22/12/2013

Natal no Casteleiro: o renovar da tradição


Ano após ano, a tradição repete-se!
O madeiro marca o início das festas natalícias. É preciso que na noite do nascimento do Menino Jesus o madeiro ocupe o local central do largo praça.
Foi a esta azáfama que assisti durante a tarde de hoje.
A Junta de Freguesia encarregou-se de tal tarefa, sim porque, hoje em dia, “Rapazes do Número/Inspeção” já escasseiam por estas bandas.
Podemos dizer que tudo está preparado para a grande noite: aquela que, apesar da crise generalizada, traz os filhos à Terra – nem que seja apenas para cheirar o azeite quente das filhoses, misturado com o fumo das lareiras que nessa noite, mágica, irradiam calor por entre familiares e amigos.
É na aldeia que o Natal é mais profundo! É aqui que a tradição tem mais força e que, teimosamente, muitos fazem questão de preservar.

QUE O ESPÍRITO DE NATAL SE SOBREPONHA À VONTADE DE QUEM NOS GOVERNA!
Tenham um bom Natal!






"A minha Rua", Joaquim Luís Gouveia

16/12/2013

GNR no Casteleiro - Inauguração há 88 anos


Faz hoje 88 anos, a 16 de Dezembro de 1925, era inaugurado no Casteleiro o sub-posto da Guarda Nacional Republicana. Extensão do posto do Sabugal, pertencia ao Batalhão n.º 4, 4.ª Companhia, com sede na Guarda. Este posto de infantaria, como se pode ver na foto, era composto por um Segundo Cabo e cinco soldados e tinha sido criado aquando da reorganização nacional da GNR em 13 de Março de 1922.
Funcionou em instalações existentes onde hoje se situa a casa do Sr. Manuel Carvalho, junto à estrada, fronteira ao Largo de São Francisco. Julga-se, no entanto, que terá começado a funcionar algum tempo antes já que a Junta de Freguesia, em sessão extraordinária de 12/10/1924 a ele fazia referência.
Mas a inauguração teve lugar a 16/12/1925. Aliás, a Junta de Freguesia, reunida a 15 de Agosto de 1925, presidida por José Marques, pelo Secretário Firmino Nunes de Sena e os vogais Eduardo Martins, José Manuel Nabais e Firmino Ferreira, dava conta de um ofício da GNR a solicitar diverso material para o aquartelamento, um rol de artigos que importava em dois mil e quinhentos escudos. Lamentava-se a Junta que era muito dinheiro e que ia pedir ajuda à Câmara do Sabugal!
Outro facto histórico da nossa Aldeia que, como muitos outros, continua em investigação. Este, perdoem-me os leitores o apontamento, com uma componente pessoal, já que o Cabo deste posto se chamava António Pires, meu avô paterno.
 
 
 
 
 
 
"Reduto", crónica de António José Marques
 

09/12/2013

Calendário 2014

Está já disponível o calendário de bolso para 2014 editado pela Junta de Freguesia. Este ano optou-se por um formato diferente, sem a habitual foto panorâmica. Em seu lugar homenageamos um artista da terra com a reprodução de dois dos seus quadros sobre a temática Casteleiro. Um grande Bem-Haja ao Paulo Pinto Martins por ter acedido ao nosso pedido.

 
 
 

08/12/2013

Chegou o Madeiro!

Como é de tradição, a noite de Natal é aquecida com o Madeiro no Largo da Praça. Este ano não foge à regra. Já está tudo a postos! E assim se cumpre no Casteleiro o velho provérbio “Natal na praça e Páscoa em casa”.

 

07/12/2013

Sandra Fortuna eleita Presidente da Concelhia do Partido Socialista do Sabugal


O “Viver Casteleiro” saúda a nossa conterrânea Sandra Fortuna, hoje eleita Presidente da Comissão Política Concelhia do Partido Socialista do Sabugal para um mandato de quatro anos.
 

