14/06/2014

Novas obras em caminhos rurais



Uma zona estreita do caminho da Estrada e que apresentava um elevado estado de perigosidade, foi totalmente renovada por iniciativa da Junta de Freguesia, com a construção de raiz de um muro de suporte. Uma obra só possível graças à disponibilidade do proprietário do terreno, possibilitando desta forma o alargamento do caminho.

03/06/2014

Foto Desafio

Deixamos hoje um desafio ao leitor do “Viver Casteleiro”. Onde foi tirada esta foto? 



30/05/2014

À conversa com...Edite Fonseca

No próximo dia 21 de Junho, no Sabugal, e dia 22 no Casteleiro, a casteleirense Edite Fonseca apresenta o seu livro “Kassandra, uma infância tumultuosa”. O “Viver Casteleiro”, como prometido, esteve à fala com esta nossa conterrânea.



-Especialmente para os leitores do “Viver Casteleiro”, diga-nos quem é a Edite Fonseca? Quais as ligações a esta nossa aldeia?

Edite Fonseca é uma jovem mulher nascida e criada nos arredores da aldeia de Casteleiro, na Quinta da Carrola, onde a minha infância sempre foi muito intensa. Mal comecei a andar já seguia os meus irmãos para todos os sítios. Os lugares que eu preferia eram os campos de centeio onde corríamos e devido às nossas travessuras eramos frequentemente repreendidos pelo meu pai. Os campos de flores, os barrocos que galgávamos ainda jovens. O chilrear dos passarinhos, o voo apressado de inúmeros insectos tais como as borboletas e o cheiro agradável que imanava das flores e restantes plantas campestres. A paisagem bucólica de maior beleza e que reina na minha memória são os campos cheirosos e floridos da minha terra, a aldeia de Casteleiro e a Quinta da Carrola, na ocorrência a aldeia de “Saudade” e a “Quinta de Acerola” como são designadas na minha obra. Um misto de real e fantasia e onde ambos se confundem por vezes. 
-A infância numa pequena aldeia, como a nossa, é recordada por muitos como momentos inesquecíveis, normalmente de felicidade. A infância de “Kassandra” foi tumultuosa.  E os sonhos de menina? Quais eram os seus sonhos?
Se descrevesse todos os sonhos de criança ficaria aqui ao longo de múltiplas horas. (risos) Sempre fui muito sonhadora e continuo a sê-lo. Penso que li muitas vezes o poema Pedra Filosofal de António Gedeão. O sonho sempre foi uma constante na minha vida e penso que foram os mesmos que me permitiram de evoluir. Sonhava um dia tornar-me jornalista e tal aconteceu. Viajar pelo mundo e conhecer novas culturas, dar aulas a crianças pois sinto-me de algum modo muito ligada a crianças e claro encontrar um marido decente, casar-me e ter filhos. Mas esse sonho ainda não foi concretizado… Aquela menina que um dia andou descalça ainda sonha com o príncipe encantado e está certa que um dia este cruzará o seu caminho. Os filhos virão por acréscimo, afinal…Não é esse o desejo de todas as crianças ao crescerem? Um lar, um marido e diversos filhos a abençoarem a união?

-Um dia partiu. Novas terras, novas gentes. As ruas, os recantos, os cheiros do Casteleiro estiveram presentes? Ainda estão?
Esteja eu onde estiver a minha aldeia e quinta vão sempre acompanhar-me. Não posso apagar as doces lembranças da minha terra e tal não desejo. Porque a minha personalidade é constituída por experiências vividas naquela incomparável terra da Beira Alta. Por exemplo… Como esquecer os Natais passados na aldeia juntos dos demais habitantes e sobretudo dos serões passados à volta do madeiro? O saltar à fogueira na qual se queimavam os rosmaninhos, os magustos, as Janeiras que cantarolávamos defronte das moradias da aldeia afim de recebermos algumas recompensas. Estas e muitas mais vivências enchem o meu coração de alegria porque as vivi. Mas ao mesmo tempo tristeza porque actualmente estou longe demais para participar á sua realização. Tratam-se de tradições sãs e que deveríamos fazer perdurar por longos anos. Também as pessoas simples, os habitantes da aldeia, me deixam SAUDADE. Frequentemente sou invadida por sentimentos como a nostalgia. Porque "ninguém é igual a ninguém" e deste modo as pessoas que me rodeiam não podem substituir os que um dia passaram e fizeram parte da minha vida.
- Hoje mulher adulta, por onde tem andado a Edite? Que caminhos tem trilhado?
Tenho andado com a casa às costas! Pareço uma tartaruga que carrega sempre a carapaça com ela. Casteleiro, Cerdeira, Covilhã, Portalegre, Lisboa, Thonon-les-Bains, Paris, Londres, e novamente Paris. Sem contar as vezes em que fiquei um ou dois meses no estrangeiro a trabalho ou a lazer. Tenho tido a sorte de viajar imenso, EUA inúmeras vezes, Caraíbas, Emiratos Árabes, diversos países europeus… De todos os lugares visitados confesso que prefiro o nosso velho continente, pois nele me sinto “em casa” e segura. Não pertenço a uma nação, mas sim a um continente com história, a Europa.

