Saudade é
o que sinto em relação às pessoas, aos usos e costumes, às tradições, à
excelente gastronomia portuguesa, ao clima e ao saber fazer de um valente
povo que é o nosso!
É pura a saudade que me invade quando estou ausente do meu país! Emigrada há diversos anos quis através do nome fictício dado à minha aldeia homenagear as gentes daquela terra e o pitoresco cenário de suas ruas singelas, de casas simples que felizmente foram o meu cenário durante longos anos. Dado que é a saudade que invade o meu coração vamos dar asas a nossa imaginação e deixar-nos transportar para o universo da pequena Kassandra. Uma vivência com cheiro a plantas, a terra fértil e a "Saudade"!
É pura a saudade que me invade quando estou ausente do meu país! Emigrada há diversos anos quis através do nome fictício dado à minha aldeia homenagear as gentes daquela terra e o pitoresco cenário de suas ruas singelas, de casas simples que felizmente foram o meu cenário durante longos anos. Dado que é a saudade que invade o meu coração vamos dar asas a nossa imaginação e deixar-nos transportar para o universo da pequena Kassandra. Uma vivência com cheiro a plantas, a terra fértil e a "Saudade"!
- E projectos? Como vê o seu amanhã? Como mulher e escritora…
Novos livros
vêm a caminho… E, confesso que tenho vontade de regressar às origens. Alcançar
uma vida diferente. Onde a pacatez e as coisas simples da vida fazem toda a
diferença. Mas para tal têm de haver condições e até ao momento ainda não estão
todas reunidas. Mas sim… como disse gostaria de viver no campo, montar a cavalo
com frequência e viver do trabalho de autora. Não é isso que todos os
escritores desejam? Mas para isso é preciso ter muito mérito pois são raros os
autores que vivem da actividade literária. Gostava de ter a sorte de ser uma
dessas autoras e de um dia ser comprada e relembrada juntos dos restantes nomes
da literatura portuguesa, tais como Eça de Queirós, Júlio Dinis, Fernando Pessoa, etc.
Como mulher…
Releguemos esse papel para mais tarde…
-Dia 22 de Junho vai estar no Casteleiro. Como antevê esse momento? Será
tumultuoso? Sereno?
Creio que será tumultuoso…
Tudo o que eu faço é tão impulsivo e cheio de energia que não poderia
ser de outra forma. De serena tenho pouco. Sou mesmo uma mulher em fogo!!! A
minha cabeça está sempre a 1000! Com ideias novas que circulam em mim! As
pessoas vão falar e vão discutir acerca da minha obra e é isso que eu pretendo…
Falar e dar que falar.
António José Marques
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edite fonseca
,
entrevista
26/05/2014
Quem se lembra?
![]() |
| O Burro de cangalhas |
Esta imagem
representa uma época não muito distante dos nossos dias mas, o suficiente, para
que a juventude de hoje não tenha disso recordação.
Animal modesto,
meigo, de olhar doce e andar pachorrento. Na nossa aldeia, ele fazia parte de
quase todos os agregados familiares. Num tempo em que todas as famílias
expurgavam da terra o máximo que esta lhes podia dar, o burro assumia um papel
importantíssimo: transportava bens e pessoas e ainda, como força motriz para
puxar a nora, tirando a água do poço para a rega da horta.
Será
interessante dar a conhecer o “equipamento” com que este asno se apresenta:
Sobre a cabeça, exibe o «cabresto» – feito de cabedal e, juntamente com a «rédea»
(corda de sisal) servem para o homem o guiar, ou simplesmente o prender a uma
árvore ou num local onde possa pastar. Sobre o dorso ostenta uma «albarda»,
feita de cabedal (à frente e atrás) e pano-cru, cheio de palha muito bem
acomodada de modo a constituir um assento bem cómodo para que o dono se sinta
bem, quando caminha de casa até ao chão. Para segurar a «albarda» utiliza-se
uma «silha», em forma de cinto, apertando esta, à barriga do animal. As «cangalhas»
(na figura) assentavam sobre a «albarda». Considerado um assessório de grande
utilidade, serviam para transportar o estrume, e outros bens. Sim, porque não
havia os tratores que hoje há!...
Acrescento
ainda o «burnil» (a gravata do burro), feito de cabedal e pano-cru, e, uma vez
colocado sobre o pescoço do animal e com a extensão de umas cordas, servia para
atrelar o arado ou a «nora».
Todos estes
«arreios» eram feitos por medida, por um «albardeiro» que, de tempos a tempos,
deslocava-se de terra em terra, fazem arranjos nas «albardas» usadas e tirando
as medidas para as encomendas que mais tarde haveria de fazer. Normalmente
estas entregas eram feitas ao domingo, logo pela manhã e, diz-nos quem sabe,
que as «albardas» custavam um dinheirão!
