09/11/2010

A Feira e as lembranças






















Existem épocas do ano que nos trazem mais lembranças e mesmo saudades da nossa terra, a Feira de São Martinho é com certeza uma delas.
Quem não se lembra de toda aquela azáfama da feira, os largos da aldeia muito preenchidos tendo cada um a sua "especialidade"(o Largo da Fonte porcos, o Largo do Reduto era destinado às vacas, o Largo do Chafariz das 2 Bicas aos burros e cabras), tudo devidamente acompanhados pelos respectivas "famílias". O Largo de São Francisco era preenchido com tudo e mais alguma coisa: sapateiros, latoeiros, vendedores de roupa, cerâmica, plásticos e muito mais.
Logo pela manhã era ver chegar pessoas das aldeias mais próximas para encher as nossas ruas e largos.
Como vivia no Largo da Igreja, sentia um enorme gosto ao ver as pessoas que viviam nas Quintas do Anascer chegar com os seus produtos para vender, mas o que mais me agradava era ver as suas vestimentas trajadas a rigor pois a vinda à aldeia assim o exigia.
Tudo isto já lá vai, mas ficam as memórias e o quanto é bom as termos vivido.
Agora, a vida é outra mas o gosto pela Feira mantém-se pena é que o dia (4.feira) não ajude a uma visita, no entanto deixo algumas fotos de uma feira de 2000 e qualquer coisa que por sorte calhou a um fim de semana.
Para todos os que por lá passem, BONS NEGÓCIOS!


Família Lopes Nabais

08/11/2010

Feira de São Martinho

No próximo dia 10 tem lugar a tradicional Feira de São Martinho.
Os mordomos da Festa de Sto António 2011, que já estão em plena actividade desde Agosto, vão realizar um magusto e fazer a prova da jeropiga. Estão todos convidados!

03/11/2010

Memórias Paroquiais do Castelleyro (5)



Termina hoje a publicação das Memórias Paroquiais do Casteleiro.

6 – Esta tal ribeira onde principia, corre das partes do nascente e coisa de um quarto de légua no sítio chamado Alvercas limite do mesmo lugar dá uma meia volta e corre de norte a sul.
7 – Nada
8 – Nada
9 – Nada
10 – As suas margens se costumam cultivar para centeio, as árvores que há ao pé dela são algumas oliveiras e alguns amieiros, porém estes não dão frutos. Também ao pé do lugar em alguns chãos que estão junto dela se costuma semear linho de secadal.
11 – Nada
12 – Enquanto corre no limite deste lugar não tem outro nome mais que de ribeira, mas fora do limite toma o nome de Ribeira do Anacer.
13 – Morre na ribeira chamada Meimoa entre o lugar Benquerença e o lugar Escarigo.
14 – Nada
15 – Tem esta ribeira duas pontes de pao, uma no sítio chamado Alaia dos Ramos e outra no sítio chamado as Relvas da Ponte.
16 – Tem dentro do limite desta freguesia esta ribeira sete moinhos e três lagares de azeite, dois pizoins e algum dia teve também um tinte, porém hoje se acha demolido.
17 – Nada
18 – Gozam os povos livremente das suas águas.
19 – Tem de comprimento donde principia até aonde se mete na Ribeira Meimoa duas léguas e não passa senão ao pé deste lugar de Castelleyro.
20 – Quando a folha cai para a parte desta ribeira que chamam a folha de Guaralhais de um sítio que chamam as Portellas para baixo, tem a mitra duas partes e a Comenda uma, e das Portellas para cima terá a Comenda duas partes e a Mitra uma, em todos os frutos.

Castelleiro, 25 de Abril de 1758
Manuel Pires Leal
Cura deste dito lugar








"Reduto", espaço de crónica semanal de autoria de António Marques

01/11/2010

Gazeta do Sabugal

O Concelho do Sabugal conta, a partir de hoje, com um novo espaço de informação: Gazeta do Sabugal. Segundo a nota de abertura, tem por objectivo principal contribuir para uma opinião pública sabugalense mais esclarecida e informada.
Viver Casteleiro saúda o nascimento da Gazeta do Sabugal e deseja à sua administração os maiores sucessos em prol do Concelho.

http://www.gazetadosabugal.blogspot.com/

25/10/2010

Passeio à Golegã


O Centro de Animação Cultural do Casteleiro promove no próximo dia 13 de Novembro (Sábado) um passeio/convívio à XXXV Feira Nacional do Cavalo, na Golegã.
As inscrições estão abertas com preços convidativos: €15 para sócios e €17.50 não sócios.