04/12/2013

João Mouro morador no Casteleiro em 1512

Rei D. Manuel I

Sabemos, e esse facto foi já aqui publicado em crónica anterior, que o Casteleiro, em 1527, tinha 52 moradores. Será, certamente, um número discutível, dado que o conceito de morador, residente e “vizinho”  não é o mesmo ao longo da História e sempre foi muito dependente do autor da “contagem”.
Pessoalmente, por indicadores que fui recolhendo,  atrevo-me a dizer que o número seria muito maior. Mas isso é outra crónica…
Mas, hoje, sabemos o nome de um desses moradores no Casteleiro no ano de 1512. Chamava-se João Pires Mouro. E só o sabemos porque o então Rei D. Manuel I o nomeou a 28 de Novembro desse mesmo ano “Besteiro”. Por curiosidade, ele já o era, porque o registo existente na Chancelaria de D. Manuel I refere “João Pires Mouro, morador no Casteleiro, termo de Sortelha, nomeado novamente Besteiro, sendo privilegiado e escusado em forma.”
Esta nomeação remete-nos para aquilo que, ainda, não está claro ou, pelo menos, com evidências concretas. A origem do Casteleiro e a sua relação com Sortelha. É que esse nosso antepassado foi nomeado “besteiro” de Sortelha. De facto, o Rei D. Manuel tinha dois anos antes, em 1510, dado novo foral à vila de Sortelha que iria regular a vida do concelho até 1832, data em que os foros cessaram.
Um “Besteiro” não era um simples soldado. Através do Rol de Besteiros das diferentes fortificações podemos deduzir da sua importância militar. Os Besteiros eram os principais defensores das vilas e neles só o Rei mandava. E o número de besteiros de Sortelha, nesse tempo, seria de pouco mais de duas dúzias.
O Casteleirense João Pires Mouro era um deles.
 
 
"Reduto", crónica de António José Marques

24/11/2013

Lar do Casteleiro em Festa



 
 
 
 
 
 
 
 
 








 
 

No passado domingo, 24 de novembro realizou-se, no Lar do Casteleiro, o tradicional magusto.
Para ajudar à festa, a Tuna Feminina do Instituto Politécnico da Guarda trouxe música, cantares e muita animação.
Para quem pensa que os nossos idosos estão arrumados, engana-se! Mal as melodias saíam da concertina já os pés, arrastados pelos muitos anos, começavam a mexer e, o baile foi mesmo ali.
Dos rostos, frisados mas felizes, saltavam sorrisos ao mesmo tempo que trauteavam as modinhas das jovens, que por uns momentos, foram as vedetas da tarde.
A festa terminou com um lanche partilhado e, claro está, com umas saborosas castanhas que mãos tão habilidosas, souberam produzir.
Os meus parabéns a todos aqueles, nomeadamente aos funcionários, que organizaram e souberam proporcionar, aos utentes deste Lar, uma tarde tão agradável.
No final, os sorrisos multiplicaram-se e os pedidos também: “meninas voltem mais vezes, gostámos muito de vocês!”
 
 
 
 
 
 
 
 
 "A Minha Rua", Joaquim Gouveia
 
 
 
 

20/11/2013

O Casteleiro e o Regadio da Cova da Beira



A Freguesia de Casteleiro tem uma área de 43 Km2 e é das maiores freguesias do Concelho. Foi do “termo” de Sortelha desde tempos remotos e passou, com a reorganização administrativa de 1855, a fazer parte do Concelho do Sabugal. Independentemente de factores diversos, que possamos valorizar ou não, tais como clima, relevo, flora, fauna, localização geográfica por proximidade, etc..., é meu entendimento e faz todo o sentido a sua ligação ao Sabugal. Aliás, pouco interessa, ou mesmo nada, discutir nos tempos que correm se determinado lugar fica aqui ou ali, se foi ou é da Beira Alta ou da Baixa, do Interior Norte ou Sul…
O que interessa e é relevante é que, independentemente dos rótulos administrativos, o Casteleiro tem uma identidade própria, uma história rica, um passado secular, um património de que se orgulha. O Casteleiro e todos os homens e mulheres que o souberam construir, pedra a pedra, sol a sol, ergueram-no aqui, neste local, que é o nosso. Também é justo referir que as gentes do Casteleiro sempre conheceram a diferença de estar situado na margem esquerda ou na margem direita do Côa. A Aldeia sempre viveu com isso e soube, sempre que necessário, erguer a sua voz ou mesmo agarrar em varapaus e caminhar em direcção à Câmara do Sabugal.