 -Surpreende-nos agora com um livro. Como surgiu a escrita na sua vida?
Escrever é um meio de exprimir o que me vai na alma. Quando vivia em Londres tinha diversos amigos tremendos. Daqueles que quando precisamos de carinho, ternura e de amor estão de braços abertos para nos receber e saciar a nossa “fome” de sentimentos nobres. Naquela cidade o tempo para escrever era escasso. De regresso a Paris, tinha mais disponibilidade e uma vontade enorme de contar aos outros o que experienciei, as vivências existentes no mais profundo do meu ser.
Desejava partilhar a minha luta com inúmeras pessoas, dar-lhes coragem para a sua luta. Eu sempre lutei e continuarei. Nunca irei baixar os braços, só quando a morte me levar.
Ia escrevendo e narrando a minha história. Mais escrevia mais tinha vontade de revelar aos leitores. E assim ficou uma obra de mais de 500 páginas.  
Mas o gosto pela escrita sempre coabitou em mim juntamente com outros pontos de interesse tais como o jornalismo e a poesia.  

-O título deste livro sugere-nos algo de autobiográfico. Existiu uma “Cassandra” na mitologia grega”.  Mas a “Kassandra” parece-me bem real.  Porquê este nome?

Longe de mim ter a pretensão de ser uma deusa. Sou uma mulher de carne e osso com as minhas qualidades e os meus defeitos. Gosto do meu nome, mas nem sempre foi assim. Aquando de pequena imaginava um mundo diferente daquele onde vivia, se calhar um mundo perfeito como aqueles das telenovelas brasileiras que via na televisão. Quem sabe…chamar-me Kassandra. Por esse motivo e tantos outros decidi chamar Kassandra à minha personagem central. Um nome penso que um tanto Americanizado e quem sabe… com um certo gosto a Hollywood. Significa “para brilhar” e é o que eu quero para a minha obra. O meu livro tratasse de um primeiro “bebé” para o qual anseio o maior sucesso do mundo.
- Penso que todos os casteleirenses estão curiosos em ler esta sua obra. O que lhes pode revelar?
Revelar mais??? Mas não tenho feito outra coisa ao longo desta entrevista!!! (Risos)
Têm de ler para crer! Vão se rever nas minhas aventuras e desventuras. Ter vontade de ler o livro e reler sem parar! O riso e o choro vão se confundir muitas vezes. Vão sair da obra mais fortes e com vontade de lutarem por aquilo que mais desejam, pelos ideais que cada um possuí. Mais que uma obra trata-se de um incentivo aos leitores e uma narração de história incríveis que por vezes magoam.


-Porquê ter designado a aldeia do Casteleiro de "Saudade"?
Saudade, aquela palavrinha que revela em nós sentimentos aliados à ausência de alguém. Que constantemente machuca e fere o nosso coração. Saudade é o que sinto em relação às pessoas, aos usos e costumes, às tradições, à excelente gastronomia portuguesa, ao clima e ao saber fazer de um valente povo que é o nosso!
É pura a saudade que me invade quando estou ausente do meu país! Emigrada há diversos anos quis através do nome fictício dado à minha aldeia homenagear as gentes daquela terra e o pitoresco cenário de suas ruas singelas, de casas simples que felizmente foram o meu cenário durante longos anos. Dado que é a saudade que invade o meu coração vamos dar asas a nossa imaginação e deixar-nos transportar para o universo da pequena Kassandra. Uma vivência com cheiro a plantas, a terra fértil e a "Saudade"!

