19/02/2010

Casteleiro: terra de volfrâmio (III)

Último «capítulo» sobre o volfrâmio na nossa terra: 1 – demonstrar a importância social que teve este fenómeno na aldeia e nas aldeias vizinhas e 2 – trazer aqui a memória de quem eram os intermediários e a quem os mesmos vendiam o tungsténio (volfrâmio) e o estanho, que ia quase sempre em conjunto. Finalmente, 3 – onde era «separado» o minério por aquecimento em «fornos».

1
Já sabemos que quase toda a gente da aldeia andava nesta espécie de safra. Isso quer dizer que poucas famílias ficaram de fora do fenómeno. Sabemos também que para os preços da época o minério era muito bem pago. Muitas pessoas me repetiram ao longo de décadas que livraram as suas famílias de apertos e até de dívidas. Algumas pessoas jovens puderam inclusive dar o dinheiro do minério aos seus pais e estes compraram com essa soma semanal coisas tão importantes como uma junta de vacas ou um carro de bois. São factos que me têm sido sempre referidos.
Concluo portanto que do ponto de vista sócio-económico, poucos fenómenos beneficiaram tanto aquelas gerações como o minério.
Comparo sempre o que aconteceu naquela meia década (1938-1943, época forte do minério) com aquilo que se passou mais tarde com a emigração: esta também afectou quase todas as famílias e trouxe a toda a aldeia grandes benefícios – a par de muitos traumas e problemas de outro tipo. Mas do ponto de vista do rendimento familiar foi muito vantajoso para quase todas as famílias, também.

2
O minério era apanhado e limpo no campo de recolha e, ao final da semana, era vendido a intermediários que apareciam no Casteleiro e depois o transaccionavam para terceiros de modo a que o minério fosse no final parar às mãos de ingleses e de italianos.
No Casteleiro operava uma grande «companhia» (empresa) de recolha: era a «Companhia do Barreiros», um familiar do Dr. Guerra, que era também das Inguias e que aqui veio fazer mais fortuna, dando trabalho mas explorando quem contratava, como era da norma.
Muita gente trabalhou nessa companhia.
Mas muita gente trabalhava por conta própria e depois vendia o produto aos intermediários. Estes chegavam das proximidades da Covilhã mas também do Vale de Lobo (hoje, Vale da Senhora da Póvoa).

3
A principal separadora com fornos mais modernos e maiores, a dos «Italianos», no Casteleiro (no local onde hoje fica o Café Estrela) nem sequer chegou a funcionar porque a guerra acabou para o país dos donos das instalações (a Itália foi ocupada pelos Aliados em 1943).
Mas ali mesmo, ao canto da vinha que havia ao lado, mesmo em frente do portão do Sr. José Azevedo (Zezinho Azevedo), havia um forno não muito grande mas que aqueceu e «separou» muito minério durante dois ou três anos. Era ao fundo da vinha que referi, mesmo à beirinha da estrada.
E no Terreiro das Bruxas sempre funcionou também uma separadora.

Naqueles anos, o minério era tão dominante e absorvente como o ouro do Brasil o fora 70 ou 80 anos antes no País. As pessoas, algumas pessoas, estavam tão embevecidas com as notas que saltavam no bolso que se contam histórias loucas. Por exemplo e sem que possa ser confirmado: um dia, um grupo de «mineristas» do Vale de Lobo vinha no comboio depois de uma viagem a Lisboa para gozarem a vida e, à conversa com o revisor, gabavam-se das notas no bolso. O revisor, malandro, ofereceu-se para então lhes vender o comboio… Consta que o compraram ali mesmo e o pagaram… Mas nunca mais terão visto o revisor, claro, para lhes entregar a «mercadoria»…
Divirtam-se.
Boa noite!





"Memória", espaço de opinião de autoria de José Carlos Mendes

16/02/2010

Junta faz oferta ao Lar de S. Salvador


A Junta de Freguesia de Casteleiro fez hoje, terça-feira, a oferta de um computador ao Lar de São Salvador. Esta instituição, a maior empregadora da aldeia, tem vindo a desenvolver um notável trabalho em prol dos nossos seniores. Com esta oferta, a Junta pretende demonstrar o seu reconhecimento pela solidária acção realizada e disponibilizar-se para apoiar futuras iniciativas.

Forte nevão no Casteleiro

Em tempo de Carnaval, o Casteleiro acordou na segunda-feira completamente vestido de branco. O nosso amigo Daniel Machado fez a reportagem fotográfica.






14/02/2010

A tradição cumpriu-se!

Hoje, domingo de Carnaval, o Largo de São Francisco acolheu o retomar de uma velha tradição: o Testamento do Galo. Muitos foram os que compareceram para acompanhar a leitura do testamento feita pelos mais jovens. No final, o Galo foi oferecido à Prof. Fernanda Paiva, ensaiadora e catequista dos jovens.
Veja os videos.



Ciclistas sem frio

Apesar do frio que se fez sentir, um grupo de ciclistas da Covilhã passou hoje, bem cedo, no Casteleiro. Aproveitaram para registar o momento e publicaram no blog. Veja aqui.

12/02/2010

Dia dos Namorados

Reza a história que, na Roma Antiga, o Imperador Cláudio II, convicto de que os homens solteiros eram melhores combatentes, proibiu os casamentos dos soldados durante as guerras.
O Bispo Valentim lutou contra tal proibição e, não obedecendo às ordens do Imperador, continuou a celebrar os casamentos, razão porque foi condenado à morte.
Na prisão, enquanto aguardava a execução da sentença de morte, “apaixonou-se” por uma filha cega do carcereiro e, milagrosamente, devolveu-lhe a visão.
Antes, porém, de ser executado, no dia 14 de Fevereiro, o Bispo Valentim escreveu uma mensagem para ela, na qual assinou assim: “Do seu Valentim”.
A partir desta data começou a celebrar-se, no dia de São Valentim, 14 de Fevereiro – O Dia dos Namorados – com a troca de cartas de amor e presentes, passando agora também a oferecer-se lembranças alusivas, ramos de flores ou uma simples flor com dedicatória de amor.