Hoje, o que importa é reconhecer que toda esta região está em profunda escalada de desertificação. E que é necessário fazer algo para inverter esse futuro. Isto é que é realmente importante e transversal a todo o Interior. Tudo o resto que se possa dizer são “brincadeiras” sem qualquer significado.
Tem-se falado do Regadio da Cova da Beira. A verdade, os factos, os números, a realidade, é bem diversa do que tenho lido.
A área total do Concelho do Sabugal beneficiada pelo Regadio é de 402,5 hectares. Destes, 121,5 no Sabugal e Quintas de São Bartolomeu e os restantes quase que na totalidade na Freguesia de Casteleiro, cerca de 280 hectares. Estaremos todos de acordo que a área deveria ser maior. Claro que sim. Mas os números são estes. E a realidade que transmitem é que o Casteleiro é, de facto, a freguesia do concelho que mais beneficiou com o Regadio.
Importa também referir que, de facto, a área a nascente do Casteleiro não está beneficiada. Mas, como atrás ficou claro, as gentes desta terra sempre souberam, na maioria dos casos com eficiência e eficácia, como por aqui dizemos, “levar a água ao seu moinho”. A referida área ainda não está beneficiada mas existe um projecto para irrigar essa área em falta…
O caminho faz-se caminhando e o ruído só atrapalha. Quem, como eu, se movimenta na área da comunicação, deve conhecer esse elementar ensinamento. Por vezes o silêncio é o melhor meio para atingir os fins. E quando não ajudamos, estragamos…
 

 
 
 
 
"Reduto", crónica de António José Marques
 
 
 

19/11/2013

Feira de S. Martinho e Magusto



 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Dos mercados e feiras nos dias 10 de cada mês, no Casteleiro, destaca-se a antiga e tradicional Feira de S. Martinho que, não sendo no dia litúrgico de S. Martinho, 11 de Novembro, não é de estranhar, já que “ o S. Martinho são três dias e um bocadinho.”
Temos visto e é sabido que, nos dias de mercado, os feirantes e os compradores são poucos, em contraste com os da Feira de S. Martinho que, numa perfeita simbiose com o magusto, realizado pela Comissão de Festas no passado dia 10 de Novembro, o Largo de S. Francisco encheu-se de feirantes e de gente.
Da azáfama bem cedo dos feirantes, dos visitantes, da Comissão de Festas e dos repórteres fotográficos que, ao longo do dia de Feira e do magusto, a serem transmitidas as notícias e imagens fotográficas, em direto, foi uma inovação, não esperada, a que com agrado, os leitores, de imediato, também comentavam e agradeciam. 
E, enquanto na Feira, muitos visitantes da terra e circunvizinhos percorriam a Feira, vendo e comprando o que mais lhes agradavam e precisavam, no Bar da Comissão de Festas o negócio era outro com a finalidade de angariar dinheiro para a Festa de Santo António, a realizar-se no princípio do mês de Agosto de 2014.










 
 
Com castanhas assadas, como não podiam deixar de haver, o bar cedo abriu, onde as mordomas serviam as bebidas, em especial, jeropiga (que boa era) e vinho, para mais tarde, à hora de almoço, os mordomos se esmeravam a assar, simultaneamente, mais castanhas, frangos, carne entremeada e febras, para serem acompanhadas com a boa pinga do Casteleiro e, por fim, até houve uma especial sangria que soube a pouca.
Parabéns à Comissão de Festas pelo serviço e bons momentos que nos proporcionaram, com pena de que, com o dia a chegar ao fim e o frio a vir, a Feira de S. Martinho e o magusto acabassem assim:
 
Logo que a Feira terminou,
Os feirantes arrumaram tudo e foram,
Mas o bar a funcionar continuou,
Para vir a fechar,
Quando a noite fria chegou.