Programa:
08:00H- Partida do Largo de São Francisco.
09:30H- Paragem para o Peq. Almoço (livre).
10:45H- Chegada à Golegã.
(Desde a hora de chegada à hora de partida a visita é livre).
18:00- Partida rumo ao Casteleiro.

24/10/2010

Ligações para a vida

Era com amizade e respeito que, nos idos anos sessenta/setenta, os jovens se relacionavam. Nessa altura, construímos ligações que ficaram para a nossa vida. Todos os dias no fim da sua actividade habitual se juntavam em sítios de referência, nos largos mais amplos: a Praça, o Terreiro de S. Francisco, o Largo do Chafariz das duas bicas. Então começavam as brincadeiras e as gargalhadas, que ecoavam à distância. Coisas de jovens a precisarem de distrair e de partilhar a alegria que lhes ia no peito.
Mesmo não se podendo alongar muito porque ao outro dia era preciso levantar cedo, não dispensavam aqueles momentos de prazer e descontracção.
O domingo era dia de descanso, dia de se embelezarem com as roupas guardadas para o efeito. Chegava o momento de cumprir os deveres religiosos. Como na altura não havia crise de sacerdotes, a missa era sempre ao meio-dia, salvo raras excepções.
Era ver os grupos de jovens, muitos jovens, rua abaixo vaidosos e seguros da sua juventude. Os rapazes concentravam-se na Praça e, malandrecos, procuravam o melhor ângulo de visão para observarem o desfile das beldades. Um jogo de sedução próprio da idade, que fazia com que ambas as partes gozassem o momento.
Acabada a missa e depois do almoço, começavam os grupos a juntar-se, rapazes e raparigas mais ao menos separados, pois as regras da altura eram apertadas.
Apesar disso, eram inevitáveis as trocas de olhares, que eram a denúncia de algumas paixões em gestação, à espera do momento certo. Em muitos casos, isso deu em casamentos – muitos dos quais ainda hoje estão de pedra e cal.
Começava então o passeio dominical estrada-abaixo-estrada-acima sem parar, com um pequeno intervalo para o jantar. Depois continuam à noite até á hora de ir para a cama, exaustos e com o coração a palpitar de entusiasmos.
Era um grupo unido, dinâmico e participativo, sempre pronto a aceitar as propostas que nos eram feitas para animar a vida da aldeia. Desde fazermos parte do coro da igreja, até ministrar a catequese aos mais pequenos, fazíamos pequenas peças de teatro engraçadas no Centro, que eram um divertimento para a população e aldeias vizinhas. Ao Casteleiro chegavam pessoas que à noite, enchiam o salão e faziam fila em bicos de pé, tentando ver alguma coisa. Devido a esse interesse, tínhamos que repetir no fim-de-semana seguinte. Eram também frequentes, as saídas em passeio aos mais diversos sítios, por exemplo a Lisboa, a assistir a acontecimentos de relevo. Estas actividades eram orientadas pelo pároco de então, Padre José Pires. Como já disse, os rapazes eram afastados destas lides, por serem «perigosas aves de rapina». Havia que manter as miúdas longe do perigo. Era sinal da altura.
O Casteleiro tinha cor e dinâmica. Foram tempos felizes e ainda hoje quando nos encontramos, recordamos com saudade essa época.
A brincadeira era muita, e a amizade também. Eram tempos em que a palavra solidariedade ainda fazia sentido.
Não acham que por exemplo esta ideia das peças de teatro era também uma boa forma de hoje dinamizar mais a população e os jovens?





Texto de autoria de Maria Dulce Martins

18/10/2010

Abóboras!

No Casteleiro, é tempo de recolha de abóboras. Mas o transporte nem sempre é fácil!









10/10/2010

Urgente acreditar!


O Jardim-Escola do Casteleiro está temporariamente encerrado.
Reforço “temporariamente”, porque acredito que brevemente as crianças do Casteleiro vão voltar a correr, sorrir e viver aquele espaço!
Nada, mas mesmo nada, é irreversível.
É necessário e urgente acreditar!




