05/05/2010

O bom exemplo da Freguesia do Casteleiro

A Junta de Freguesia do Casteleiro, no concelho do Sabugal, demonstrou no último fim-de-semana como se pode mobilizar e dinamizar uma aldeia do Interior, atraindo centenas de visitantes e dando-lhe expressão mediática. A ideia de realizar uma iniciativa com o nome «Festa da Caça», é desde logo original das terras do concelho do Sabugal, facto que, por si, constitui uma atractividade. Se a essa boa ideia se juntar um programa apelativo, com iniciativas interessantes, e se for conseguido o empenho na boa organização da iniciativa, então temos garantido o sucesso da mesma. Foi isso mesmo que sucedeu no Casteleiro, nos dias 1 e 2 de Maio de 2010.
O tempo até ameaçou a festa, com umas nuvens escuras pairando no céu. Mas os primeiros acordes musicais afastaram o mau prenúncio e a alegria perdurou por todo o fim-de-semana na aldeia mais sulista do concelho do Sabugal.
A dinâmica do presidente da Junta de Freguesia, António José Marques, secundado pela generalidade dos naturais da aldeia, garantiu o pleno êxito da iniciativa. O palco principal recebeu diversos espectáculos, ao mesmo tempo que no bar se serviam bebidas em abundância e o restaurante servia petiscos de caça e outros sabores típicos. Stands demonstrativos de diversas actividades empresariais, institucionais e associativas ocupavam várias ruas da localidade, convidando os visitantes a percorrerem o casario antigo e moderno, verificando o contraste de uma aldeia que cresceu guardando também a memória do seu passado.
De caça propriamente dita houve iniciativas como uma largada de perdizes, mostra de cães de caça, demonstração de falcoaria e de «cães de parar». Na vertente de animação, actuaram os grupos musicais Velha Gaiteira, Osíris, Harmónicas de Ponte de Sor, Cantares de Santa Maria e Rancho Folclórico de Valverde. Também houve uma mostra de cães Serra da Estrela, demonstração de tiro com arco, besta e zarabatana e a actuação de uma equipa cinotécnica da Guarda Nacional Republicana.
Por boa diligência da organização, na manhã do primeiro dia estiveram no Casteleiro várias personalidades, que visitaram o certame e almoçaram na localidade. Governador Civil da Guarda, Presidente da Câmara do Sabugal, Presidente da Assembleia Municipal, Director Regional das Florestas, deputado José Albano, e diversos presidentes das juntas de freguesia do concelho, foram as principais entidades presentes. Todos testemunharam a força de uma freguesia do interior, que demonstrou ter capacidade para garantir um futuro auspicioso, virando as costas à inércia e ao pessimismo.

«Contraponto», opinião de Paulo Leitão Batista

02/05/2010

Dia da Mãe

Mãe. Na docilidade desta palavra se encerra algo de místico que, ao pronunciá-la, nos eleva o espírito e arrebata o coração.
A Igreja, ciente desta verdade e dado o importantíssimo papel que a mãe desempenha no seio da família e da Igreja, reservou-lhe um dia especial que teve lugar no primeiro Domingo de Maio.
Bem o merece e, certamente, não a esquecemos nesse dia.
Amemos e honremos sempre aquela que antes de nascermos já nos ansiava e amava; aquela que nos gerou com amor, dores e lágrimas; aquela que as dores do parto esqueceu, ao ver-nos a primeira vez; aquela que nos criou e educou com carinho, amor e sacrifícios, talvez.
E, como prova de amor, desse amor de mãe, conta uma lenda bretã que um mau filho, tendo morto a sua mãe, lhe arrancou o coração. Chegada a noite, foi-se através da charneca para lançar o coração ao mar. Ora sucedeu que, tendo tropeçado na raiz dum junco, caiu pesadamente sobre umas pedras. Na mão ferida, o sangue da mãe juntou-se ao do filho. Esse coração que ele apertava, animou-se e falou. Para amaldiçoar? Não. Para lhe perguntar angustiada: “Meu filho, estás ferido?”
É assim a nossa mãe. Mesmo com o coração dilacerado de dor, de mágoas e angustias atrozes, toda ela é amor para os seus filhos. Do seu coração jorra incessantemente um amor inesgotável, traduzido em perdão, sorrisos e beijos sem fim.
Amemo-la, honremo-la e estimemo-la, se ainda temos a dita de a termos e, se do reino dos vivos já partiu, com uma lágrima de amor e saudade recordemo-la, na certeza de que, no eterno descanso, ela continuará a velar por nós e a amar-nos ainda.