"Daqui Viseu", espaço de opinião de autoria de Daniel Machado

10/02/2010

Que Viva a Festa!

Como é de tradição, os mordomos da Festa de Stº António reunem-se no início do ano para cantar as Janeiras. Este ano, não havendo mordomos até há poucos dias, chegou a temer-se pela realização da Festa.
Mas, afinal, vai haver Festa!!
Um grupo de amigos decidiu pôr mãos à obra e os preparativos estão já a decorrer. Por isso, e só por agora se ter decidido fazer a tradicional festa, vamos cantar as Janeiras...
A comissão de festas pede a colaboração de toda a população. As Janeiras, embora fora da época habitual, vão realizar-se este Sábado (dia 13) a partir das 18:30H.
A Comissão de festas informa ainda que todos os que queiram colaborar são bem vindos!
Junte-se a nós a realizar esta tradição...


A Comisão de Festas:
Beatriz Costa/ Sérgio Ribeiro
Ricardo Fortuna
Bruno Antunes
Filipe Costa/ Isabel Marques
Carlos Nabais (B.A)

06/02/2010

Quando os Carnavais eram Entrudos…

O mês de Fevereiro está aí e com ele o Carnaval que, em tempos idos, era sinónimo de festa e boas comidas. No Casteleiro, por feliz iniciativa da Junta, vai-se recriar o «Testamento do Galo». E há outras tradições engraçadas.
Em tempos, por esta altura, os mais abastados tinham acabado de fazer as matanças e as arcas, então de madeira e cheias de sal, guardavam quase carinhosamente tudo ou quase tudo o que o porco dava.
Na noite de segunda para terça, chorava-se o Entrudo: se alguém caía na rua, era certo e sabido que a envergonhavam nessa noite. Um homem, de funil, contava em tom jocoso, ridicularizando o sucedido, que a pessoa tinha caído:
- Não tem vergonha! Uuuuuh! A menina Fulana não tem vergonha andar a cair no meio da rua…
Às vezes a coisa era mais séria e até dava para o torto.

Terça-feira de Entrudo
Chegado o dia, era ver os panelões cheios das mais saborosas iguarias: do pé de porco, à orelha e ao chouriço de ossos, por exemplo.
Depois de bem comidos e alguns bem bebidos, saíam à rua para ver os entrudos passar.
Era aí que, no meio da algazarra, surgiam duas ou três figuras emblemáticas, que se destacavam pelos adereços: um burro manso e velho que era enfeitado com todas as velharias que houvesse lá por casa, um chapéu de chuva velho e uns vestidos.
Os criativos, José Balbino e irmão, travestiam-se com as roupas femininas que tinham à mão, preocupando-se com arranjar os artifícios apropriados, que simulavam os atributos femininos.
Cena de uma ingenuidade que hoje dá ternura…
Montado o cenário, lá iam eles aldeia fora, juntando à sua volta crianças e alguns adultos, que riam a bandeiras despregadas.
Um, sentado no burro, o outro, «zanzando» à volta, metendo medo à criançada, que fugia, fingindo que tinha medo, para logo voltar a pedir mais.
Era neste ambiente de partilha e envolvência, que toda a gente assistia ao espectáculo, cujo tema não mudava muito de ano para ano, excepto uma ou outra lenga-lenga dita com muita graça, mas sem conteúdo ou maldade. Tinha só a intenção de divertir.
E os «comediantes» conseguiam-no, porque no ano seguinte, lá estavam outra vez, actores e espectadores no mesmo teatro de rua para se divertirem desde as 10 até a noite cair.
Havia um pequeno pormenor para os dois comediantes: como a brincadeira era acompanhada de copos, o regresso a casa era feito em ziguezague e ao trambolhão, até chegarem a casa, onde as suas Marias os esperavam, já habituadas a estes rituais do Entrudo.
Havia um deles, que era todo mimos e, ao chegar, fazia:
- «PUM!», como se disparasse um tiro.
E como ela não reagisse, soltava:
- Então, Mariazinha? Não te sobressaltaste, meu amor?
Após isto, acredito que caía na cama e sonhava com o carnaval do ano seguinte.







Texto de autoria de Maria Dulce Martins

03/02/2010

As nossas "Terras Quentes"

As Freguesias da Bendada, Casteleiro, Moita, Santo Estevão e Sortelha, acordaram associar-se. A designação será “Terras Quentes”. E será a primeira do género no Concelho.
Independentemente de outros, o objectivo comum é fazer da união força. A força necessária para desbravar o caminho que todos ambicionamos: combater a desertificação, dinamizar a região, enfim, lutar contra a morte destas aldeias, há muitos anos anunciada!
Politicamente, a Associação terá força. Será uma voz activa junto do poder local e central, munida da legitimidade que as populações lhe transmitem.
Acredito que este passo poderá, a curto prazo, dar frutos relevantes para a região.
E o Casteleiro orgulha-se de ter contribuído, desde a primeira hora, para esta nova realidade!