"Reduto", espaço de crónica semanal de autoria de António Marques

04/10/2010

Casteleiro, 1918: na rota da modernidade

Hoje vou recordar factos de 1918, há exactamente 92 anos, porque nesse ano o Casteleiro marcou um ponto – embora por razões infelizes. Leia que vale a pena.
Já ouviu falar de Amadeo de Souza-Cardoso, o pintor famoso? Morreu em 1918, da Gripe Pneumónica.
Já ouviu falar do assassínio do Presidente da República Sidónio Pais? Foi em 1918.
Sabe quando terminou a I Grande Guerra? Foi em 1918.
Mas por que é que estou a insistir tanto em 1918?
E como é que isso me leva a algo de interessante sobre o Casteleiro?
Já vai ver.
Já ouviu falar da Pneumónica ou Gripe Pneumónica (Gripe Espanhola)?
Foi em 1918 / 19.
É aqui que entra o Casteleiro. Eu explico: nesse exacto ano de 1918 e no ano seguinte morreram no Casteleiro muitas pessoas com a Pneumónica. Morreram tantas pessoas que o Padre da terra já não dava «bincemento» (vencimento, claro), – ou seja, já não conseguia fazer os funerais todos, que chegavam a ser aos 4 e 5 por dia.
Então, no Casteleiro foi tomada uma decisão revolucionária para a altura: uma mulher passou a ser aquilo a que hoje chamaríamos «diácona»: era ela que fazia os funerais. Era a «t’ Mari Sacrestoa», cujo nome real era Maria Mendes. Morava na Carreirinha e não se lhe conhece família no Casteleiro. Morreu já muito velhinha. Escapou pois à Pneumónica.
Reparem quanto isto era revolucionário, embora em situação de necessidade e crise por causa da Gripe Espanhola. Mas aconteceu. Talvez não saibam que a Igreja nunca aceitou que as mulheres desempenhassem estas tarefas. Só depois do Concílio Vaticano II, depois de 1960, é que isso foi permitido às mulheres.

Registem: a nossa terra esteve em certo momento na rota da modernidade no seio da Igreja.
Eu descobri isso muito recentemente e quero partilhar com os leitores.





"Memória", espaço de opinião de autoria de José Carlos Mendes

01/10/2010

Os Netos do Casteleiro

Todas as memórias aqui faladas e descritas são feitas por pessoas da idade dos meus pais Casteleirenses de gema.
Então e as memórias dos seus progenitores? Nascidos em terras onde lhes davam empregos ou onde “tinha calhado” comprar casa ali e ali viver.
Os filhos de filhos casteleirenses também têm muito boas recordações….
Todas as férias eram passadas no Casteleiro.
Juntamente com as primas, umas que lá viviam, outras da “cidade” como eu, que iam de férias também, para casa das avós.
Fui criada na cidade com a minha avó Aurélia, mas assim que tinha férias da escola lá íamos as duas na “Carreira” ou no comboio rumo ao Casteleiro.
A época que eu mais gostava era do Natal!
O Natal era passado em casa da minha tia Zulmira Cameira.
A Tia Zulmira! Que faz um arroz doce “divinal”…Tudo lá em casa era “diferente”…. O cheiro do estrume das vacas que vinha da loja….o cheiro a lume da lareira…os gatos, os cães que pareciam falar, o “marrano” lá no seu curral….até o leite acabado de ordenhar, que bebia ainda quente….
E O PINHEIRO do Natal!
Vésperas de Natal, nós, as primas, íamos em busca do pinheiro e do musgo. O Pinheiro era cortado com um malho e trazido para casa a arrastar. Como era pesado! Ou então trazíamo-lo no carro das vacas (o que nos dava uma grande ajuda!)
No dia 24 de Dezembro depois de jantar lá íamos dar uma “espreitada” até ao Madeiro…que coisa maravilhosa! Um lume Grande! Uma lareira Gigante! Como eu adorava aquilo….
Dia de Natal quando acordávamos ia-mos ver as nossas botas…e…. cheia de rebuçados….juntamente com uma moedinha….
Na casa da Avó Maria gostava de ver matar o porco e cortar a carne para fazer as “chouriças” naquela tábua com um prego no meio. A seguir encher a tripa do porco com as febras e dava á minha avó para as atar.