- E projectos? Como vê o seu amanhã? Como mulher e escritora…
Novos livros vêm a caminho… E, confesso que tenho vontade de regressar às origens. Alcançar uma vida diferente. Onde a pacatez e as coisas simples da vida fazem toda a diferença. Mas para tal têm de haver condições e até ao momento ainda não estão todas reunidas. Mas sim… como disse gostaria de viver no campo, montar a cavalo com frequência e viver do trabalho de autora. Não é isso que todos os escritores desejam? Mas para isso é preciso ter muito mérito pois são raros os autores que vivem da actividade literária. Gostava de ter a sorte de ser uma dessas autoras e de um dia ser comprada e relembrada juntos dos restantes nomes da literatura portuguesa, tais como Eça de Queirós, Júlio Dinis, Fernando Pessoa, etc.
Como mulher… Releguemos esse papel para mais tarde…

-Dia 22 de Junho vai estar no Casteleiro. Como antevê esse momento? Será tumultuoso? Sereno? 
Creio que será tumultuoso… Tudo o que eu faço é tão impulsivo e cheio de energia que não poderia ser de outra forma. De serena tenho pouco. Sou mesmo uma mulher em fogo!!! A minha cabeça está sempre a 1000! Com ideias novas que circulam em mim! As pessoas vão falar e vão discutir acerca da minha obra e é isso que eu pretendo… Falar e dar que falar.

António José Marques

26/05/2014

Quem se lembra?

O Burro de cangalhas
Esta imagem representa uma época não muito distante dos nossos dias mas, o suficiente, para que a juventude de hoje não tenha disso recordação.
Animal modesto, meigo, de olhar doce e andar pachorrento. Na nossa aldeia, ele fazia parte de quase todos os agregados familiares. Num tempo em que todas as famílias expurgavam da terra o máximo que esta lhes podia dar, o burro assumia um papel importantíssimo: transportava bens e pessoas e ainda, como força motriz para puxar a nora, tirando a água do poço para a rega da horta.
Será interessante dar a conhecer o “equipamento” com que este asno se apresenta: Sobre a cabeça, exibe o «cabresto» – feito de cabedal e, juntamente com a «rédea» (corda de sisal) servem para o homem o guiar, ou simplesmente o prender a uma árvore ou num local onde possa pastar. Sobre o dorso ostenta uma «albarda», feita de cabedal (à frente e atrás) e pano-cru, cheio de palha muito bem acomodada de modo a constituir um assento bem cómodo para que o dono se sinta bem, quando caminha de casa até ao chão. Para segurar a «albarda» utiliza-se uma «silha», em forma de cinto, apertando esta, à barriga do animal. As «cangalhas» (na figura) assentavam sobre a «albarda». Considerado um assessório de grande utilidade, serviam para transportar o estrume, e outros bens. Sim, porque não havia os tratores que hoje há!...
Acrescento ainda o «burnil» (a gravata do burro), feito de cabedal e pano-cru, e, uma vez colocado sobre o pescoço do animal e com a extensão de umas cordas, servia para atrelar o arado ou a «nora».
Todos estes «arreios» eram feitos por medida, por um «albardeiro» que, de tempos a tempos, deslocava-se de terra em terra, fazem arranjos nas «albardas» usadas e tirando as medidas para as encomendas que mais tarde haveria de fazer. Normalmente estas entregas eram feitas ao domingo, logo pela manhã e, diz-nos quem sabe, que as «albardas» custavam um dinheirão!
O último «albardeiro» visto pelo Casteleiro, vinha de Stº Estêvão. Era conhecedor de uma arte rara! Por vezes as «albardas» estavam a necessitar de arranjo e o «albardeiro» não havia maneira de aparecer!...Hoje é considerada uma das profissões já extinta!


NOTA: O negócio dos burros geralmente estava nas mãos dos ciganos. Quando o comprador tentava fazer negócio, o animal apresentava-se na melhor forma. O pior era nos dias seguintes!...






"A Minha Rua", Joaquim Luís Gouveia

Europeias - PS vence no Casteleiro



21/05/2014

KASSANDRA, uma infância tumultuosa



“Kassandra, uma infância tumultuosa” é o título do primeiro livro da nossa conterrânea Edite Fonseca. A obra terá o seu lançamento no próximo dia 21 de Junho, às 16 horas, no Auditório Municipal do Sabugal e, no dia seguinte, às 15 horas, no Casteleiro. O “Viver Casteleiro” publicará, nos próximos dias, uma entrevista com a autora que nos irá revelar um pouco sobre a obra.





15/05/2014

Linhaça - 5 mil anos A.C.