"Reduto", espaço de crónica semanal de autoria de António Marques

02/02/2010

Almoço do bucho junta confrades no Sabugal

No dia 13 de Fevereiro, sábado, a Confraria do Bucho Raiano vai realizar no Sabugal VI Almoço do Bucho, que acontecerá no restaurante Robalo, às 13 horas, antecedido de uma prelecção do escritor e também confrade mestre Jesué Pinharanda Gomes.
«Os Sabores Antigos da Gastronomia Raiana», será o tema da intervenção do escritor quadrazenho, que falará aos confrades evidenciando o valor dos manjares tradicionais da raia sabugalense. A cultura também pode e deve andar de mãos dadas com a gastronomia e é nesse sentido que a lição sobre os sabores antigos surge associada.
Ao meio-dia os confrades juntar-se-ão no salão da Junta de Freguesia do Sabugal, onde será servido um «porto de honra» e entregues os trajes. Aliás este almoço está restringido aos confrades que adquiram o respectivo traje, o qual está a ser confeccionado na empresa Modache, no Sabugal. Abre-se porém a possibilidade de os acompanhantes dos confrades aderentes não envergarem os trajes prescritos nas «usanças».
O almoço será inevitavelmente bucho raiano, guarnecido com grelos de nabo e batata cozida, como ordena a tradição. De entrada haverá pão, azeitonas, chouriço fatiado, morcela e mioleira assada na brasa. A sopa é a do bucho, com grão, hortaliça e massa. Para beber haverá vinho do Dão (Silgueiros), água, refrigerantes e cerveja. De sobremesa poderá recorrer-se ao bufete com arroz doce, papas de milho, farófias, tapioca e aletria, para além de queijo e fruta da época. A finalizar será servido café e bagaço da casa.
Após o almoço, um grupo de confrades animará os ânimos, tocando viola e entoando cantigas tradicionais.
A cerimónia inclui, ainda, a entrega ao proprietário do Restaurante Robalo da certificação de «Restaurante Aconselhado pela Confraria do Bucho Raiano» após a assinatura de um protocolo em que o empresário se compromete a defender sempre a qualidade do bucho servido no seu estabelecimento.
O almoço do bucho está incluído nos Roteiros Gastronómicos, iniciativa da Câmara Municipal do Sabugal a que aderiram 13 restaurantes do concelho.

01/02/2010

"Terras Quentes do Concelho do Sabugal"











As Juntas de Freguesia da Bendada, Casteleiro, Moita, Santo Estevão e Sortelha, em reunião realizada no dia 31 de Janeiro, no Casteleiro, deliberaram iniciar o processo de constituição da Associação de Freguesias “Terras Quentes do Concelho do Sabugal”.

No decurso da reunião, que juntou todos os elementos dos executivos das Juntas das cinco Freguesias, foi constituída uma Comissão Instaladora integrada pelos presidentes de Junta que, nos termos da Lei 175/99, irá promover todas as diligências necessárias à constituição da Associação através de escritura pública.

Com esta iniciativa, pretendem os signatários vir a realizar acções de interesse comum, cooperando e reunindo mais-valias para o desenvolvimento sustentado das suas Freguesias e do território geograficamente contíguo em que se localizam.

Sob o signo do “Azeite”, a Associação de Freguesias “Terras Quentes do Concelho do Sabugal”, será a primeira do género no Concelho do Sabugal.

Associação de Freguesias “Terras Quentes do Concelho do Sabugal”

31/01/2010

Capeia Arraiana entrevista Sandra Fortuna

Reproduzimos aqui a entrevista da Vereadora Sandra Fortuna ao Blog "Capeia Arraiana".

«Encaro a política como um grande desafio», disse-nos a vereadora Sandra Fortuna, recentemente escolhida pelos seus pares para integrar o Conselho de Administração da empresa municipal Sabugal+. Eleita para a Câmara Municipal nas listas do Partido Socialista, Sandra Fortuna, natural do Casteleiro, que com 29 anos é a mais jovem dos vereadores que compõem o actual executivo, sente que as mulheres dão outro ar à política.