Daniel Machado


17/11/2013

"Castelleyro" já em 1320


A palavra Casteleiro chegou aos nossos dias com a grafia que todos conhecemos. Mas, ao longo dos tempos sofreu muitas alterações. Na foto, retirada das “Memórias Paroquiais” de 1758 surge como “Castelleyro”. Mas, alguns séculos antes, designadamente no cadastro ou “numeramento” do Reino realizado entre 1527 e 1532, surge de forma abreviada “o lugar do castel’o”, como podem ver na foto, retirado do manuscrito original, ali entre a “bimdada” e a “mouta”.

 
Deixo aqui, bem a propósito, um estudo sobre a origem e evolução da palavra que o nosso conterrâneo e meu primo Ismael Gonçalves teve a gentileza de me enviar há alguns meses.
“1, Da consulta dos Dicionários – José Pedro Machado, Cândido de Figueiredo, Houaiss e Lello Universal - se conclui que a palavra Casteleiro vem do étimo latino Castellariu-, significando o mesmo que o adjetivo CASTELÃO « relativo a castelo », assim como o substantivo CASLELÁRIO « senhor de castelo».
2. A palavra CASTELEIRO aparece com a grafia medieval CASTELLEYRO em 1320 e no sec. XV já na forma actual CASTELEIRO. Nas Memórias Paroquiais de 1758 a palavra assume as duas grafias: CASTELLEYRO e CASTELEIRO.
3, Registam-se ainda a forma feminina CASTELEIRA « proprietária de castelo» e o regionalismo « às casteleiras» significando «às cavalitas»,
Assim a palavra CASTELEIRO como adjetivo significa o mesmo que CASTELÃO « relativo a castelo » - cf, O Bobo, Herculano; como substantivo significa o mesmo que Castelário - « dono e senhor de castelo»."
 
 
 
 
"Reduto", crónica de António José Marques
 
 
 
 

16/11/2013

Casa da Esquila inova e marca a diferença também nas aplicações móveis


Situado perto de Sortelha, na Freguesia de Casteleiro, o Restaurante Gourmet Rural Casa da Esquila lançou, dia 07 de Novembro, uma aplicação (app) que permite a todas as pessoas ter no seu Iphone, Ipad ou Smartphone Android, as promoções do restaurante, noticias, fotos dos pratos ou simplesmente consultar a carta para decidir o que escolher. Sendo um dos primeiros restaurantes a ter uma app disponível ao público, a Casa da Esquila marca a diferença pela inovação, não só nos seus pratos, mas também na relação com os seus clientes. 
Desde há muito que a Beira Interior é conhecida pela sua riqueza em produtos agrícolas de excelência, a Cereja da Cova da Beira, o Cabrito Serrano, o Queijo da Serra ou mesmo o Queijo Amarelo da Beira Baixa, são alguns dos exemplos. Recentemente com a grande aposta vitivinícola na região por uma série de empresários de sucesso, surgiram vinhos fantásticos capaz de fazer jus a toda uma panóplia de legumes, frutos, carnes, queijos e muitas outras iguarias de primeira categoria.
É neste clima que surge a Casa da Esquila – Gourmet Rural, com o propósito claro de levar à mesa o que a terra tem de melhor. A aposta nesta app surge como mais um cruzamento da tecnologia com o mundo rural. Totalmente desenvolvida pela madeirense Fapptory , responsável pelo site www.a-minha-app.com, este é sem dúvida um bom exemplo a ser seguido.
Descarregue a aplicação Casa da Esquila gratuitamente através do Itunes ou do Google Play (https://play.google.com/store/apps/details?id=com.yapp.casa_da_esquila) e descubra o restaurante mais Gourmet do Mundo Rural.

11/11/2013

CACC promove Magusto

 

Feira de São Martinho



 
 
 
 
 
 
Ontem foi dia da Feira de São Martinho no Casteleiro. Assim acontece há muitos anos sempre no dia 10 do mês de Novembro. Os mordomos da Festa de Santo António de 2014 abriram o bar e proporcionaram a todos belos petiscos, um farto Magusto e muitos litros de Jeropiga.


O Casteleiro transfigurou-se por um dia. As ruas cheias de gente e os feirantes a ocupar todos os cantos disponíveis do Largo de São Francisco e ao longo da Estrada. Da Feira fez-se Festa. Viva o São Martinho!