 
No 'post' de hoje quero falar-vos da linhaça tão consumida hoje no pão, bolos e flocos de cereais, mas em tempos antigos guardadas religiosamente pelas nossas avós para combater o inchaço, reumatismo, artrose, etc.
Como curiosidade, a semente do linho também conhecida como linhaça, remonta a milhares de anos antes de Cristo (5 mil A.C.)!!!
À semelhança do que tem acontecido com outros usos e costumes do Casteleiro, fui algumas idosas do Lar e Centro de Dia local, que se deliciam a falar destas coisas, as suas mães e avós costumavam aplicar sementes quentes, no local desejado, de manhã e à noite. Mas afinal, como faziam para aquecer a linhaça? Perguntei. 
Numa malga/tigela com água quente (preferível a ferver) colocavam 2 ou 3 colheres de sopa de sementes. Depois colocavam esta papa num lenço ou pano limpo, dobrado para conservar o calor; depois deixavam arrefecer um pouco e aplicavam o emplastro, na cara, no joelho, perna ou pé.
A linhaça além de combater o inchaço serve, ainda, para reduzir o colesterol, diminuir peso, melhorar o funcionamento do intestino, regular a pressão arterial, etc.
Para a Ti Graça e Ti Zabel (nomes fictícios) a linhaça foi sempre muito usada na “cura de muitos males: maçadelas nos pés, frúnculos, espinhas (não de peixe, mas qualquer coisa que se espetasse no pé, mão, braço…Era remédio santo!
“Hoje em dia é que há remédio para (quase) tudo” – diz a Ti Zabel, soltando uma rasgada gargalhada.
 





"A Minha Rua", Joaquim Luís Gouveia



14/05/2014

Uma Obra em Marcha


Terminado o Inverno, é tempo de regressar ao arranjo dos caminhos rurais da Aldeia. Desta vez um longo troço de um caminho na Ribeira da Cal foi totalmente reconstruído e alargado. Um caminho finalmente transitável e solucionado o escoamento de águas.


05/05/2014

O Linho – Da sementeira à toalha de mesa

Para quem, como eu, nasceu e cresceu na aldeia já ouviu falar com certeza, numa cultura que desapareceu por completo, das produtivas baixas do Casteleiro – o linho. Na tentativa de recuperar todo o processo, desde o seu cultivo até aos bonitos panos ou toalhas, que em dias festivos tornavam a mesa da sala de jantar mais composta, fomos ouvir pessoas idosas que, desde muito jovens, sabiam manusear muito bem todos os artefactos usados no cuidadoso trabalho de preparação dos fios que, mais tarde, serviriam de matéria prima a verdadeiras obras de arte.












Tudo começava pela sementeira, em terrenos húmidos, que acontecia entre Março e Abril. Três meses depois estava pronto para arrancar e começar uma série de operações até obter o tecido do linho.
Depois de arrancado, com raiz e tudo, era ripado no ripanço e levado em molhos para a ribeira onde permanecia, enterrado na água, cerca de duas semanas.
A seguir era levado para casa, onde era batido durante muito tempo, com um maço, esfregado sobre uma pedra de modo a tirar-lhe a casca rija. Uma vez em casa, o linho era tascado no cortiço com uma espadela.
No cedeiro era separado o linho mais fino do mais grosseiro – a estopa, usada na confeção de sacos.
O linho fino era então fiado com roca adequada. As mulheres punham-no na roca para depois o puxarem com os dedos, molhando-o, lambendo os dedos e dele fazerem fios, enrolando-os no fuso. Desta operação resultavam as maçarocas que eram postas no sarilho dando origem às “meadas”.  
Para branquear o linho, faziam-se as “barrelas” em água a ferver com cinza numa panela de ferro, até o linho amolecer, passando, de imediato, à dobadoira para fazer os novelos que vão ao tear, donde sai o pano, que depois de corado alguns dias ao sol, dava origem a várias utilidades para a casa ou mesmo para peças de roupa.












Os teares eram, também, peças-chave do processo, indispensáveis a quem, tendo linho, queria então fazer lençóis, toalhas, panos para tapar as cestas e tabuleiros, camisas.
Aqui fica o registo de mais uma atividade que, durante muitos anos, ocupou as famílias casteleirenses.

Por mim, sinto-me mais enriquecido, mas com uma forte vontade de continuar a percorrer este caminho na busca de outros apontamentos que ilustrem as vivências de um povo que dedicou uma vida inteira à terra, de onde retirou, sempre, o sustento para os seus filhos. Oxalá aconteça o mesmo consigo, caro leitor!