"Daqui Viseu", espaço de opinião de autoria de Daniel Machado

28/04/2010

Caminhos e Muros - obras tiveram início

Depois de um Inverno rigoroso que originou a queda de vários muros e que deixou intransitáveis quase todos os caminhos rurais, iniciaram-se esta semana, por iniciativa da Junta de Freguesia, diversas obras de recuperação e, em alguns casos, reconstrução quase total de muros de suporte, bem como o arranjo de cerca de 32 Km de caminhos.

25/04/2010

Hoje é dia 25 de Abril

Animação de Rua - "Velha Gaiteira"

No dia 1 de Maio, as ruas do Casteleiro vão vibrar ao som do "Velha Gaiteira".
O grupo Velha Gaiteira nasceu no Paúl (Beira Baixa) com o intuito de divulgar a gaita de fole transmontana e as percussões tradicionais da Beira Baixa. É um projecto de raiz tradicional cujo repertório serve como homenagem a todas as velhas gaiteiras que mantêm viva a música enquanto veículo de comunicação e expressão cultural e identitária. Os seus temas originais partem deste universo rural e pastoril para um novo caminho desbravado todos os dias ao som da gaita, da caixa, do bombo, dos adufes, criando um novo estilo já denominado por Trance Rural Orgânico...

23/04/2010

Orquestra de Harmónicas de Ponte de Sor


Iniciamos hoje a divulgação dos grupos convidados e que estarão presentes na Festa da Caça.
A Orquestra de Harmónicas de Ponte de Sor irá actuar no dia 1, sábado, pelas 16 horas.
O Grupo Cultural Orquestra de Harmónicas de Ponte de Sor existe desde 1942, sob a designação inicial de Mindagos. A partir de 1980 passou a designar-se de Orquestra de Harmónicas de Ponte de Sor.
Tem como actividades preferenciais a recolha, adaptação instrumental e execução pública de melodias tradicionais, principalmente de Portugal e das suas regiões.
Executa as suas melodias na harmónica de boca, instrumento musical largamente enraizado na cultura popular.

25 de Abril, Sempre

Naquela memorável noite de Abril de 1974 nasceu um novo dia de Primavera a florir e a sorrir com um Sol radiante para todos, por igual, de nome 25 DE ABRIL.
Ao acordar com a notícia da “Boa-Nova”, nem queria acreditar.
Seria um sonho meu dessa noite?!...
De ouvidos à escuta e de olhos bem abertos, ouvi e vi que não era sonho, não. O dia era bem diferente dos outros.
O Povo, a despertar para uma vida nova de liberdade, saiu à rua e com alegria, juntamente com os corajosos e valorosos Capitães de Abril que tornaram, em realidade, sim um sonho seu, cantava Vitória, gritando: “O Povo unido jamais será vencido”.
Com toda esta alegria e euforia, sem derrame de sangue, foi assim que os valorosos Capitães de Abril 74 acabaram com a opressão e restituíram ao povo português um Portugal livre e democrático; foi assim que Portugal se tornou um outro Portugal.
Com um respeitoso agradecimento, e para que todos soubessem a verdade e acreditassem, perguntei-lhe:

25 de Abril de 1974,
Que vieste tu fazer
Com a “Canção do Adeus”
E a “Grândola, Vila Morena”,
Sem se saber,
Pela calada da noite?
— Acordar os adormecidos
E libertá-los do açoite.

25 de Abril de 1974,
Que nos viestes tu dar
Com cravos nas espingardas,
Em vez de balas de matar?
— Nos militares,
Dar dignidade às fardas
E com a guerra acabar.