24/10/2013

Casteleiro Freguesia do Sabugal há 158 anos

Faz hoje 158 anos que o Casteleiro deixou de pertencer ao Concelho de Sortelha e passou a freguesia do Sabugal. Tudo isto por força da extinção da Câmara de Sortelha contemplada na reorganização administrativa do País imposta pelo por Decreto de 24 de Outubro de 1855. A partir desta data todas as freguesias de Sortelha passaram a integrar o Concelho do Sabugal.

 
 
 
 

 
 

23/10/2013

Utentes do Lar S. Salvador do Casteleiro visitam Museu do Queijo em Peraboa






 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
No passado dia 18 de Outubro os utentes das três valências do Lar S. Salvador : Lar, Centro de Dia e Serviço de Apoio Domiciliário realizaram um passeio ao Museu do Queijo em Peraboa, Covilhã.
“O Museu do Queijo permite conhecer o processo de fabrico de um dos melhores queijos do mundo através de um percurso real e multimédia, o queijo de ovelha Kosher, produzido segundo os preceitos da religião judaica”.
A recepção foi muito calorosa por parte do guia que nos recebeu o que permitiu que se criasse um clima de grande empatia.
 Os nossos utentes relembraram o meio e o ambiente que envolvem a arte e o processo de fabrico artesanal do Queijo da Serra, bem como as técnicas e os utensílios utilizados ao longo dos tempos para confeccionar esta iguaria.
A visualização de um filme em 3D, sobre a Transumância, com necessidade de uns óculos especiais foi um dos momentos altos desta visita ao Museu, dado que para alguns dos nossos idosos representou o primeiro contacto com o cinema.
No final da visita fomos presenteados pelo Museu com um lanche onde o queijo era o elemento essencial.
Com mais esta iniciativa o Lar S. Salvador do Casteleiro pretende proporcionar aos seus utentes momentos de lazer e de animação com a comunidade exterior e o meio envolvente, promovendo o envelhecimento activo, a partilha de vivências e o intercâmbio sociocultural.

A Direcção do Lar S. Salvador
 
 
 
 

22/10/2013

Escuridão


Penso muitas vezes nesse tempo longínquo.
Portugal era um país ignorado e vivia nas trevas.
A sua gente, pelo menos a grande maioria, era analfabeta e demasiado limitada no conhecimento.
As pessoas desconheciam que havia mundos diferentes e outras culturas.
Viviam oprimidas e subjugadas.
Havia depois os senhores da terra.
Esses, apesar de serem os senhores, pouco mais sabiam.
Sabiam, sim, explorar os que dependiam deles.
A escuridão era total.
No País, na nossa aldeia, assim como nos cérebros.
Uma das consequências dessa situação tinha a ver com a falta de higiene nas ruas e nas pessoas – o que era tido como um estado normal.
A escola era vedada aos filhos, porque estes faziam falta nas tarefas do campo.
Se fossem do sexo feminino a coisa piorava um pouco.
Havia a ideia de que o conhecimento levava a maus caminhos.
Achava-se que quanto mais se sabia, maior seria a confusão.
O mais grave, é que ninguém se apercebia de que estava ser enganado.
Ninguém se dava conta de que poderia ser doutra forma; que seria benéfico em todos os aspectos que as coisas fossem diferentes.
Essa informação não lhes chegava.
A «escuridão» tinha a primazia.
Em termos de higiene: a nossa aldeia estava enxameada com currais, galinheiros e palheiras com animais, que desaguavam os seus detritos para as ruas.
Os habitantes procuravam o campo ou um local escondido atrás de qualquer obstáculo, um sítio para fazerem as necessidades fisiológicas, porque as casas, mesmo as mais ricas, não tinham casas de banho.
Durante a noite, usavam-se baldes que depois, de manhã, eram despejados para a rua que todos pisavam.
Vivia-se e respirava-se um cheiro nauseabundo, que ninguém estranhava.
Era assim. Era normal.
A falta de conhecimento e a escuridão em que se vivia, convinha aos governantes e a muitos outros que viviam à sombra dessa escuridão e dessa ignorância.
Alguém quer voltar atrás?
Abraço.
 
 
 
Dulce Martins