No verão….ainda apanhava o último dia de aulas da minha prima Isabel…então aquele dia era dia de ir para a escola com ela…que bom!
Piolhos, carraças, amigdalites…. Tive direito a tudo….:)
As festas de Verão… os bailaricos onde dançávamos a noite toda e ao fim da noite ir descalça para casa, pela rua da Estrada, onde o alcatrão ainda queimava os pés àquela hora da noite…
Os “banhos” de piscina (feitos no lagar da avó Etelvina) enchidos à mangueira, até termos água pelos joelhos…
As idas ao chafariz das duas Bicas buscar água nos jarros azuis....e passa-los para os potes de barro que estavam na cantareira….
Os jantares no “balcão” da Avó Maria, e cada vez que o sino dava horas, tudo tinha de se calar….tal era o som ensurdecedor....
Lavar a roupa na ribeira, transportada em “banheiras” grandes, e corá-la na relva ao sol, com sabão de “potaça”… “banheiras” tão grandes, que tomava-mos banho nelas…ao Domingo!
Andar na “burra” da minha Bisavó (Etelvina), fazer a vindima na “serra” no carro das vacas….ser picada por abelhas…e por fim pisar as uvas já no lagar…
Enfim….recordações de “meninas” da cidade que aos 37 anos recordam como se tivesse sido no Verão passado….

Texto de autoria de Susana Leitão

21/09/2010

Memórias Paroquiais do Castelleyro (4)



Publica-se hoje a penúltima parte das Memórias Paroquiais


12 –Nesta serra chamada Preza, acha-se em todo o meio os alicerces de uma grande preza que ali houve antigamente, donde a serra tomou o nome de Serra da Preza. E a água desta preza, se conta, a queriam em tempo antigo levar por canos onde chamam a Torre dos Namorados, distante dela quatro ou cinco léguas. E nesta mesma serra, de uma cruz que chamam da Relva Velha, para a parte do lugar chamado Escarigo, tem a Mitra duas partes em todos os frutos e a Comenda uma.
13 –E da mesma cruz, para a parte do mesmo lugar do Castelleiro, tem a Comenda duas partes e a Mitra uma, em todos os frutos.

Rio
1 – Ao pé deste lugar do Castelleiro corre uma ribeira sem outro nome mais que o nome da ribeira, esta principia a nascer ao pé da serra chamada do Mosteiro, ao pé de uma quinta chamada Alagoas, freguesia de Sancto António da Orgueira, termo da vila de Sortelha. E nela também se mete outro ribeiro pequeno que chamam o Ribeiro do Poio, o qual principia a nascer num sítio chamado Corredoura no limite da dita vila de Sortelha, e este se vem meter nela no sítio das Alvercas, limite deste lugar.
2 – Esta ribeira corre quase todo o ano, ou ao menos até ao fim de Julho, e sempre nela se conservam alguns poços de água. Este ribeiro chamado do Poio no princípio corre algo tanto arrebatado, porém em se metendo na tal ribeira entra a correr com ele quieto.
3 – Neste somente se metem três pequenos ribeiros, chamados um o Ribeiro de Val de Castelloins, e outro de Cantellegalo, e outro do Espírito Sancto, este se mete nela no sítio chamado Guaralhais, aqueles no sítio chamado Tinte.
4 – Nada.
5 – A ribeira em si corre quieta mas os tais ribeiros que nela se metem correm algo tanto arrebatados.






"Reduto", espaço de crónica semanal de autoria de António Marques

19/09/2010

Agradecimento












Há já muito tempo que a Sr.ª D. Felícia Tavares, manifestou o desejo de oferecer todos os livros da sua filha Lucindinha, falecida em 17/10/2007, a uma instituição com que, durante a sua vida, se identificou.
A honra de tão valiosa oferta, já que não contávamos com tantos e tantos livros de valor material e pessoal, coube ao Centro de Animação Cultural do Casteleiro, do qual era sócia e sempre dum acérrimo empenho pela sua vivência e engrandecimento.
Com esta oferta, o Centro de Animação Cultural do Casteleiro ficou mais engrandecido e, por tal facto, o nosso Centro Cultural através dos seus dirigentes, apresenta publicamente, já que em particular o fez, em especial, à Sr.ª D. Felícia um sentido e sincero agradecimento, na certeza de que esta oferta, sabendo-se ter sido também um dos desejos da Lucindinha, será para ela, lá no Alto de contente e com alegria, um bálsamo de felicidade a gozar no seu eterno descanso.
Certos de que estes livros perpetuarão, para sempre, a memória da inesquecível e ilustre filha do Casteleiro, a Dr.ª Maria Lucinda Gouveia Pires, há que seleccioná-los e, em estante já, catalogá-los, passando assim o Centro de Animação Cultural do Casteleiro a ter uma Biblioteca para bem dos seus associados.