O último «albardeiro»
visto pelo Casteleiro, vinha de Stº Estêvão. Era conhecedor de uma arte rara!
Por vezes as «albardas» estavam a necessitar de arranjo e o «albardeiro» não
havia maneira de aparecer!...Hoje é considerada uma das profissões já extinta!
NOTA: O
negócio dos burros geralmente estava nas mãos dos ciganos. Quando o comprador
tentava fazer negócio, o animal apresentava-se na melhor forma. O pior era nos
dias seguintes!...
"A Minha Rua", Joaquim Luís Gouveia
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joaquim gouveia
21/05/2014
KASSANDRA, uma infância tumultuosa
“Kassandra, uma
infância tumultuosa”
é o título do primeiro livro da nossa conterrânea Edite Fonseca. A obra terá o seu lançamento no próximo dia 21 de
Junho, às 16 horas, no Auditório Municipal do Sabugal e, no dia seguinte, às 15 horas, no Casteleiro. O “Viver Casteleiro” publicará, nos próximos dias, uma
entrevista com a autora que nos irá revelar um pouco sobre a obra.15/05/2014
Linhaça - 5 mil anos A.C.
No 'post' de hoje
quero falar-vos da linhaça tão consumida hoje no pão, bolos e flocos de
cereais, mas em tempos antigos guardadas religiosamente pelas nossas avós para
combater o inchaço, reumatismo, artrose, etc.
Como curiosidade, a semente do linho também conhecida como
linhaça, remonta a milhares de anos antes de Cristo (5 mil A.C.)!!!
À semelhança do que
tem acontecido com outros usos e costumes do Casteleiro, fui algumas idosas do
Lar e Centro de Dia local, que se deliciam a falar destas coisas, as suas mães
e avós costumavam aplicar sementes quentes, no local desejado, de manhã e à
noite. Mas afinal, como faziam para aquecer a linhaça? Perguntei.
Numa malga/tigela com
água quente (preferível a ferver) colocavam 2 ou 3 colheres de sopa de
sementes. Depois colocavam esta papa num lenço ou pano limpo, dobrado para
conservar o calor; depois deixavam arrefecer um pouco e aplicavam o
emplastro, na cara, no joelho, perna ou pé.
A linhaça além de
combater o inchaço serve, ainda, para reduzir o colesterol, diminuir peso,
melhorar o funcionamento do intestino, regular a pressão arterial, etc.
Para a Ti Graça e Ti
Zabel (nomes fictícios) a linhaça foi sempre muito usada na “cura de muitos
males: maçadelas nos pés, frúnculos, espinhas (não de peixe, mas qualquer coisa
que se espetasse no pé, mão, braço…Era remédio santo!
“Hoje em dia é que há
remédio para (quase) tudo” – diz a Ti Zabel, soltando uma rasgada gargalhada.
"A Minha Rua", Joaquim Luís Gouveia
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joaquim gouveia
14/05/2014
Uma Obra em Marcha
Terminado o
Inverno, é tempo de regressar ao arranjo dos caminhos rurais da Aldeia. Desta
vez um longo troço de um caminho na Ribeira da Cal foi totalmente reconstruído
e alargado. Um caminho finalmente transitável e solucionado o escoamento de
águas.
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obras
05/05/2014
O Linho – Da sementeira à toalha de mesa
Para quem, como eu, nasceu e cresceu na aldeia já
ouviu falar com certeza, numa cultura que desapareceu por completo, das
produtivas baixas do Casteleiro – o linho. Na tentativa de recuperar todo o
processo, desde o seu cultivo até aos bonitos panos ou toalhas, que em dias
festivos tornavam a mesa da sala de jantar mais composta, fomos ouvir pessoas
idosas que, desde muito jovens, sabiam manusear muito bem todos os artefactos
usados no cuidadoso trabalho de preparação dos fios que, mais tarde, serviriam
de matéria prima a verdadeiras obras de arte.
Tudo começava pela sementeira, em terrenos húmidos, que acontecia entre Março e Abril. Três meses depois estava pronto para arrancar e começar uma série de operações até obter o tecido do linho.
Depois de arrancado, com
raiz e tudo, era ripado no ripanço e levado em molhos para a ribeira onde
permanecia, enterrado na água, cerca de duas semanas.
A seguir era levado
para casa, onde era batido durante muito tempo, com um maço, esfregado sobre
uma pedra de modo a tirar-lhe a casca rija. Uma vez em casa, o linho era
tascado no cortiço com uma espadela.
No cedeiro era
separado o linho mais fino do mais grosseiro – a estopa, usada na confeção de
sacos.
O linho fino era
então fiado com roca adequada. As mulheres punham-no na roca para depois o
puxarem com os dedos, molhando-o, lambendo os dedos e dele fazerem fios,
enrolando-os no fuso. Desta operação resultavam as maçarocas que eram postas no
sarilho dando origem às “meadas”.