– Foi nomeada vogal do Conselho de Administração da Empresa Sabugal+, que será presidido pelo próprio presidente da Câmara Municipal, António Robalo. Como é que se chegou a essa solução, depois de tão longa indefinição quanto ao futuro da empresa?
– De facto, a situação arrastava-se desde há algum tempo mas há decisões que, antes de serem tomadas, devem ser muito bem ponderadas para não se cair em erros graves. Assim, na última reunião e depois de longa e saudável discussão, o executivo aprovou por unanimidade a proposta apresentada pelo presidente da Câmara para a constituição do Conselho de Administração, que será presidido por ele mesmo, sendo eu e a técnica da Câmara Teresa Marques os vogais.
– O que representa para si este novo desafio?
– É um enorme e aliciante desafio. A Sabugal+ pode vir a fazer um trabalho decisivo para o concelho, na medida em que a sua actividade abrange áreas de grande relevância, designadamente a cultura, o desporto e o turismo. São áreas transversais que devem ser encaradas como ferramentas fundamentais na construção de um Concelho que se diferencie pela riqueza da sua cultura, do seu património e nobreza das suas gentes. Há muito trabalho que se pode e deve fazer neste âmbito. Igualmente ao nível das parcerias que se podem estabelecer com outras entidades, para que todos se possam envolver no futuro do concelho. Não posso deixar de esclarecer que os objectivos e a actividade da empresa municipal é decidida pelo executivo da Câmara, a quem cabe igualmente decidir sobre as suas competências.
– Então está a querer dizer que a Sabugal+ deveria ter mais competências?
Considero que a Sabugal+ poderá ter uma influência maior em muitos sectores da estrutura organizacional do Município.
– Como se vai processar a gestão da Sabugal+? Vai ocupar as funções de vogal a tempo inteiro?
– A ideia é gerir a empresa com respeito pelos seus Estatutos, que estipulam a realização de uma reunião mensal, podendo porém o Conselho de Administração reunir extraordinariamente sempre que se justificar. Tenho a certeza que a empresa tem nos seus quadros técnicos competentes que serão uma mais-valia preciosa no funcionamento, no desenvolvimento e na concretização dos objectivos, como referi anteriormente, estipulados pelo executivo da Câmara.
– Considera que esta foi uma solução de recurso, face à impossibilidade de se chegar a um acordo para a nomeação de um técnico experiente para dirigir a empresa?
– Não foi uma solução de recurso. Foi uma solução política e consensual face à composição do actual executivo municipal.
– Considera então que Norberto Manso não merecia ser reconduzido, tal como propunha o presidente da Câmara?
– A questão não se pode colocar dessa forma. O Dr. Norberto Manso era um homem de confiança do anterior executivo e por isso foi nomeado no cargo de presidente da Sabugal+. Era, portanto, um cargo político de nomeação. Como é evidente, o Dr. Norberto não é o homem de confiança da maioria do actual executivo. Importa, no entanto, referir mais uma vez, que o Conselho de Administração cumpre as orientações da Câmara Municipal.
– Está a querer dizer que foi apenas a confiança política que relevou?
– Isso mesmo. Norberto Manso tinha a confiança política do anterior executivo, onde um partido era maioritário e dava as orientações. Actualmente há uma nova realidade, resultante das últimas eleições, e a solução encontrada reflecte a vontade política do executivo que está em funções.
– O Presidente António Robalo acabou por perder politicamente…
– É meu entendimento que ninguém ganhou ou perdeu. A democracia funcionou e formou-se a equipa que o executivo considerou ideal para administrar a empresa. Discutiu-se calma e serenamente e foi encontrada uma solução a contento de todos, realidade que se traduziu na aprovação da proposta por unanimidade.
– Houve momentos de grande tensão nalgumas reuniões em que o assunto foi discutido?
– Julgo que transpareceu para a opinião pública uma ideia errada sobre a forma como as reuniões aconteceram. Posso assegurar que as reuniões até agora realizadas ocorreram com serenidade e com um grande sentido de responsabilidade por parte de todos os intervenientes. Houve um ou outro momento de debate mais vivo, mas sem exaltações e sempre com o máximo respeito de uns pelos outros. A prova disso é que quase tudo o que foi analisado foi aprovado por unanimidade ou, nalguns casos, com a abstenção da oposição. No que se refere aos vereadores do Partido Socialista, sabemos que estamos no executivo como oposição, para que fomos mandatados pelo voto popular, mas fazemo-lo construtivamente e sempre a pensar no futuro do concelho.
– Consigo o PS voltou a ter uma vereadora na Câmara, depois do mandato que entre 2001 e 2005 desempenhou a malograda Lucinda Pires, também do Casteleiro. A Sandra Fortuna sente-se uma seguidora do trabalho político que a professora Lucinda fez no concelho?
– Sinto um enorme orgulho no trabalho da Lucinda Pires no concelho e sobretudo no Casteleiro. Para mim ela será sempre recordada como uma grande figura do concelho do Sabugal. Não sinto que esteja a seguir o seu percurso, porque eu quero seguir o meu próprio caminho. Mas ela é para mim uma referência e lembro-me muitas vezes do percurso que ela teve como presidente de Junta de Freguesia, vereadora, professora e dirigente associativa. O Casteleiro orgulha-se muito dela. Note que a Lucinda foi a única figura da freguesia a quem foi feita uma homenagem pública com a colocação de um busto no largo principal. Ela contribuiu decisivamente para o desenvolvimento da terra que a viu nascer. Nunca a esqueceremos!
– O Capeia Arraiana entrevistou recentemente Delfina Leal, vice-presidente da Câmara, e o José Carlos Lages, que fez a entrevista, disse no final que a política no Sabugal está diferente. Concorda que a presença feminina na vereação da Câmara deu um ar mais cuidado e simpático ao executivo?
– No que me diz respeito, considero que se não me achasse capaz de contribuir para uma melhoria do trabalho do executivo não teria ocupado o lugar de vereadora. Tenho-me empenhado nas funções que agora exerço e o meu desejo é fazer sempre mais e melhor, mas tentando também fazer diferente. As mulheres dão de facto outro ar à política.
– Mas concorda que a maior parte das mulheres estão na política devido à Lei da Paridade, mantendo-se a política como uma actividade dominada pelos homens?
– Efectivamente, os políticos são na sua maioria homens, mas o número de mulheres tem vindo a aumentar sendo esta uma tendência que acredito se virá a acentuar no futuro. Há de facto um percurso a fazer para que as mulheres participem mais activamente na actividade política. As mulheres têm muitas responsabilidades no seu dia a dia, mas articulando todas as tarefas, conseguimos obter um óptimo desempenho. É uma verdade que nada se consegue sem esforço, mas encaro a política como um grande desafio. Estou na política porque gosto e porque considero que posso ser útil nestas funções e por consequência no desenvolvimento do Concelho do Sabugal.
– Sente-se respeitada no seio de um executivo camarário, ainda assim dominado pelos homens?
– Absolutamente. Do pouco tempo que tenho como vereadora posso dizer que o respeito é imenso. Não recordo qualquer situação de desconsideração. Não existe qualquer tipo de desigualdade entre as propostas e os pontos de vista apresentados pelas mulheres ou pelos homens do executivo.
– Os três vereadores eleitos pelo Partido Socialista actuam de forma concertada, como um todo, ou cada um age por si assumindo a sua própria responsabilidade?
– Temos na Câmara pessoas de muito valor, e não falo por mim. O António Dionísio e o Luís Sanches estão ali para trabalhar em favor do Sabugal. Analisam a fundo todos os assuntos e discutem-nos seriamente. O Toni, embora nunca antes tivesse sido vereador, tem uma grande experiência, e é um homem muito coerente e muito rigoroso. Conversamos muitas vezes para acertarmos posições e tentamos agir concertadamente, sempre com uma certeza e um objectivo comum: que é possível construir um Sabugal com futuro!
– A oposição não tem, portanto, sido uma força de bloqueio nas decisões do executivo?
– De maneira nenhuma. Os vereadores eleitos do PS têm demonstrado uma grande responsabilidade, tanto nas votações efectuadas como na apresentação de propostas para a resolução dos assuntos discutidos nas reuniões. Temos a noção clara de que o mais importante é a construção de um concelho melhor para viver e trabalhar. No entanto, compete ao Sr Presidente da Câmara e aos seus colaboradores directos apresentarem os projectos, cabendo-lhe igualmente a responsabilidade se os resultados obtidos não forem os mais positivos.
plb

30/01/2010

Casteleiro: terra de Volfrâmio (parte II)