"A Minha Rua", Joaquim Luís Gouveia



02/05/2014

Dia da Mãe


Com o Dia da Mãe, a celebrar-se no primeiro Domingo de Maio, que este ano decorrerá no dia 4 de Maio, não esqueçamos, neste dia, a nossa mãe, porque “Mãe há só uma e mais nenhuma.”
Esta é a verdade, verdadinha que ninguém a poderá escamotear, contestar, negar e muito menos aceitar que a nossa mãe seja destituída, olvidada, que deixe de ser mãe, quer seja boa ou má mãe.
Se o cordão umbilical jamais será separação maternal, com o após a morte ela é e será sempre mãe, cujo nome não poderá ser atribuído a quem quer que seja que não seja a verdadeira mãe.
Sendo nela que corre o sangue do seu filho e nele o sangue da sua mãe, este binómio inseparável de mãe e filho jamais se apagará e deixará de ser, haja o que houver.
Amemos e honremos, pois, a nossa mãe que, antes de nascermos, já nos ansiava e amava; que nos gerou com amor, dores e lágrimas; que as dores do parto esqueceu ao ver-nos pela primeira vez, enfim, que nos criou e educou com carinho, amor e sacrifícios, por certo.
Amando-a, respeitando-a, estimando-a e honrando-a, se ainda temos a dita de a possuirmos, é, por tudo isto, a melhor prenda que lhe poderemos oferecer, em especial, neste dia, e, se do reino dos vivos já partiu, com uma lágrima de amor e saudade, recordemo-la, na certeza de que, no etéreo descanso, ela continuará a velar por nós e a amar-nos ainda.
Sendo assim, digo e repito que “Mãe há só uma e mais nenhuma”.
 

 
 
 
Daniel Machado
 
 
 

26/04/2014

Memórias de Abril


O Casteleiro sempre foi uma aldeia onde os ideais políticos foram debatidos e estiveram presentes. Desde membros do Partido Progressista, do Partido Republicano, do Integralismo Lusitano, correntes do princípio do século passado, os casteleirenses sempre foram activos e activistas em tudo o que diz respeito à coisa pública.
Em 25 de Abril de 1974 não foi diferente. Um grupo de jovens, muitos jovens, arregaçou as mangas e criou o Centro de Animação Cultural. Recordo-me de em 1975 serem representadas peças de teatro de autores como Brecht e Luis de Sttau Monteiro. Em tempo de revolução, o Casteleiro esteve presente. Chegou mesmo a ser a única freguesia do distrito da Guarda com uma Junta de Freguesia eleita pela APU (Aliança Povo Unido), pela mão solidária do Sr. Manuel Guerra. O MFA e a sua 5ª Divisão (Dinamização Cultural) também lá esteve. Recordo-me do helicóptero aterrar na Estalagem. E, claro, também fizemos umas ocupações….
Ontem, na evocação do 25 de Abril no Casteleiro, tudo isto esteve presente na minha memória.

O Casteleiro é uma terra única. Sou suspeito? Sou!  Mas é com muito orgulho que o admito.





"Reduto", crónica de António José Marques




25 de Abril no Casteleiro



O Casteleiro evocou o 25 de Abril com uma Conferência sobre os “40 Anos de Poder Local Democrático”. Uma grande jornada de homenagem aos autarcas que nas Freguesias e nas Câmaras, desde 1974, ousaram com espirito solidário, lutar na defesa das populações, construindo, pedra a pedra, uma nova realidade, mais justa, com tolerância, onde os valores da Liberdade, Igualdade e Fraternidade estiveram sempre presentes.

Hoje, no Casteleiro, de cravo ao peito, respirou-se Abril na companhia de muitos amigos, autarcas e ex-autarcas. Hoje, o Casteleiro disse presente. E assim vale a pena! 

António José Marques


20/04/2014

Alguitarra

“Não só de pão vive o homem…mas também de uma boa aguardente feita na tradicional alguitarra, acompanhada de um belo figo seco ”.
Esta frase era frequente ouvir-se na tradicional taberna do ti Zé da velha (assim conhecida por todo o povo, sem que o próprio se aborrecesse com tal forma de tratamento). Ali, entre um copo e uma bela cartada, falava-se de tudo um pouco.



Apesar das vindimas já irem longe e o vinho novo ir minguando nas adegas quase desertas, hoje trago à vossa lembrança o tradicional fabrico da aguardente, por terras do Casteleiro.
Tão normal como fazer o vinho, era o fabrico de aguardente no alambique de cobre (aqui chamado de alguitarra), do tempo dos nossos avós. E, porque eram poucas as pessoas que tinham a sua própria alguitarra, era muito frequente cobrar por se fazer aguardente no alguitarra alugada. Este pagamento, por vezes, era feito através de dias de trabalho a prestar em terras do proprietário, servindo assim, como moeda de troca pela utilização deste utensílio de cobre, ou então um favor que ficava sempre por pagar…
O alambique ficava no pátio de uma casa, à medida que os moradores combinavam os dias ou as noites para fazer a aguardente. Normalmente optava-se pelo tempo chuvoso para, à volta de um bom lume, indispensável a uma boa destilação, se atiçarem conversas, molhadas com um belo vinho, acompanhado de uma bela assadura, ofertada pelo dono da aguardente que haveria de sair deste popular instrumento.
Para uma boa destilação, é necessário manter sempre o mesmo corrimento, pois o lume que arde e dá o calor deve ser mantido mais ou menos constante, com boas brasas e sem chama. Se escorrer demasiado, passa-se um pano molhado à volta do pote. Se não deitar o suficiente mete-se mais lenha, usando sempre este método até sair fraca.
A prova é feita com um copo pequeno: se é saborosa, se é forte ou fraca...mas ao lançar-se um pouco dela às brasas, se as incendiar, fazendo chama, é sinal de estar forte... 
A primeira aguardente retirada, cerca de 2 jarras, parece água destilada, e só à medida que decorre a fervura vai sendo cada vez mais forte, no fim, já sai mais fraca. Era também normal misturar (caldear) a aguardente mais forte com a mais fraca.
Ao que nos dizem, hoje em dia, é muito perigoso fazer-se a aguardente desta maneira, tão rica e tão popular…É proibido!...Falta o controlo de qualidade…Falta a certificação…Falta o cartão de produtor…Falta o registo das Finanças…Falta…Falta…
Falta valorizarmos o que é nosso.
Quantos produtos genuinamente nossos, se vão continuar a perder por este mesmo motivo?
É PENA!
Deixo aqui o meu protesto!