"Daqui Viseu", espaço de opinião de autoria de Daniel Machado

15/09/2010

Memórias Paroquiais do Castelleyro (3)



Prossegue hoje a publicação das Memórias Paroquiais do Casteleiro, escritas em 1758 pelo cura Manuel Pires Leal. Pode ver o questionário aqui e reler as partes já publicadas, aqui e aqui.

Serra
1-O Lugar do Casteleiro está fundado num vale como acima se declara, em cujo limite se acham uma chamada a Serra d’Opa e outra a Serra da Preza.
2-Esta chamada Serra d’Opa tem de comprimento quase duas léguas e de largura meia légua. Principia no limite do lugar da Moita no sítio da Cabeça Gorda e acaba num sítio que chamam Sam Dinis no limite do lugar chamado Benquerença, distante deste povo duas léguas. E a Serra chamada Serra da Preza terá de comprimento uma légua e de largura quase o mesmo. Principia no limite deste lugar e acaba no limite do lugar chamado Escarigo, distante deste lugar légua e meia. Correm ambas estas serras de norte a sul.
3-Nada
4-Da serra chamada d’Opa nasce um pequeno ribeiro e a este chamam o Ribeiro de Val de Casteloins e logo se mete numa ribeira que corre ao pé do povo e este ribeiro da serra d’Opa corre de nascente para o poente. Da serra chamada da Preza nasce outro pequeno ribeiro que passa ao pé da Quinta do Espírito Santo e corre também para a mesma ribeira. E este ribeiro se mete nela onde chamam o sítio Guaralhais e aquele no sítio chamado Tinte e estes ambos correm do poente para o nascente e tudo está no limite deste lugar.
5-Nada
6-Nada
7-Nada
8-A serra chamada d’Opa se cultiva com searas de centeio, de um e outro lado a meia ladeira e a serra chamada de Preza se cultiva com searas também de centeio em todo o ano e em todos os lados dela, e o mais nada.
9-Quase no meio da serra chama d’Opa está a Ermida da Sancta Anna, acima já declarada, e somente os moradores do mesmo povo costumam ir lá em romagem algumas vezes.
10-O temperamento destas duas serras acima declaradas é frio mas saudável.
11-Criam-se nestas duas serras gado miúdo e caça de coelhos e perdizes.






"Reduto", espaço de crónica semanal de autoria de António Marques

12/09/2010

Convívio do CACC























Já com novos Corpos Gerentes do Centro de Animação Cultural do Casteleiro, realizou-se no Domingo seguinte (15 de Agosto) à Festa de Santo António (6, 7 e 8 de Agosto), como tem vindo a ser habitual, o tradicional almoço/convívio para os sócios.
E é nesta altura, porquê? Para que os nossos emigrantes e outros, de visita à sua Terra a aos seus familiares, possam usufruir deste almoço/convívio que, marcado para o meio-dia do dia 15 de Agosto findo, no salão do Centro Cultural, por razões óbvias, só teve o seu início às 13 horas com um menu um pouco diferente do habitual.
As sardinhas foram substituídas por feijão com arroz, acompanhado com as habituais febras e carne entremeada assadas na brasa e servindo de sobremesa o tradicional melão e queijo, tudo bem regado coma boa pinga do Casteleiro, cerveja e sumos, à descrição.
Comeu-se e bebeu-se bem, conversou-se e conviveu-se, não faltando a animação musical a cargo do já conhecido e conterrâneo acordeonista, o Sr. Luís Cândido de Oliveira.
Sabendo-se que a realização deste almoço/convívio, nesta data, é uma boa e intencional vontade, desde há muito, das Direcções anteriores e actual, poucos emigrantes e outros têm comparecido, esperando-se que, para o ano, a adesão seja maior.






"Daqui Viseu", espaço de opinião de autoria de Daniel Machado

10/09/2010

Cheiros

Os cheiros são registos que me têm acompanhado durante toda a minha vida. A minha memória olfactiva tem-me conduzido através dos tempos aos mais diversos
sítios onde passei a minha infância. Sei exactamente o que cheirava a quê e onde.
O que é engraçado e provavelmente natural, é que dou comigo a recordar e a sentir os cheiros que me marcaram há tantos anos, com a mesma intensidade de então.
Pode parecer saudosismo, ficar para trás, mas não é. É apenas sentir o ontem que todos devíamos ter. E eu tive, com todo o afecto do mundo.
Então vamos aos cheiros.