O prometido é devido. Vamos hoje percorrer os trilhos do volfrâmio e do estanho na nossa terra.
Antes de mais, vou situar os factos: estamos nos cinco anos que medeiam entre 1938 e 1944. São os anos de ouro do minério na nossa terra. Recordo que a II Guerra se prolonga de 39 a 45 e que de um lado estavam os Aliados (ingleses, franceses, soviéticos e americanos) e do outro o Eixo (alemães, italianos e japoneses). Portugal era um país neutro: lidava com todos.
Por isso, estes minérios davam voltas e mais voltas por essa Europa fora mas iam sempre parar às fábricas alemãs e inglesas de armamento (sobretudo canhões, espingardas e balas).
E pensar que uma parte ínfima desses minérios era recolhida ali mesmo no Casteleiro pelos nossos pais… «Só quem era cego e aleijado é que não andava ao minério».
Imaginam como se desenvolvia o processo de recolha? O mais artesanal possível: cavavam-se valas ou escavava-se o leito do ribeiro ou o da ribeira, havia sempre água a correr e assim se «lavava» a terra, deixando escorrer o que era mesmo terra e retendo no crivo as pedras – das quais só se guardavam as que tinham metal agarrado.
Eram essas que constituíam o «ouro» do processo: era o minério!
Depois, a memória da cor de cada um dos metais encontrados na nossa terra.
O estanho na Natureza é cinza clarinho, às vezes com uns veios quase brancos, aqui, no Casteleiro, mas um pouco mais escuro em zonas como Rebelhos ou a Serra da Pena.
Por sua vez, o volfrâmio (recordo o nome científico: tungsténio) é castanho mais para o escuro e por vezes acompanhado de um pó também castanho.

Eis então os locais (se tentarem encontrar lá ainda minério, não fiquem frustrados se não lhe virem nem a cor: deve estar a grandes profundidades hoje, acho eu).
Primeiro os do Casteleiro:
1. Poio – um leirão aqui foi arrendado por 200 escudos por mês para ser todo «eslavaçado» à procura de minério. Saiba, para comparar, que as mulheres nesta tarefa ganhavam cinco a seis escudos por dia (um euro de hoje são 200 escudos de 2004!) e os homens dez a doze escudos por dia (a discriminação não era a brincar: era mesmo a sério).
2. Várzea – num ribeiro que ali havia, mas também nos leirões, em geral nos que não eram cultivados.
3. Gralhais – em leirões.
4. Ribeira da Cal.
5. Valverde («Valverdinho») – a zona mais afastada da freguesia.
6. Vale de Castelões («Balcastelões») –uma zona que foi toda revolteada de baixo para cima e de cima para baixo. «Ao fundo da Serra d’ Opa», diz a minha fonte, «foi tudo explorado».
Depois, referência aos locais de fora do Casteleiro, mas suficientemente próximos para que as pessoas do Casteleiro lá tenham andado às dezenas a explorar minério:
1. Rebelhos;
2. Serra da Pena;
3. Azenha.

No próximo artigo falarei de duas outras vertentes deste processo: dos intermediários que compravam o minério e para quem o compravam e também dos «fornos» ou «separadoras», locais onde o minério era fundido por aquecimento intenso.
Divirtam-se também com estas coisas, por favor.







"Memória", espaço de opinião de autoria de José Carlos Mendes

27/01/2010

O regresso do "Testamento do Galo"

O “Testamento do Galo” vai ouvir-se no Casteleiro cerca de 40 anos depois da sua última realização. No próximo dia 14 de Fevereiro, Domingo Gordo, pelas 15 horas, no Largo de S. Francisco, retoma-se esta antiga e enraizada tradição de sátira popular associada aos festejos do Entrudo.
Esta iniciativa da Junta de Freguesia assinala, simbolicamente, o arranque de um vasto conjunto de eventos a realizar na Aldeia por ocasião de datas festivas, preservando deste modo a sua memória histórica.
Evocar as práticas e valores da nossa cultura é, seguramente, construir um “Casteleiro com Futuro”.
A Junta de Freguesia de Casteleiro convida todos os Casteleirenses a associar-se, com a sua presença, a este regresso do “Testamento do Galo”.

A Junta de Freguesia de Casteleiro

23/01/2010

Sandra Fortuna

A Dr.ª Sandra Fortuna, Veradora da Câmara Municipal do Sabugal e Presidente da Direcção do Lar de S. Salvador do Casteleiro, foi nomeada Vogal do Conselho de Administração da empresa municipal Sabugal +.
A equipa do "Viver Casteleiro" deseja à nossa ilustre conterrânea Sandra, os maiores êxitos nesta sua nova tarefa política e profissional.

21/01/2010

Casteleiro: terra de volfrâmio

A «Memória» exige agora que lhes fale de volfrâmio.
Minério na nossa terra? Sim: há 70 anos, a coisa era bastante séria por aqui…
E será que ainda hoje existe? Bom, a primeira coisa a dizer é que sempre houve e ainda deve haver. Só que os dois metais em causa, estanho e tungsténio (volfrâmio), foram muito procurados pelas grandes potências nos anos da Guerra 39-45 – e hoje não têm qualquer valor, aos níveis em que existem e poderiam ser apanhados na nossa zona: não é rentável…
Mas acrescento que o tungsténio é raro no Mundo e que Portugal é dos países onde ele existe.

1
Não sei se todos os leitores estão conscientes de que o Casteleiro desempenhou à sua dimensão um papel interessante na recolha de dois metais importantes no fabrico de armamento na II Guerra Mundial: estanho e, sobretudo, volfrâmio.
Volfrâmio é o nome popular para o tungsténio.
O estanho, além de anti-corrosivo, é usado no fabrico do bronze – que recobre armas expostas às intempéries (as da Marinha e as da beira-mar, por exemplo).
O volfrâmio é muito duro e era usado no fabrico de balas e de canhões.

2
Talvez também não saibam que muitas pessoas (algumas ainda vivas) ganharam muito dinheiro nessa altura a recolher estes metais nas serranias e nas linhas de água a toda a volta da nossa terra.
Já ouvi mesmo dizer que até ouro se encontrou – mas em muito pequenas quantidades.
Depois de recolhido pelos «mineiros», o metal era vendido a intermediários que o vendiam a italianos e a ingleses.
De seguida, ia ser devidamente tratado e separado em pequenas unidades industriais que existiam aqui na região para depois seguir para o seu destino: as grandes fábricas de armamento existentes na Inglaterra e na Alemanha (o metal comprado pelos italianos era para aí encaminhado, visto que estes eram aliados dos alemães nessa guerra).