"A Minha Rua", Joaquim Luís Gouveia


17/04/2014

25 DE ABRIL - Casteleiro evoca "40 Anos de Poder Local Democrático"




































Quarenta anos após o 25 de Abril, a Junta de Freguesia de Casteleiro vai evocar a data com uma conferência subordinada ao tema “40 anos de Poder Local Democrático”. Porque entendemos que o Poder Local foi uma das principais conquistas de Abril, vamos sentar à mesa homens e mulheres que, nas Câmaras e nas Freguesias, contribuíram na construção de um Poder Local democrático.
No dia 25 de Abril, às 15 horas, no Casteleiro, com moderação de Paulo Leitão Batista, vamos ter connosco Joaquim Mourão, Presidente de Câmara (Idanha a Nova, 1985-1997, Castelo Branco, 1998-2013; Joaquim Portas, Presidente de Câmara (Sabugal, 1986-1993); José Fidalgo, Presidente de Junta de Freguesia (Vila Franca de Xira, 2000-2011) e Coordenador da Deleg. Distrital de Lisboa da ANAFRE (2005/2011); Luis Filipe Madeira, Professor de Ciência Política – Universidade da Beira Interior; Maria de Lurdes Neto, Vereadora (Sabugal, 1976-1985); Jorge Fael, Membro da Assembleia Municipal (Covilhã, 2001-2009) e Membro da DORCB do PCP e Amadeu Poço, Presidente de Câmara (Pinhel, 1985-1993).
A Conferência tem ainda como convidados numerosos autarcas e a participação é aberta a todos os interessados.

António José Marques

14/04/2014

Casteleiro acolhe projecto único na Europa


O Casteleiro está a ser palco de um projecto pioneiro e único na Europa. Trata-se da aplicação do SVD - Sistema de Vigilância Demográfica ("coorte" de base populacional) junto dos cerca de 400 habitantes da aldeia que vai permitir acompanhar a saúde da população e disponibilizar uma base de dados para trabalhos científicos.
Este projecto é promovido pelo Centro de Investigação e Desenvolvimento da Beira (CIDB), liderado por João Luís Baptista, professor na Universidade da Beira Interior (UBI), na Covilhã. O estudo também envolve a Unidade Local de Saúde da Guarda, a Direcção Geral de Saúde, a Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal e o Centro de Investigação em Saúde Comunitária, entre outras entidades.
A aplicação do SVD inclui o levantamento demográfico, da pré-diabetes, da doença pulmonar obstrutiva crónica e de indicadores do ambiente, além do perfil de saúde dos habitantes do Casteleiro
Nesta primeira fase dos trabalhos, que decorre já há alguns meses, é realizado um inquérito, porta a porta, que inclui a georreferenciação das casas e a anotação de informações sobre a saúde de quem lá habita. Também é recolhido "algum material biológico" das pessoas.
Um dos objectivos é criar uma base de dados que sirva para os investigadores utilizarem, sendo que os primeiros resultados do estudo poderão surgir dentro de dois meses. O inquérito na totalidade da freguesia de Casteleiro, realizado com a colaboração de quatro alunos da Faculdade de Medicina da UBI, que recolhem os dados junto da população, deve ficar concluído dentro de um mês.
O estudo também permite actuar no presente, pois durante o trabalho de campo foi já detectado um "caso extremo" de um doente com diabetes que foi encaminhado para o hospital.
Considerando que a idade média dos habitantes da freguesia é bastante alta, o estudo possibilitará, igualmente, obter uma radiografia do estado da saúde da nossa população.