Quando entrava em casa da minha avó materna, lembro-me de que ali pairava um cheiro quente a vacas, bosta e palha, que vinha da palheira por baixo da casa. Era um cheiro forte, marcante, que não era de todo desagradável, fazia parte da envolvência, do cheiro característico da casa, que nem por isso deixava de ser uma casa asseada. Posso dizer até que não seria a mesma se não cheirasse assim: a lavoura obrigava.
Lembro-me também de que, quando dormia lá e me deitava nos lençóis de linho fiado pela minha avó à noite à lareira à luz da candeia – lavados e passados com o ferro de brasas –, a sensação era tão boa, o cheiro era tão inebriante que é impossível descrevê-lo. E aquele cheiro da «abobrais» (penso que deve ser algo parecido com «aboboragem», das abóboras que também entravam na primeira refeição das vacas, às 7 da manhã, num caldeiro enorme) a ferver ao lume onde a lenha crepitava, estalava, e as faúlhas subiam e saltavam à volta? A casa era invadida pelo odor saudável a hortaliças cozidas à mistura com farelo que quase apetecia comer!
Na parte de baixo da casa havia uma loja onde se guardavam os produtos que a terra dava. Também aí me deliciava com o cheiro que vinha da «tulha», que era o sítio onde se guardava o pão em grão. Era um cheiro doce e ao mesmo tempo forte que me fazia ficar sempre durante alguns momentos a desfrutar de algo que hoje considero único.
Há outro cheiro que guardo: era o do soalho das casas depois de esfregado com sabão azul e branco. Aquela mistura de água, sabão e madeira molhada era uma festa de cheiros, qualquer coisa que ficava a anos-luz de todos os produto sintéticos de agora, por muito desinfectantes que sejam. É de notar que esta tarefa era feita pelas mulheres, e era uma tarefa árdua, porque tinham que andar de joelhos de escova na mão e a puxar pela força, o que as deixava exaustas. Exaustas mas satisfeitas, por poderem usufruir daquele odor e limpeza únicos.
Isto, sem esquecer o cheiro especial da chouriça assada na brasa logo ao pequeno-almoço acompanhada de café de cevada…

No que toca a cheiros, a nossa aldeia desse tempo deixou-me muitas e intensas recordações.
Ainda hoje, tantos anos depois, o meu olfacto desfruta delas.

E há mais disto no meu «arquivo».







Texto de autoria de Maria Dulce Martins

04/09/2010

O Circo na Aldeia


































Com a presença dos emigrantes e devido às dificuldades, o velho circo ambulante, que vai de terra em terra, veio à nossa localidade apresentar o seu show. Perante a presença de um plateia ansiosa das novidades, no dia 20 de Agosto, pelas 22 horas, no parque de estacionamento do café "O Cristal da Opa", Mário Aguilar, Liliana e as suas partners deram um espéctaculo a mais de cem assistentes que deliraram com os vários números apresentados, magias, malabarismos, palhaço, sendo o seu ponto alto de apresentação um jibóia com cerca de 3 metros que fez a delicia dos espectadores.

Texto de autoria de Vanessa Marques

23/08/2010

Convocatória

Com o aproximar do final do mês de Agosto, o rigor do silêncio vai impondo a sua cortante e impiedosa realidade às ruas do Casteleiro.
Como dizia há dias um amigo, ficam os “inverniços”!
Sabemos que esta é uma evidência que alastra a todo o Interior e, muito concretamente, às aldeias do Concelho do Sabugal. Mas este progressivo vazio não é, nem pode ser, uma fatalidade.
Todos nós estamos convocados para contribuir para a inversão deste caminho.
Em nome das gerações que nos antecederam e que construíram o Casteleiro, em nome das gerações futuras, todos nós, individual e colectivamente, estamos convocados a dizer presente e multiplicar o som pelas ruas e largos desta terra.





"Reduto", espaço de crónica semanal de autoria de António Marques

19/08/2010

Há 55 anos: o dia-a-dia de um miúdo de 8 anos no Casteleiro

Ali por meados dos anos 50 do século XX (digamos, em 1956/57), como era a nossa vida no Casteleiro? O que fazíamos? Como nos divertíamos? Como era a escola? Brincávamos a quê?