Para branquear o
linho, faziam-se as “barrelas” em água a ferver com cinza numa panela de ferro,
até o linho amolecer, passando, de imediato, à dobadoira para fazer os novelos
que vão ao tear, donde sai o pano, que depois de corado alguns dias ao sol, dava
origem a várias utilidades para a casa ou mesmo para peças de roupa.
Os teares eram, também, peças-chave do processo, indispensáveis a quem, tendo linho, queria então fazer lençóis, toalhas, panos para tapar as cestas e tabuleiros, camisas.
Aqui fica o registo de
mais uma atividade que, durante muitos anos, ocupou as famílias casteleirenses.
Por mim, sinto-me mais
enriquecido, mas com uma forte vontade de continuar a percorrer este caminho na
busca de outros apontamentos que ilustrem as vivências de um povo que dedicou
uma vida inteira à terra, de onde retirou, sempre, o sustento para os seus
filhos. Oxalá aconteça o mesmo consigo, caro leitor!
"A Minha Rua", Joaquim Luís Gouveia
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joaquim gouveia
02/05/2014
Dia da Mãe
Com o Dia da
Mãe, a celebrar-se no primeiro Domingo de Maio, que este ano decorrerá no dia 4
de Maio, não esqueçamos, neste dia, a nossa mãe, porque “Mãe há só uma e mais
nenhuma.”
Esta é a
verdade, verdadinha que ninguém a poderá escamotear, contestar, negar e muito
menos aceitar que a nossa mãe seja destituída, olvidada, que deixe de ser mãe,
quer seja boa ou má mãe.
Se o cordão
umbilical jamais será separação maternal, com o após a morte ela é e será
sempre mãe, cujo nome não poderá ser atribuído a quem quer que seja que não
seja a verdadeira mãe.
Sendo nela que
corre o sangue do seu filho e nele o sangue da sua mãe, este binómio
inseparável de mãe e filho jamais se apagará e deixará de ser, haja o que
houver.
Amemos e
honremos, pois, a nossa mãe que, antes de nascermos, já nos ansiava e amava;
que nos gerou com amor, dores e lágrimas; que as dores do parto esqueceu ao
ver-nos pela primeira vez, enfim, que nos criou e educou com carinho, amor e
sacrifícios, por certo.
Amando-a,
respeitando-a, estimando-a e honrando-a, se ainda temos a dita de a possuirmos,
é, por tudo isto, a melhor prenda que lhe poderemos oferecer, em especial,
neste dia, e, se do reino dos vivos já partiu, com uma lágrima de amor e
saudade, recordemo-la, na certeza de que, no etéreo descanso, ela continuará a
velar por nós e a amar-nos ainda.
Sendo assim,
digo e repito que “Mãe há só uma e mais nenhuma”.

Daniel Machado
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26/04/2014
Memórias de Abril
O Casteleiro sempre foi uma aldeia onde os ideais políticos
foram debatidos e estiveram presentes. Desde membros do Partido Progressista,
do Partido Republicano, do Integralismo Lusitano, correntes do princípio do
século passado, os casteleirenses sempre foram activos e activistas em tudo o que
diz respeito à coisa pública.
Em 25 de Abril de 1974 não foi diferente. Um grupo de
jovens, muitos jovens, arregaçou as mangas e criou o Centro de Animação Cultural.
Recordo-me de em 1975 serem representadas peças de teatro de autores como Brecht
e Luis de Sttau Monteiro. Em tempo de revolução, o Casteleiro esteve presente.
Chegou mesmo a ser a única freguesia do distrito da Guarda com uma Junta de
Freguesia eleita pela APU (Aliança Povo Unido), pela mão solidária do Sr. Manuel
Guerra. O MFA e a sua 5ª Divisão (Dinamização Cultural) também lá esteve.
Recordo-me do helicóptero aterrar na Estalagem. E, claro, também fizemos umas
ocupações….
Ontem, na evocação do 25 de Abril no Casteleiro, tudo isto
esteve presente na minha memória.
O Casteleiro é uma terra única. Sou suspeito? Sou! Mas é com muito orgulho que o admito.
"Reduto", crónica de António José Marques
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reduto
25 de Abril no Casteleiro
O Casteleiro
evocou o 25 de Abril com uma Conferência sobre os “40 Anos de Poder Local
Democrático”. Uma grande jornada de homenagem aos autarcas que nas Freguesias e
nas Câmaras, desde 1974, ousaram com espirito solidário, lutar na defesa das
populações, construindo, pedra a pedra, uma nova realidade, mais justa, com
tolerância, onde os valores da Liberdade, Igualdade e Fraternidade estiveram
sempre presentes.