25 de Abril de 1974,
Que mais vieste tu fazer?
— Libertar os oprimidos
Da tirania do Poder;
Dar a todos a liberdade
De falar e dizer
O que na alma lhes vai;
Dar a todos o mesmo direito
De trabalho p’ra viver;
Acabar com o fascismo,
P’ra nunca mais renascer
E o 25 DE ABRIL, SEMPRE,
O garante fiel ser.





"Daqui Viseu", espaço de opinião de autoria de Daniel Machado

20/04/2010

Que viva a Festa!


Faltam 10 dias para a FESTA!
Uma motivada equipa procura afinar todos os pormenores: a iluminação, o som, os horários de chegada dos muitos grupos convidados, o local dos stands, as refeições, enfim, toda a logística necessária!
A divulgação está feita. Na Beira Interior, a Festa da Caça do Casteleiro está já na agenda de muitos. Em todos as estradas da região surgiram no passado fim de semana, bandeiras a indicar o caminho!
A previsão meteorológica indica que a 1 e 2 de Maio vai estar bom tempo, sem chuva e sol de Primavera!
Estão criadas todas as condições para que a Festa seja uma grande Festa!
Vai ganhar o CASTELEIRO, cada vez mais uma Terra com Futuro!

O Borda D´Água

O BORDA D´ÁGUA é o almanaque mais antigo de que há memória; é um reportório útil a toda a gente contendo todos os dados astronómicos, religiosos e muitas indicações úteis de interesse geral. É editado desde 1929 pela Editorial Minerva. Faz já 81 anos.
Desde muito cedo que o homem soube interpretar a previsão do tempo. Ainda hoje encontramos pessoas idosas que, olhando para os Astros formulam as suas hipóteses e condicionam, em função disso, os seus afazeres do dia seguinte.
Se quisermos ir mais longe, através da sabedoria popular, ou mesmo de testemunhos ainda vivos, é possível encontrar previsões do tempo, mesmo para o ano inteiro. O povo, através dos sinais que os Astros lhes forneciam, e do tempo que fazia nos primeiros 12 dias de Janeiro, em algumas localidades, e nos primeiros 13 dias de Agosto – no Casteleiro (o dia 1 de Agosto, dizia-se que o Governo tirava-o para ele...já nessa altura o governo não dava, tirava!) conseguia criar uma previsão para o ano inteiro. Nestes casos, o tempo que fazia em cada dia, correspondia a cada mês do ano.
Hoje, através de sofisticada tecnologia, é possível fazer previsões a médio e a longo prazo, com uma mínima margem de erro.
Outros tempos!... muito longe do tempo em que o Almanaque nasceu.



"A Minha Rua", espaço de opinião de autoria de Joaquim Gouveia

10/04/2010

O meu fascínio pelas cegonhas

Sempre, desde que me conheço, caminhei diariamente, para casa da minha avó materna. Era lá muito acarinhada, e por isso sentia-me muito bem naquele ambiente familiar. Foi lá que, para lá de muitas outras coisas, aprendi a gostar de cegonhas.
A casa da minha avó era um lugar privilegiado para observar a azáfama que então começava. Tinha um balcão solarengo virado para a torre, que era a «casa» escolhida por elas há muito tempo. Dali, a observação era perfeita.
Chegavam com a primavera. Depois de descansarem, começava o trabalho. O ninho que então tinham deixado, precisava de obras e isso era prioritário. Era vê-las num corrupio, acarretando pauzinhos de vide, restos de palha, e tudo o que achavam útil, para aconchegar o ninho que iria receber os ovos, e mais tarde os filhotes.
Era aí que eu me deliciava com a graça e organização daqueles bichos, apetecia-me dizer que quem dera a muitos humanos! O trabalho era organizado em equipa. Logo que os ovos começavam a ser chocados, ora o macho ora a fêmea percorriam os arredores à procura de alimentos. Quando os bebés nasciam, os cuidados redobravam, o casal revezava-se para os alimentar. Era um momento bonito, quando as cabecitas, com os seus bicos compridos e bem abertos, apareciam para apanhar os alimentos que os seus progenitores lhes levavam. Mãe e pai responsáveis e incansáveis nos cuidados a prestarem. Seguiam-se os primeiros ensaios de voo. Aquele bailado era conduzido com a perícia dos artistas, àquele cenário em conjunto com o silêncio da aldeia, só faltava juntar uma música clássica e imaginarmo-nos num local de sonho.
Ainda hoje não sei por que é que o ninho das cegonhas desapareceu.
Não acredito que fosse maldade. Ignorância…talvez.
Sempre que vou ao Casteleiro e passo no Fundão delicio-me com a colónia enorme que agora se encontra à saída.
Apesar de tudo, quando olho para a torre que me acompanhou durante tantos anos, não posso deixar de sentir pena, e nostalgia. As cegonhas levavam vida e alegria à aldeia.
Fazem falta os comentários: «Olha! As cegonhas chegaram!».
Já que mais não fosse, para as pessoas comunicarem.