Este projecto, “agarrado” e apoiado pela Junta de Freguesia, começou o seu caminho em meados do ano passado e poderá vir a constituir, com outras componentes paralelas na área da saúde já em estudo, um forte e decisivo pilar na luta contra a progressiva desertificação da Aldeia.

António José Marques

06/04/2014

Faleceu Eugénia Lima

Faleceu Eugénia Lima. O Viver Casteleiro recorda aqui a sua visita ao Casteleiro no passado mês de Agosto, por ocasião dos festejos dos 50 anos de sacerdócio do Padre António Diogo, de quem era amiga. Uma das suas últimas actuações, no Largo de São Francisco!



02/04/2014

Lar do Casteleiro consolida património


No passado dia 29 de março, meia centenas de associados do Lar e Centro de Dia de São Salvador do Casteleiro, reunidos em Assembleia Geral, aprovaram o Relatório e Contas referentes ao ano de 2013, bem como a proposta de alteração dos Estatutos, aqui trazida pela Direção. Ambos os documentos foram aprovados por unanimidade.
As explicações oportunas da Presidente da Direção, Sandra Fortuna, a respeito da execução do Plano de Atividades foram reforçadas pelo técnico oficial de contas presente, que demonstrou o bom estado de saúde financeira da instituição.
Por último, Sandra Fortuna anunciou com elevada satisfação, a aquisição do terreno contíguo ao Lar (a Norte) – onde se localizam vários pinheiros – recentemente adquirido pelo Eng.º José Paiva aos herdeiros de João Rosa. Desta forma, a Direção considera ver concretizado um desejo de consolidação do património do Lar e Centro de Dia De São Salvador do Casteleiro. Esta notícia foi muito bem recebida pelos associados presentes.
 






 "A Minha Rua", Joaquim Luís Gouveia
 
 
 

27/03/2014

Utentes do Lar visitam Universidade


No passado dia 8 de Março, Dia Internacional da Mulher, os utentes das valências de ERPI (estrutura residencial para pessoas idosas), Centro de Dia e Serviço de Apoio Domiciliário do Lar S. Salvador do Casteleiro, aceitaram o convite do Dr. João Luís Batista e rumaram até à Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade da Beira Interior, Covilhã, onde assistiram à sessão de abertura da Semana Internacional do Cérebro.
Estiveram presentes várias entidades, entre os quais: Dr. Luís Taborda Barata, Presidente da Faculdade de Ciências da Saúde da UBI, Dr. Vítor Pereira, Presidente da Camara Municipal da Covilhã, Rui Costa, Vice-Presidente da Sociedade Portuguesa de Neurociências e Investigador Principal da Fundação Champalimaud, Miguel Castelo Branco, Presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar Cova da Beira, Maria Assunção Vaz Patto, Neurologista e Professora da Faculdade de Ciências da Saúde, Rosa Marina Afonso, Professora da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas e Graça Baltazar, Professora da Faculdade de Ciências da Saúde.



 
 
 
 
 
 
 
 
 
A intervenção do investigador Rui Costa, como orador na sessão, proporcionou aos nossos utentes uma melhor compreensão sobre o que se passa no interior do cérebro e como este reage perante determinadas situações. De seguida assistiu-se a um debate sobre a temática do envelhecimento activo:O desafio de contrariar o envelhecimento cerebral”.
A sessão contou com dois momentos culturais: um espectáculo de dança contemporânea do Conservatório da Covilhã e a actuação do Coro Intermezzo, Academia de Música e Dança do Fundão. Seguiu-se um lanche convívio com todos os participantes.
No final foi-nos proporcionada uma visita guiada aos laboratórios da Faculdade onde os utentes puderam assistir in loco à explicação de como fazer algumas análises laboratoriais e chegar à obtenção de resultados científicos.
Os nossos utentes fizeram um balanço positivo de mais uma actividade cultural, salientando alguns deles que: “Foi preciso chegar a esta idade para vir a uma Faculdade!”