3
Num próximo artigo, falarei dos locais e do modelo de exploração destes dois metais no Casteleiro, da sua separação e venda e das consequências nos anos finais e seguintes da II Guerra Mundial (1939-1945).
E talvez lhes fale do dia em que uns tipos do Vale de Lobo perderam a cabeça com tanto dinheiro vivo no bolso feito com o dinheiro do volfrâmio…





"Memória", espaço de opinião de autoria de José Carlos Mendes

19/01/2010

Memórias Paroquiais - Questionário

Para uma melhor compreensão dos textos/respostas das "Memórias Paroquiais do Casteleiro", publicam-se as perguntas do questionário.




17/01/2010

Memórias Paroquiais do Castelleyro (1)

Faz amanhã 252 anos (18 de Janeiro de 1758), o Marquês de Pombal, o então Secretário dos Negócios do Reino Sebastião José de Carvalho e Melo, fazia remeter para todos os párocos do reino um interrogatório sobre as povoações. Nele pedia as suas descrições geográficas, demográficas, históricas, económicas e administrativas, para além da questão dos estragos provocados pelo terramoto de 1 de Novembro de 1755.
As respostas a esse interrogatório, de sessenta perguntas divididas em três grandes áreas (localização, serra e rio), ficaram conhecidas como “Memórias Paroquiais” e constituem até hoje uma das mais importantes fontes de conhecimento histórico de todas as povoações do ponto de vista administrativo, demográfico, estrutura eclesiástica, assistência social, actividades económicas, organização judicial, comunicações, etc.
No que se refere ao Casteleiro, o inquérito foi respondido pelo Cura Manuel Pires Leal e enviado a 25 de Abril de 1758.
Pelo seu valor histórico, e pelo contributo que pode proporcionar a todos sobre o conhecimento do passado do Casteleiro, a partir de hoje irei publicar aqui em diversos capítulos todo o conteúdo das “Memórias Paroquiais do Castelleyro”. Será publicado o original e, para maior facilidade de leitura, igualmente a transcrição em português dos nossos dias.

Castelleyro
1- Está na província da Beira, Bispado da Guarda, Comarca de Castelo Branco, Freguesia do Salvador, anexa de Santa Maria do Castelo da Vila de Sortelha e termo da mesma Vila.
2- É anexa da igreja de Santa Maria da dita vila de Sortelha. Pertençe a El Rei.
3- Tem cento e cinquenta e dois fogos, pessoas de confissão e comunhão trezentas e quarenta e oito; só de confissão setenta e quatro, crianças que ainda não se confessam cento e três, pessoas ao todo quinhentas e vinte cinco.
4- Está situada em Vale; dela se descobre para a parte do Nascente o lugar da Moita, distância de meia légua; para a parte do Norte a Vila de Sortelha à distancia de uma légua.
5- Nada
6- A paróquia está feita no lugar e logo junto às casas, tem uma quinta que chamam Cantargalo tem um morador; e tem outra que chamam do Espirito Santo, tem outro morador.
7- O orago desta freguesia é o Salvador do Mundo, a igreja tem três altares dois da parte do evangelho, um dedicado ao menino deus e outro a Santo António, e da parte da epistola tem outros dois um dedicado a nossa senhora do rosário e outro às almas do purgatório. Naves tem somente o arco da capela mor; e uma irmandade das almas do purgatório; e outra de S. Pedro.





"Reduto", espaço de crónica semanal de autoria de António Marques

14/01/2010

Uma ideia simples: ouvir

Certamente, os leitores mais atentos deste «blog» deram-se conta de um «post» (um artigo, uma inserção e, neste caso, verdadeiramente uma notícia) sobre a constituição e funcionamento de uma estrutura concelhia das juntas de freguesia do Município do Sabugal chamada «Mesa das Freguesias». Se não leu, leia agora. É aqui.
O nosso amigo António José Marques, o Tó Zé, como autarca nº 1 do Casteleiro, é, inclusive, membro desta Mesa, o que, naturalmente, nos deixa satisfeitos e, até, orgulhosos.
Parece-me ser esta uma boa ideia, democrática. E fico contente por isto existir na minha terra, apesar de eu defender a mudança de Concelho e de Distrito – podem aproveitar para ler essa minha tese aqui.
Volto à Mesa das Freguesias.
Devo dizer que uma tal estrutura não existe, por exemplo, na Cidade de Lisboa e nem sequer tenho conhecimento de que exista em qualquer outro município. Falha minha, de certeza.
Esta ideia levou-me a outra: que o Tó Zé possa também, enquanto Presidente da Junta de Freguesia, dar a palavra e ouvir, mesmo que informalmente, os nossos conterrâneos que vivem mais afastados do centro do Casteleiro: na Carrola, em Santo Amaro, na Catraia, em Gralhais…
Uma ideia que nem deve ser original e em que o Tó Zé já deve ter pensado. Mas pode ficar aí como mera sugestão de alguém a quem os mecanismos da democracia participativa interessam muito.





"Memória", espaço de opinião de autoria de José Carlos Mendes

13/01/2010

Renovação da zona de caça

Ontem, 12 de Janeiro, foi publicada em Diário da República a Portaria 33/2010, através da qual o Ministério da Agricultura renova por seis anos a zona de caça municipal do Casteleiro, bem como a respectiva transferência de gestão para o Clube de Caça e Pesca do Casteleiro.

11/01/2010

Presidente da Câmara visitou o Casteleiro

A convite da Junta de Freguesia, o Presidente da Câmara Municipal do Sabugal, António Robalo, visitou hoje o Casteleiro. Durante a manhã, o executivo da Junta apresentou o seu programa de acção para o mandato ora iniciado tendo, no terreno, explicitado os vários projectos que pretende concretizar. Registamos a boa recepção do Engº António Robalo às diversas acções a implementar a curto e médio prazo na Freguesia, algumas só possíveis de realizar com o apoio da Câmara Municipal.

Montaria ao javali

Ontem, domingo, o Clube de Caça e Pesca do Casteleiro promoveu uma montaria ao javali. Com a neve e o frio que se fazia sentir, os destemidos caçadores avançaram bem cedo para a serra. Javalis ninguém viu, mas a jornada valeu pela confraternização do almoço!