Texto de autoria de Maria Dulce Martins

07/04/2010

Biodiversidade para todos

No outro dia escrevia neste post, sobre conhecer a fauna e flora do Casteleiro, com a ideia que em breve vamos começar a descrever as espécies que podemos encontrar pela freguesia.
Dei o titulo de biodiversidade para todos por duas razões: a primeira é que este ano se assinala o ano internacional da biodiversidade, no decorrer do qual serão realizadas várias actividades sobre a biodiversidade, algumas para sensibilizar, outras de caracter cientifico para estudar algumas áreas de conservação das espécies e habitats, e a segunda porque encontrei na internet uma nova associação com a designação “Biodiversity4all”, que podem ver aqui. Esta associação pretende juntar o maior número de participantes para registar as observações. Existe uma grande lacuna a nível nacional de registo de biodiversidade a nível de fauna e ainda mais de flora, embora existam regiões onde se efectuaram estudos que ainda prosseguem.
Eu já estou registado e efectuei três registos na freguesia mas espero que este numero vá aumentando. Seria interessante a colaboração de todos por forma a aumentar este número de observações na fresguesia. Assim, apelo à participação de todos e desafio mesmo o Centro de Animação Cultural do Casteleiro a desenvolver uma actividade no âmbito do ano internacional da biodiversidade.
Boas observações, e vamos lá colocar a freguesia no mapa deste projectos que são gratuitos e podem trazer frutos no futuro....





"Ambiente agrícola e espaço florestal"
espaço de opinião de autoria de Ricardo Nabais

04/04/2010

Páscoa “peseach”

A Páscoa é um dos mais importantes marcos históricos para os cristãos. Comemora a Ressurreição de Jesus Cristo, ao terceiro dia da sua morte, o que ocorreu na era cristã 30 ou 33 anos. A palavra Páscoa tem origem no hebraico “Peseach” o que significa passagem, transição.

Ao falar de Páscoa, vem-me à mente a minha infância. Era uma azáfama na limpeza e embelezamento das casas e das ruas do Casteleiro. A casa, porque tinha passado o Inverno, as lareiras deitavam fumo que se entranhava em todos os cantos, por isso exigiam uma limpeza profunda. Além disso recebíamos o sacerdote da aldeia na visita pascal, e era de bom-tom que tudo estivesse impecável. A minha rua era enfeitada pela ti Jusvina e pelos mais jovens, o que nos dava muita alegria. Fazíamos arcos de ramos de palmeira, cortados na quinta da D. Maria do Céu, assim como tapetes de rosmaninho e flores, para passar a procissão. Era a altura em que as flores começavam a despontar nos campos, em que as crianças corriam com uma alegria efusiva à procura das flores designadas por campainhas, jasmim e camélias entre outras. Quando da visita pascal, as pequenas flores de jasmim, que exalavam um perfume delicioso, eram colocadas num prato para cobrirem as moedas, que então eram recolhidas pelo sacristão quando da visita pascal.
Entre os miúdos, quem tivesse mais flores repartia com os outros. Não me esquece a pequena Maria Lt. que não pronunciava os “q e c” substituía-os por “t”. Gritava ela para nós, os outros miúdos “tem ter fitas e tampainhas”. Nós, malandrinhos, respondíamos para a imitar, com a mesma troca de letras “tero eu, tero eu” e riamos e corríamos com grande alarido.
De Lisboa os amigos dos pais, sobretudo o Manuel Figueiredo, presenteava-nos a mim e à minha irmã com amêndoas de açúcar, algumas de formas estranhas, entre as quais em forma de bebé, recheadas de licor, o que era uma raridade para a época, apesar de no século XVIII os confeiteiros franceses já confeccionarem ovos de chocolate.
Mais tarde, adolescente, pintava com tintas bem garridas e desenhos vistosos os ovos, depois de cozidos, para enfeitar a mesa de Páscoa. Os ovos que pintava, não eram os ovos do rei Eduardo I banhados a ouro e decorados com pedras preciosas, mas mesmo assim, davam-me muita satisfação. Simbolizavam o início da vida, associada à Primavera.