A Direcção do Lar S. Salvador

24/03/2014

CORNATCHO


Apesar da seara que o há-de, se encontrar no seu desenvolvimento natural, ao longo dos seus nove meses de gestação (de novembro a julho), hoje apeteceu-me trazer à vossa lembrança e conhecimento, algo estranho - «cornatcho» - procurado nas espigas do centeio, por alturas da ceifa.
Crianças e adultos, de olhos bem abertos, percorriam as searas já amadurecidas e, quando encontravam este fungo do centeio, de forma córnea, explodiam de alegria. O preço a que era vendido justificava tal busca.
Depois de colhido, era muito bem guardado até que passavam pelo Casteleiro uns homens munidos com uma “balança de dois braços” para o comprar e pagar. Normalmente aos domingos – dia de agradecimento ao Senhor – ouvia-se o já conhecido pregão:
- “QUEM TEM LENTICÃO, SARRO E FERRO VELHO P’RA VENDER?” Assim diziam em voz alta os homens de saco às costas, vindos do Dominguizo – terra do concelho da Covilhã. 
No tempo em que o dinheiro não abundava, sempre era uma ajudinha para comprar a roupa e os sapatos para a festa de Santo António, que seria no mês de Agosto.
Notas:
(1)   Lenticão: nome das excrescências do centeio (no Casteleiro chamadas de «cornatcho»);
(2)   Sarro: nome dado ao pó retirado ao interior das pipas do vinho, aquando da sua preparação para, em setembro, levarem o vinho novo.
(3)   Ferro velho: relhas e bicos dos arados, já gastos, usados na lavragem da terra; aros de pipas, já corroídos pelos anos; panelas de ferro consumidas pelas gerações já passadas (…) entre outros ferros que pudessem ser «reciclados».
 
APELO: Consciente do espaço mediático e de comunicação que, hoje em dia, o Faceboock ocupa no dia-a-dia dos cidadãos, não posso deixar de fazer um apelo a todos os casteleirenses para que, apesar disso, não deixem de utilizar o nosso blogue VIVER CASTELEIRO.
Considero este meio um espaço plural onde, cada um, à sua maneira, pode contribuir para um conhecimento cada vez maior, desta nossa terra.
Desde os documentos que trazem até nós o conhecimento de figuras e acontecimentos relevantes na história do nosso povo, passando pelos recortes de vidas e tradições, o VIVER CASTELEIRO assume-se, ainda, como um espaço de informação sobre os mais variados aspetos do dia-a-dia do Casteleiro.
 
 
 
 
 
 "A Minha Rua", Joaquim Luís Gouveia

 

 
 

21/03/2014

A busca do ouro em 1724


Investigar a história e as estórias do Casteleiro revela-se uma tarefa rica de episódios  Quadros do quotidiano de uma aldeia rural recheada de vida e onde tudo parece ter acontecido. Hoje falamos de “embusteiros”.
Corria o ano de 1724 na aldeia, então com 500 habitantes. Mas a rotina dos primeiros meses desse ano tinha sido alterada com a chegada de um homem de nome José Bernardo. Chegou com mapas e prometeu descobrir um tesouro: nada mais nada menos que treze arrobas e meia de ouro. Fascinados, os nossos antepassados arregaçaram mangas e toca de cavar em busca do tesouro.
Mas os meses passavam e nada de tesouro. E o tal de José Bernardo a dar ordens a toda a gente, vivendo à custa dos casteleirenses. Até ao dia em que a coisa estalou. O homem era um impostor e como tal merecia uma boa sova: “enfadados de trabalharem sem proveito lhe deram algumas pancadas e o ameaçaram com mais”. Dito e feito. E de seguida uma queixa apresentada em Sortelha a um tal Manuel Mendes Vella, decerto uma autoridade. A estória chega aos nossos dias graças a essa queixa que daria origem a um inquérito conduzido por Frei Manuel Godinho, capelão em Castelo Branco.
É o inquiridor que escreve a 14 de Maio de 1724: “Durante 3 ou 4 meses ter um embusteiro que se nomeava José Bernardo o qual trazia enganado aquele povo e de alguns lugares vizinhos  prometendo-lhes  descobrir  naquele sitio um tesouro de treze arrobas e meia de ouro em contas preciosas . Durante aquele tempo fez trabalhar aquela simples gente de dia e de noite cavando, derribando penedos, fazendo-lhes obrigações por escrito, que eu vi, para o cumprirem. Também fazia algumas curas com palavras que não se lhe entendiam e experiencias com ferros em brasa.” Entretanto, José Bernardo sumiu da região.
O que os casteleirenses de então não sabiam e que hoje nós sabemos,  é que o tal José Bernardo era um “embusteiro” profissional.  A 23 de Julho de 1723, era dado como cirurgião, casado com Ana Mendes e que por “culpas” tinha sido condenado ao degredo pela Inquisição de Coimbra por quatro anos em Castro Marim. Mas, qual degredo, a 19 de Outubro do mesmo ano é citado pela Misericórdia de Castelo Branco como homem solteiro a caminho da vila de Múrcia do arciprestado de Braga.
Pelo caminho, fez uma paragem no Casteleiro. E pôs toda a gente à procura das arrobas de ouro.

Casteleiro, um passado de história e estórias!






"Reduto", crónica de António José Marques