Neve no Casteleiro


09/01/2010

A construção da torre do Casteleiro

Esta torre não existia. No topo da Igreja Matriz, o que existia era um campanário muito mais simples e mais baixinho – construído no modelo habitual em todas as Freguesias à data em que fora erigida a Igreja, no fim do século XIX (digamos: em 1890).
O campanário, sem portas, tinha um só sino, como agora na torre, ao contrário do que se conhece de muitas terras: campanários com dois sinos.
No Casteleiro havia outro sino, mais pequeno, uma sineta, mas na Igreja Matriz original: a Capela do Espírito Santo, ao Reduto.
Um aparte: a função do sino numa aldeia era muito importante e não só por motivos religiosos mas também por razões que hoje diríamos de Protecção Civil: quando havia fogo (um incêndio), tocava-se o sino em forma rápida de alarme e era o alerta geral.
Por isso, a grande festa quando, nas vésperas da inauguração da torre nova, o Sr. José Carlos (Mendes Figueiredo), à data Presidente da Junta de Freguesia, escolheu e mandou colocar e experimentar o novo sino (o velho dever ter ido por troca).

O campanário original era tão baixinho e acessível, que os miúdos chegavam a ir para lá brincar. Às vezes até furavam as regras sagradas de não se tocar o sino na Sexta-Feira Santa – e levavam tareia por causa disso…
E acrescento uma nota imaginária, de carácter ecológico: se calhar, era tão baixinho que nem sequer atraía as cegonhas que depois, na minha meninice, nunca deixavam de nos visitar em cada primavera e instalar-se no alto da torre, ao pé do relógio. Coisa que hoje parece que já não fazem, julgo que por causa do aquecimento global – mas podem vir a fazer outra vez. No Fundão, por exemplo, tinham desaparecido e voltaram, para minha delícia de cada vez que ali passo na A23.

Volto à torre.
Dizem-me que sempre fora desejo do Povo ter uma torre maior, com mais dignidade. Uma torre que impusesse o respeito que a terra achava que merecia.
Mas uma torre dessas implicava muito dinheiro.
Era preciso contratar quem a construísse.
Esses pedreiros tinham de vir de fora.
Maior a despesa.
Pois, há cerca de 60 anos, tornou-se realidade esse desejo do Povo da nossa terra: a torre concretizou-se, por negociação feita na altura.
A coisa terá sido falada e negociada ainda no tempo do Senhor Padre Sapinho e acabou por se concretizar e ser inaugurada quando era aqui Pároco o Senhor Padre Campos.

Mas quem, como e porquê fez esta oferta da torre?
Estava-se em 1950.
Daniel Machado já refere no seu livro «Casteleiro», a páginas 151-152, o essencial: foi uma troca.
Parece que nem toda a gente terá estado de acordo, porque o velho campanário era uma relíquia. Mas a conversação fez-se e a torre construiu-se. E lá está ela, altiva e imponente, para os padrões da terra e da época, um orgulho para todos nós. Mandaram-se vir os pedreiros de Alcains, trazidos pelo Sr. Venâncio.
O Povo foi acompanhando a obra magnífica que crescia dia-a-dia e a sua inauguração foi feita em dia de grande festa.

O que é que foi trocado?
A coisa mais importante, pela qual se lutava e até se matava se «necessário» fosse: o direito de passagem.
A situação era a seguinte: estão a ver toda aquela extensão de terras que vai desde as traseiras do Centro Cultural até à Ribeira? Pois isso tudo chama-se «o Alvarcão» e pertencia ao Senhor Manuelzinho Fortuna, que habitava na sua casa grande da rua da Igreja. Mas essas terras tinham um grande senão: é que eram atravessadas pelo Povo para as pessoas acederem aos seus terrenos do outro lado dessa propriedade. Era um vai-vém constante: nesse tempo, toda a gente trabalhava no campo, toda a gente cultivava os seus bocadinhos todos. Portanto, o Alvarcão era devassado, no entender do seu proprietário, que preferiu oferecer a torre a ter de se calar com a passagem permanente de tanta gente pelas suas terras.
A vereda de atravessamento entrava no local exacto onde hoje é o portão de acesso ao que foi um dos mais importantes lagares de azeite do Casteleiro.
Foi pois fechada a dita vereda, que mais parecia um caminho, foi colocado um portão e construído aquele grande muro alto, bem feito, que cerca o Alvarcão todo pelo caminho abaixo até à Ribeira e, depois, já mais baixo, ao longo da Ribeira, para jusante – digamos, na direcção da nascente da Ribeira...
Tudo isso, só possível por troca com a construção da nova torre, nos anos a seguir à 2ª Guerra Mundial.




"Memória", espaço de opinião de autoria de José Carlos Mendes

08/01/2010

Conhecer a fauna e flora do Casteleiro

Olá a todos, mais uma vez espero que 2010 tenha começado bem. Aqui, pelo Viver Casteleiro, vou lançar uma nova temática para interagir com os visitantes.
Sendo eu um apaixonado pela flora, termo que se utiliza para designar plantas herbáceas, arbustos e árvores, já que a fauna designa a parte animal desde os pequenos mamiferos as aves e insectos, tendo depois cada grupo a sua designação especifica, lanço o desafio para quem quiser conhecer alguma espécie de planta ou animal existente na freguesia, ou mesmo fora dela, que me envie fotos ou uma boa descrição, para eu conseguir identificar, e falaremos aqui um pouco de cada uma.
Podendo dar um toque em especial às que tiverem finalidade Aromática e Medicinal designadas PAM.
Que se pretende com este desafio? Dar a conhecer e sensibilizar as pessoas para a diversidade de espécies que podem existir numa determinada área. Chamando atenção para algumas espécies estarem protegidas e não se poderem destruir.
Espero que seja útil este desafio pois, no final de algum tempo, teremos uma listagem de espécies e quem sabe não editaremos um guia para distribuir a quem nos visite.
Quanto às aves é interessante pois há programas a nivel nacional cuja função é registar o primeiro avistamento de espécies migratórias que venham passar uma estação cá ou estejam de passagem nas suas rotas migratórias.
Existe uma associação a nivel nacional designada SPEA – Sociedade Portuguesa do Estudo das Aves http://www.spea.pt/ que concentra esses registos e faz um relatório anual dos avistamentos.
Deixo o blogue dos censos das cegonhas em implementação no distrito da Guarda. http://www.censosdacegonha.blogspot.com/
Existem alguns blogues e sites que podem dar uma ajuda na identificação das espécies. Se alguém estiver interessado eu posso indicar.
Bom Ano a todos.