Que o Círio da Páscoa, vela que se acende no Sábado de Aleluia e simboliza a luz dos povos, nos ajude a reencontrar os melhores caminhos para a nossa terra, com a nossa junta de freguesia e colaboração de todos. São estes os nossos votos.


Texto de autoria de Mariazinha Guerra

Novos Orgãos Sociais do Centro Cultural


O Centro de Animação Cultural do Casteleiro reuniu ontem, sábado, a Assembleia Geral Eleitoral. Os cerca de trinta sócios presentes elegeram os novos orgãos sociais para os próximos dois anos:

Assembleia Geral
Presidente - Daniel Augusto Machado
1ª Secretário - Beatriz Conceição Costa Nabais
2º Secretário - José Manuel Antunes Gonçalves

Suplentes
- Ismael Valentim Gonçalves Martins
- Manuel Esteves Leal

Conselho Fiscal
Presidente - Ismael Martins
Secretário - Rui Augusto Teixeira Proença
Vogal - Vitorino dos Reis Cantinhas Fortuna

Direcção
Presidente - Albertino Machado Lopes
Secretário - Ricardo Miguel Fortuna Marques
Tesoureiro - Sérgio Daniel Ramos Ribeiro

Suplentes
- Bruno Ricardo Tavares Antunes
- Pedro Ricardo Felix Soares


31/03/2010

Vem aí a Páscoa

Com o flagelo de terramotos, sismos, tsunamis, tornados, enxurradas, terrorismos, mortes, guerras e guerrinhas e após o Carnaval de três dias de folia, vem a Quaresma, tempo de reflexão para a preparação da Páscoa que se aproxima.
Vem aí a Páscoa, e ainda bem, porque Páscoa é a Ressurreição de Cristo; é tempo de repicar os sinos, de aleluia e de alegria; é tempo de boas-festas, de folares e amêndoas; é tempo de flores, de vida e luz.
Há, no entanto, quem afirme que a Páscoa era uma primitiva festa de pastores nómadas e que já os Cananeus a celebravam no começo das ceifas; outros dizem tratar-se de festejos a assinalar o fim da época das chuvas e começo da época primaveril.
Muito mais tarde, porém, passou a assinalar o êxodo dos Israelitas da escravidão do Egipto, através do deserto, rumo à Terra Prometida, precedida da imolação de um cordeiro ou de um cabrito, cujo sangue, assinalado nas portas das casas do povo eleito, evitava assim a morte dos filhos primogénitos.
Jesus Cristo, como judeu cumpridor, não deixou de celebrar esse ritual a que, na última Páscoa da Sua vida terrena, juntou, na véspera da Sua Paixão e Morte, um novo rito, ordenando aos Seus discípulos que esse gesto fosse repetido até ao fim dos tempos. Assim nasceu a Páscoa Cristã, a imortalizar, para sempre, a entrega do Senhor para resgate da humanidade.
Os Hebreus, ao prepararem a celebração da Páscoa, deitavam fora todo e qualquer resíduo de pão velho, fermentado, para comerem na ceia pascal o pão ázimo, sem fermento e sem sal, sinal da libertação da escravidão no Egipto.
Duma maneira mais lata, também os nossos antepassados faziam com esmero e a preceito a limpeza das casas, para ser apresentada a Cristo, aquando da aspersão da água pascal, uma casa limpa e resplandecente, uma casa nova.
Resumidamente, se para os Hebreus a Páscoa é uma festa anual, a perpetuar a sua saída da escravidão do Egipto para a Terra Prometida, para os Cristãos é a Ressurreição de Cristo ao terceiro dia, após a Sua morte no Calvário e com Ele a nossa Ressurreição; é a vitória do Bem sobre o Mal; da Luz sobre as Trevas; da Vida sobre a Morte; é um convite para vivermos agora e sempre as alegrias da Aleluia.
BOAS-FESTAS.