Hoje, no
Casteleiro, de cravo ao peito, respirou-se Abril na companhia de muitos amigos,
autarcas e ex-autarcas. Hoje, o Casteleiro disse presente. E assim vale a pena!
António José Marques
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25 de Abril
20/04/2014
Alguitarra
“Não só de pão
vive o homem…mas também de uma boa aguardente feita na tradicional alguitarra,
acompanhada de um belo figo seco ”.
Esta frase era frequente ouvir-se na tradicional
taberna do ti Zé da velha (assim conhecida por todo o povo, sem que o próprio
se aborrecesse com tal forma de tratamento). Ali, entre um copo e uma bela
cartada, falava-se de tudo um pouco.
Apesar das vindimas já irem longe e o vinho novo ir
minguando nas adegas quase desertas, hoje trago à vossa lembrança o tradicional
fabrico da aguardente, por terras do Casteleiro.
Tão normal como fazer o vinho, era o fabrico de aguardente no alambique
de cobre (aqui chamado de alguitarra), do tempo dos nossos avós. E, porque
eram poucas as pessoas que tinham a sua própria alguitarra, era muito frequente
cobrar por se fazer aguardente no alguitarra alugada. Este pagamento, por
vezes, era feito através de dias de trabalho a prestar em terras do
proprietário, servindo assim, como moeda de troca pela utilização deste
utensílio de cobre, ou então um favor que ficava sempre por pagar…
O alambique ficava no pátio de uma casa, à medida que os moradores
combinavam os dias ou as noites para fazer a aguardente. Normalmente optava-se
pelo tempo chuvoso para, à volta de um bom lume, indispensável a uma boa
destilação, se atiçarem conversas, molhadas com um belo vinho, acompanhado de uma
bela assadura, ofertada pelo dono da aguardente que haveria de sair deste
popular instrumento.
Para uma boa
destilação, é necessário manter sempre o mesmo corrimento, pois o lume que arde
e dá o calor deve ser mantido mais ou menos constante, com boas brasas e sem
chama. Se escorrer demasiado, passa-se um pano molhado à volta do pote. Se
não deitar o suficiente mete-se mais lenha, usando sempre este método até sair
fraca.
A prova é feita com um
copo pequeno: se é saborosa, se é forte ou fraca...mas ao lançar-se um pouco
dela às brasas, se as incendiar, fazendo chama, é sinal de estar forte...
A primeira aguardente
retirada, cerca de 2 jarras, parece água destilada, e só à medida que decorre a
fervura vai sendo cada vez mais forte, no fim, já sai mais fraca. Era também
normal misturar (caldear) a aguardente mais forte com a mais fraca.
Ao que nos dizem, hoje
em dia, é muito perigoso fazer-se a aguardente desta maneira, tão rica e tão
popular…É proibido!...Falta o controlo de qualidade…Falta a certificação…Falta
o cartão de produtor…Falta o registo das Finanças…Falta…Falta…
Falta valorizarmos o
que é nosso.
Quantos produtos
genuinamente nossos, se vão continuar a perder por este mesmo motivo?
É PENA!
Deixo aqui o meu
protesto!
"A Minha Rua", Joaquim Luís Gouveia
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joaquim gouveia
17/04/2014
25 DE ABRIL - Casteleiro evoca "40 Anos de Poder Local Democrático"
Quarenta anos após o 25 de Abril, a Junta de Freguesia de
Casteleiro vai evocar a data com uma conferência subordinada ao tema “40 anos
de Poder Local Democrático”. Porque entendemos que o Poder Local foi uma das
principais conquistas de Abril, vamos sentar à mesa homens e mulheres que, nas
Câmaras e nas Freguesias, contribuíram na construção de um Poder Local
democrático.
No dia 25 de Abril, às 15 horas, no Casteleiro, com moderação
de Paulo Leitão Batista, vamos ter connosco Joaquim Mourão, Presidente de
Câmara (Idanha a Nova, 1985-1997, Castelo Branco, 1998-2013; Joaquim Portas,
Presidente de Câmara (Sabugal, 1986-1993); José Fidalgo, Presidente de Junta de
Freguesia (Vila Franca de Xira, 2000-2011) e Coordenador da Deleg. Distrital de
Lisboa da ANAFRE (2005/2011); Luis Filipe Madeira, Professor de Ciência
Política – Universidade da Beira Interior; Maria de Lurdes Neto, Vereadora
(Sabugal, 1976-1985); Jorge Fael, Membro da Assembleia Municipal (Covilhã,
2001-2009) e Membro da DORCB do PCP e Amadeu Poço, Presidente de Câmara
(Pinhel, 1985-1993).
A Conferência tem ainda como convidados numerosos autarcas e
a participação é aberta a todos os interessados.
António José Marques
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25 de Abril
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