"Ambiente agrícola e espaço florestal", espaço de opinião de autoria de Ricardo Nabais

07/01/2010

Crianças de Avelar "invadiram" o Casteleiro

Entre os dias 19 e 22 de Dezembro passado a aldeia de Casteleiro foi invadida por um grupo de crianças do CATL 2,3 de Avelar, equipamento social pertencente à Cáritas Diocesana de Coimbra, acompanhadas por dois monitores, um dos quais casteleirense de gema e membro da actual junta de freguesia. Nestes dias ficámos alojados no Centro de Animação Cultural, que amavelmente cedeu as suas instalações.
No dia da partida e antes de rumar ao Casteleiro, fomos visitar a Serra da Estrela, onde alguns dos participantes tiveram pela primeira vez contacto com a neve. Já no Casteleiro, tempo para assistir à apanha da azeitona, tarefa que muitos viram e experimentaram pela primeira vez.
No segundo dia visitámos, o lar “S. Salvador”, levando um pouco da nossa alegria a esta instituição. Aqui não nos podemos esquecer das histórias contadas pela D. Antónia e do lanche que nos foi oferecido. Inesquecíveis na nossa estadia, foram os passeios na burra “Joana”, propriedade do Sr. Armando Plácido, que nos cedeu por alguns instantes este meio de transporte alternativo. À noite, tivemos sorte e felicidade de assistir à queda de neve, possibilitando a realização de algumas brincadeiras.
Os dias aqui passados permitiram aos jovens o contacto com uma realidade diferente da do seu quotidiano, a começar desde logo pelas condições climatéricas a que estão, normalmente, habituados. Mas de gorros, luvas e cachecóis conseguimos espantar o frio e aproveitar o que a natureza nos dá. Um desses exemplos foi o passeio à vila histórica de Sortelha, que só não foi mais proveitosa devido às condições climatéricas que se faziam sentir, principalmente, o nevoeiro que impossibilitou a contemplação da paisagem. No caminho, fizemos uma paragem e visita às ruínas das Termas Águas Radium. Já na padaria do Terreiro das Bruxas confeccionámos os tradicionais “bolinhos dos santos”, um costume da nossa zona aquando do “Dia de Todos os Santos”. Esta doce visita culminou na prova não só dos nossos “bolinhos”, mas também dos deliciosos “esquecidos”.
O último dia da nossa visita foi preenchido com uma visita a um pastor local, o Sr. Abílio, que nos deu a conhecer um pouco do seu ofício e nos recebeu em sua casa como se fossemos da sua família. Antes do regresso a casa, paragem na sede de concelho - Sabugal, onde visitámos o Castelo e o Museu. A nossa visita ao Sabugal envolveu ainda uma visita à Casa do Castelo, onde a proprietária, D. Natália Bispo “Talinha” simpaticamente, nos mostrou um dos ex-líbris desta cidade, ou seja, o altar judaico.
Estes quatro dias passados no interior do país serviram para conhecer melhor esta zona do nosso país e por esse motivo agradecemos a todas as entidades que connosco colaboraram, desde particulares (Sr. Abílio e Sr. Armando Plácido), associativas (CACC) às mais diversas entidades públicas (Câmara Municipal do Sabugal e Junta de Freguesia do Casteleiro) e particulares (Casa do Castelo e Lar S. Salvador). A todos vós o nosso muito obrigado e votos de um próspero 2010.

Centro de ATL 2,3 Avelar

06/01/2010

Janeiras: a tradição

Já que me incentivaram, hoje, e sem pretensões, vou falar das «janeiras».
Tal como o nome diz, as «janeiras» eram uma tradição que acontecia em Janeiro, mês de muito frio, que levava as famílias e amigos para junto das lareiras, onde ficavam conversando das suas vivências e preocupações.
Em algumas casas, para o longo serão passar mais depressa, jogava-se às cartas. Não havia televisão à época: não esquecer…
Esta envolvência familiar era quebrada quando se começava a ouvir lá longe um coro de vozes mais ou menos afinadas que cantava entusiasmado.
Todos os anos, um grupo de jovens mais dinâmico se propunha correr a aldeia de lés-a-lés para cumprimentar as famílias, desejando bom ano e, ao mesmo tempo, «tirar as janeiras» (ou seja: receber algumas das especialidades da época: chouriça, morcela, frutos secos ou, muito raramente, dinheiro).
Chegando junto de cada casa, cantavam forte e de modo convincente a cantiga combinada.

Por exemplo:
Levante-se lá, senhora,
Desse banco de cortiça.
Venha-nos dar as janeiras:
Ou morcela ou chouriça…
Ou então:
De quem eram as liguinhas
Que se acharam entre as heras?
Eram da Menina …
Que lhe caíram das pernas.
Ou também:
Viva lá, senhora …
Sua cara é o sol.
Quando vai para a igreja
Alumia o altar-mor…
E repetia-se a cada vez o refrão:
Naquela relvinha
Que o vento geou,
A Mãe de Jesus
Tão pura ficou.

Fugindo a esta tradição, havia também outras letras maliciosas e com alguma escatologia à mistura, destinadas a «mimar» quem resolvia, antipaticamente, fechar a porta na cara dos cantadores das «janeiras» - o que era raro.
Acabado o périplo, juntavam-se as ofertas recebidas e fazia-se um convívio, onde se comiam com prazer e alguma gula os manjares adquiridos na ronda.
… Era assim que, nos anos 50, inocentemente se brincava, se comunicava e se trocavam a ternura e a alegria que em cada um existiam.

Texto de autoria de Dulce Mendes Martins