"Daqui Viseu", espaço de opinião de autoria de Daniel Machado

"J’ai tué mon mari"

José Loureiro, 29 anos, natural do Casteleiro, foi morto em França na localidade de Morsang-sur-Orge. O crime terá sido cometido pela sua mulher, Natália, de 26 anos.
Leia a notícia aqui.

29/03/2010

21 de Março - Dia Mundial da Poesia


As palavras

São como cristal,
as palavras.

Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.
Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:

barcos ou beijos,
as águas estremecem.
Desamparadas, inocentes,
leves.

Tecidas são de luz
e são a noite.

E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.

Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?

Eugénio de Andrade



(post enviado por Joaquim Gouveia)

25/03/2010

A Primavera chegou!






Entrou no passado Sábado, dia 20 de Março, pelas 17:38 horas, a estação do ano mais bonita que podemos ter a seguir a um Inverno chuvoso e frio e que nos brindou com alguns mantos brancos de geada e neve.
Os mais atentos já devem ter reparado na árvores de fruto que estão a dar o ar da sua graça, com as suas flores rosadas e brancas, entre amendoeiras, pessegueiros e abrunheiros. São as chamadas de fruto com caroço, que começam nesta nova estação e iniciam mais um ciclo de flor, folhas e fruto, para podermos degostar no final da primavera, início do Verão.
Existem espécies que precisam de dois exemplares diferentes para haver polonização das flores que mais tarde vão originar o fruto. A espécie mais conhecida deste caso é o kiwi que, dizem, ser um exemplar masculino para dois exemplares femininos. A polonização não é mais que: o polén masculino fecunda o feminino, podendo ocorrer de várias formas, através do vento ou dos insectos. Um dos insectos mais importantes para a polonização são as abelhas que andam sempre de flor em flor à procura do melhor nectar, transportando o polén de umas flores para outras sem se aperceberem que estão ajudar a continuidade da biodiversidade e da humanidade.



"Ambiente agrícola e espaço florestal"
espaço de opinião de autoria de Ricardo Nabais

24/03/2010

Jardineiros de palmo e meio




Cerca de 100 jovens, alunos do 1º ciclo de escolas do concelho do Sabugal, estiveram ontem no Casteleiro para plantar 300 árvores, nomeadamente carvalhos e pinheiros.
Esta iniciativa da Câmara Municipal do Sabugal, que se prolonga por toda a semana em freguesias atingidas pelos incêndios do último Verão, tem por objectivo a sensibilização ambiental dos mais jovens, replantando espécies de árvores autóctones.

21/03/2010

Memórias Paroquiais do Castelleyro (2)

Prossigo hoje a publicação das Memórias Paroquiais do Casteleiro (1758), escritas pelo Cura de então, Manuel Pires Leal. O questionário, já publicado, pode ser visto aqui.

8- O pároco é cura e apresentado pelo reverendo vigário da dita vila de Sortelha por ser anexa da igreja matriz de Santa Maria da mesma vila a qual pertençe a El Rei. Tem de rendimento vinte mil réis.
9- Nada.
10-Nada.
11-Nada.
12-Nada.
13- Tem quatro ermidas. Uma de S. Sebastião, esta está fora do lugar quase cem passos, e outra do Divino Espírito Santo, esta está dentro do lugar, e outra de Santa Ana, esta está fora do lugar à distância de meia légua, e outra de S. Francisco que está fora do lugar quase trinta passos e nela está erecta a irmandade dos terceiros, sujeita ao convento de Santo António da vila de Penamacor e todas estam sujeitas à igreja matriz do dito lugar de Casteleiro.
14- À ermida de Santa Ana costumam os moradores do mesmo povo fazer romagem em dois dias do ano: um em dia de Santa Cruz, a três de Maio, e outro no terceiro dia das ladainhas do dito mês de Maio, e nesta data e em todas as mais acima nomeadas se costuma dizer missa.
15- Os frutos que nesta terra se colhem em maior abundância são centeio vinho e azeite castanha e linho, mas esta maior abundância apenas...a terras fortes.
16- Está sujeita aos juízes ordinários da vila de Sortelha e nela está este ano servindo um juíz ordinário por se costumar fazer um da vila e outro da terra....vereador e todos os anos tem dois juízes, oficiais da câmara da dita vila.
17-Nada.
18-Nada por ser gente muito rústica e não se lembrarem de memória alguma.
19 Nada.
20-Não tem correio, serve-se do correio de Penamacor que dista daqui três léguas.
21-Dista da cidade da Guarda, capital deste bispado, seis léguas e de Lisboa capital do Reino dista quarenta e três.
22-Nada.
23-Nada.
24-Nada.
25-Nada.
26-Não padeceu ruína alguma no terramoto de 1755.