Antes de mais, íamos à escola. Entrava-se cedo e havia aulas de manhã e de tarde. Os professores e as professoras desse tempo, com tantos problemas de pedagogia mal resolvidos, tinham uma coisa muito interessante: davam-nos aulas de apoio da parte da tarde. As escolas eram separadas: as raparigas, na escola de cima (ao pé do Lar), e os rapazes naquela coisinha pequenina do Largo de São Francisco, onde mais tarde foi a Junta. Tinha havido no Casteleiro professores muito violentos, que deixaram má memória nas gerações anteriores: a D. Aurora, que batia nas cabeças e as fazia estourar contra as paredes, nos anos 40; a Rabaça, que batia até fartar, no início dos anos 50. A essa, uma das vítimas, com dificuldades de pronúncia, até lhe chamava «Lhabaça dum filha dé p…), se é que me entendem. Assim mesmo: Lhabaça…
Quem não sabia quantos são 4 vezes 5 ou coisa do género, já sabia: meia dúzia de reguadas ou de varadas pela cabeça abaixo.
De resto, como era um ensino essencialmente baseado na memorização e daí o uso sistemático e obsessivo da repetição, armava-se nas escolas um coro sem-fim do género (bem gritado, quase a cantar):
- 2 vezes um, dois!
- 2 vezes dois, quatro!
- 2 vezes três, seis!
E assim por diante até ao
- 2 vezes 10, vinte!
Do mesmo passo, debitavam-se as linhas de caminho de ferro, com as estações todas alinhadinhas, as serras uma a uma pelo País abaixo (Penedo, Soajo, Gerês…) ou os nomes dos rios todos com os seus afluentes e tudo o mais: coisas que ainda hoje cá estão dentro e ficarão para sempre, claro, a ocupar espaço…

Nos sábados e domingos, era sagrado: ou havia baile em São Francisco ou nos Italianos. Os jovens e adultos dançavam imenso nesse tempo. Nós, os pequenitos, passávamos a tarde a correr que nem uns doidos por entre as pernas dos dançantes, a fugir uns dos outros sem parança. Eram momentos de grande excitação.
Uma vez por acaso, havia comédias ou cinema. As comédias eram trazidas pelo «Delfim e a sua Troupe», incluindo a mulher, Maria Estrela, que fazia trapézio com movimentos que nos pareciam impossíveis e arriscadíssimos. Um dia caiu mesmo. Mas não foi no Casteleiro. O cinema era projectado na parede branca da casa grande dos Srs. João Rosa e Quim Paiva, em São Francisco. E às vezes nos Italianos, também.

E as brincadeiras dos miúdos?
As raparigas da nossa idade tinham lá as suas bonecas com as quais se entretinham horas e horas e na rua brincavam às danças de roda. Também as víamos a jogar em quadrados desenhados no chão, saltando ao pé-coxinho alternadamente de quadrado em quadrado. Acho que lhe chamavam o jogo do «mata». E jogavam à corda e ao «Ti Limão».

Nós, os rapazes, jogávamos ao pião, corríamos a aldeia de alto a baixo com o arco, íamos para o olival atrás do Sr. Tó Pinto e do Sr. José Mourinha brincar aos canais com regos de água que não sei de onde vinham e com represas de onde «canalizávamos» a água através de gargalos de garrafas partidas. As garrafas dos pirolitos davam ainda os berlindes para jogarmos a tarde inteira se preciso fosse.
A ribeira era naturalmente uma atracção irresistível: andava-se lá a tomar banho toda a tarde em grupos de três ou quatro.
Mas o futebol ou lá o que aquilo era – isso, sim, era o máximo. Podíamos andar quatro ou cinco horas a jogar que ninguém se cansava. Qualquer largo de terra batida nos servia mas o «campo» propriamente dito era no largo em frente do Lar, ao pé da padaria desse tempo.





"Memória", espaço de opinião de autoria de José Carlos Mendes

18/08/2010

Parabéns!



Terminada a Festa, importa que fiquem registados os rostos dos que a idealizaram e concretizaram. Muitos meses de trabalho de uma equipa coesa, jovem e de um dinamismo que todos louvamos e reconhecemos. Parabéns.