"Reduto", espaço de crónica semanal de autoria de António Marques

17/03/2010

FESTA DA CAÇA - Dias 1 e 2 de Maio

(clique para ampliar)

A primeira edição da “Festa da Caça do Casteleiro” realiza-se já nos próximos dias 1 e 2 de Maio, uma iniciativa da Junta de Freguesia que pretende potenciar o desenvolvimento sustentado da Aldeia.
Esta iniciativa tem ainda por objectivo vir a constituir-se, pela sua repetição anual, como pólo de atractividade e alavanca decisiva no combate à progressiva desertificação a que temos vindo a assistir nos últimos anos, apostando nas vertentes cultural, de animação, valorização do património e dos produtos locais, bem como de outros recursos existentes.
Um programa de qualidade e diversificado, quer a nível da sua estrutura base, quer dos intervenientes, foi uma das apostas assumidas pela Junta de Freguesia. Assim, a Festa vai desenrolar-se e ocupar todos os largos da Aldeia: Largo de S. Francisco, Largo do Chafariz das Duas Bicas, Largo do Reduto, Largo da Praça, Largo do Terreiro da Fonte e Largo da Estalagem. Durante os dois dias da Festa, irão decorrer actividades temáticas em todos os Largos.
Para a realização deste evento, a Junta de Freguesia conta com o apoio decisivo do Clube de Caça e Pesca do Casteleiro e ainda da Câmara Municipal do Sabugal, Empresa Municipal Sabugal +, Federação de Caça e Pesca da Beira Interior e o patrocínio do RaiHotel (Sabugal).
Dias 1 e 2 de Maio, todos os caminhos vão dar ao Casteleiro.

Vamos, todos, fazer da Festa, uma Grande Festa!


11/03/2010

Acordeão. Que saudades!

Nos meus tempos de menina, lembro-me, o domingo era um dia especial. Porquê? Porque nesse dia, para lá de outras coisas, havia bailarico.
Um bailarico dos antigos, entenda-se, não daqueles que se fazem agora nas discotecas, tudo ao molho, com ruído ensurdecedor, com copos cheios de álcool e, por vezes, outras substâncias à mistura. Nessa altura, não precisavam disso para serem felizes.
Chegava-lhes um acordeão, um acordeonista, e espaço ao ar livre.
Só mais tarde, já a tender para os costumes de hoje, se começaram a usar espaços fechados.
Havia um grupo que tinha a tarefa de contratar o acordeonista com antecedência pois, na altura, a procura era muita.
Chegado o dia, esperava-se o artista, quase em clima de festa. Bebido o copito da praxe, dava-se início à primeira ronda (uma volta pela aldeia, a tocar). Aos primeiros acordes, instalava-se um clima de boa disposição, com muita gente a espreitar às portas e às janelas, para ouvirem as «modas» que na altura faziam as delícias de todos. O acordeão quase falava, tal era o empenhamento do intérprete.
Depois de correr a aldeia a tocar para chamar os participantes, sentava-se no Terreiro de S. Francisco num lugar de destaque, e tocava…tocava…
Era então que os primeiros pares avançavam entusiasmados, bamboleando-se para cá e para lá, com o coração a palpitar, muitas vezes de amor; um amor que para alguns já estava em gestação e era ali que se concretizava. A música, a proximidade, a descontracção, ajudavam a desinibir e a dar o primeiro passo.
Ainda me lembro da habilidade de alguns pares, a deslizarem ao som de toda a espécie de ritmos, com as saias esvoaçando, e os pés quase a não tocarem o chão. Tudo isto, alem do divertimento, era também uma forma de convívio. Havia um ou outro que, para ganhar coragem, bebia um copito a mais, para assim se desinibir e então se divertir.
O acordeão fazia milagres! Movimentava toda a aldeia, que se concentrava no Largo (de S. Francisco). Uns a dançar, outros a ver e a gozar o momento. Era um divertimento até às tantas.
A noite terminava com os corpos moídos, mas felizes. Tudo acabava com mais uma ronda, já altas horas. Já em casa, no silêncio, ouvia-se não só o som inconfundível e bonito do acordeão, mas também um coro de vozes cantando entusiasmadas. Era uma sensação boa, o corpo pedia mais, apesar do cansaço, e o coração estava feliz.
Era tempo de terminar, e acompanhar o acordeonista ao meio de transporte, que o levaria ao seu destino.
O dia seguinte era dia de trabalho, que às vezes era árduo. Provavelmente na semana seguinte havia mais.
Que tal uma experiência destas um dia destes?...





Texto de autoria de Maria Dulce Martins

10/03/2010

Dia Internacional da Mulher

Sabia que, no dia 8 de Fevereiro, se comemorou o “Dia Internacional da Mulher”?
E como é que as mulheres o conseguiram?
É o que vamos saber:
Comemorou-se, no dia 8 de Março o “Dia Internacional da Mulher” que, após uma árdua e difícil luta pela igualdade de direitos e deveres, a mulher viu-o a ser reconhecido, no dia 8 de Março de 1975, pelas Nações Unidas.
Não foi fácil que a “Declaração dos Direitos do Homem” fosse aplicada às mulheres, pedido este formulado no fim do século XX, após os protestos sobre as condições de trabalho e reduzidos salários das mulheres empregadas em fábricas de vestuário e indústria têxtil, em 8 de Março de 1857, em Nova Iorque. Ao entrarem em greve, neste dia, as operárias foram fechadas na fábrica, onde, num incêndio deflagrado, 130 morreram queimadas. Em 1910, porém, numa conferência internacional de mulheres, realizada na Dinamarca, em homenagem a todas as mulheres que lutaram pela igualdade de direitos, em especial, àquelas heróicas operárias, foi decidido comemorar o dia 8 de Março como “Dia Internacional da Mulher.”
De então para cá, de luta após luta, foi graças a essas martirizadas mulheres que, pelo menos formalmente, existe actualmente uma igualdade de tratamento, reconhecida em Carta Magna, a permitir que a mulher tenha acesso a qualquer trabalho, realizado pelo homem e que se comemore o dia 8 de Março desde 1975, como “Dia Internacional da Mulher.”





"Daqui Viseu", espaço de opinião de autoria de Daniel Machado

07/03/2010

Viver Casteleiro no Facebook

As redes sociais desempenham cada vez mais um valioso papel na área da comunicação. O Viver Casteleiro passa agora a marcar presença no Facebook, alargando assim os horizontes de divulgação da Freguesia.

04/03/2010

A recuperação lenta da área ardida

No fim de semana passado, numa das noites, encontrei um porco espinho numa estrada da nossa freguesia. Quase que o ia atropelando, mas consegui desviar a tempo. Parei para confirmar se ainda estava vivo e tirei uma foto.
Curioso que, mal sentiu a minha aproximação, enrolou-se todo para se proteger, movia-se lentamente tipo um caracol.
É bom encontrarmos estes animais, é sinal que o ecossistema está a recuperar do incêndio e que existem sobreviventes que vão colonizar novamente o espaço.
O ano tem sido chuvoso, o que não ajuda muito para áreas ardidas, uma vez que está a lavar as cinzas e a levar o banco de sementes que ainda poderia existir no solo.
Se encontrarem mais bicharada comuniquem, para irmos acompanhando a recuperação da área ardida.
A nível de flora também já se começam a ver algumas espécies a florir. Ficará para outro post.



"Ambiente agrícola e espaço florestal"
espaço de opinião de autoria de Ricardo Nabais