30/01/2010

Casteleiro: terra de Volfrâmio (parte II)

O prometido é devido. Vamos hoje percorrer os trilhos do volfrâmio e do estanho na nossa terra.
Antes de mais, vou situar os factos: estamos nos cinco anos que medeiam entre 1938 e 1944. São os anos de ouro do minério na nossa terra. Recordo que a II Guerra se prolonga de 39 a 45 e que de um lado estavam os Aliados (ingleses, franceses, soviéticos e americanos) e do outro o Eixo (alemães, italianos e japoneses). Portugal era um país neutro: lidava com todos.
Por isso, estes minérios davam voltas e mais voltas por essa Europa fora mas iam sempre parar às fábricas alemãs e inglesas de armamento (sobretudo canhões, espingardas e balas).
E pensar que uma parte ínfima desses minérios era recolhida ali mesmo no Casteleiro pelos nossos pais… «Só quem era cego e aleijado é que não andava ao minério».
Imaginam como se desenvolvia o processo de recolha? O mais artesanal possível: cavavam-se valas ou escavava-se o leito do ribeiro ou o da ribeira, havia sempre água a correr e assim se «lavava» a terra, deixando escorrer o que era mesmo terra e retendo no crivo as pedras – das quais só se guardavam as que tinham metal agarrado.
Eram essas que constituíam o «ouro» do processo: era o minério!
Depois, a memória da cor de cada um dos metais encontrados na nossa terra.
O estanho na Natureza é cinza clarinho, às vezes com uns veios quase brancos, aqui, no Casteleiro, mas um pouco mais escuro em zonas como Rebelhos ou a Serra da Pena.
Por sua vez, o volfrâmio (recordo o nome científico: tungsténio) é castanho mais para o escuro e por vezes acompanhado de um pó também castanho.

Eis então os locais (se tentarem encontrar lá ainda minério, não fiquem frustrados se não lhe virem nem a cor: deve estar a grandes profundidades hoje, acho eu).
Primeiro os do Casteleiro:
1. Poio – um leirão aqui foi arrendado por 200 escudos por mês para ser todo «eslavaçado» à procura de minério. Saiba, para comparar, que as mulheres nesta tarefa ganhavam cinco a seis escudos por dia (um euro de hoje são 200 escudos de 2004!) e os homens dez a doze escudos por dia (a discriminação não era a brincar: era mesmo a sério).
2. Várzea – num ribeiro que ali havia, mas também nos leirões, em geral nos que não eram cultivados.
3. Gralhais – em leirões.
4. Ribeira da Cal.
5. Valverde («Valverdinho») – a zona mais afastada da freguesia.
6. Vale de Castelões («Balcastelões») –uma zona que foi toda revolteada de baixo para cima e de cima para baixo. «Ao fundo da Serra d’ Opa», diz a minha fonte, «foi tudo explorado».
Depois, referência aos locais de fora do Casteleiro, mas suficientemente próximos para que as pessoas do Casteleiro lá tenham andado às dezenas a explorar minério:
1. Rebelhos;
2. Serra da Pena;
3. Azenha.

No próximo artigo falarei de duas outras vertentes deste processo: dos intermediários que compravam o minério e para quem o compravam e também dos «fornos» ou «separadoras», locais onde o minério era fundido por aquecimento intenso.
Divirtam-se também com estas coisas, por favor.







"Memória", espaço de opinião de autoria de José Carlos Mendes

27/01/2010

O regresso do "Testamento do Galo"

O “Testamento do Galo” vai ouvir-se no Casteleiro cerca de 40 anos depois da sua última realização. No próximo dia 14 de Fevereiro, Domingo Gordo, pelas 15 horas, no Largo de S. Francisco, retoma-se esta antiga e enraizada tradição de sátira popular associada aos festejos do Entrudo.
Esta iniciativa da Junta de Freguesia assinala, simbolicamente, o arranque de um vasto conjunto de eventos a realizar na Aldeia por ocasião de datas festivas, preservando deste modo a sua memória histórica.
Evocar as práticas e valores da nossa cultura é, seguramente, construir um “Casteleiro com Futuro”.
A Junta de Freguesia de Casteleiro convida todos os Casteleirenses a associar-se, com a sua presença, a este regresso do “Testamento do Galo”.

A Junta de Freguesia de Casteleiro

23/01/2010

Sandra Fortuna

A Dr.ª Sandra Fortuna, Veradora da Câmara Municipal do Sabugal e Presidente da Direcção do Lar de S. Salvador do Casteleiro, foi nomeada Vogal do Conselho de Administração da empresa municipal Sabugal +.
A equipa do "Viver Casteleiro" deseja à nossa ilustre conterrânea Sandra, os maiores êxitos nesta sua nova tarefa política e profissional.

21/01/2010

Casteleiro: terra de volfrâmio

A «Memória» exige agora que lhes fale de volfrâmio.
Minério na nossa terra? Sim: há 70 anos, a coisa era bastante séria por aqui…
E será que ainda hoje existe? Bom, a primeira coisa a dizer é que sempre houve e ainda deve haver. Só que os dois metais em causa, estanho e tungsténio (volfrâmio), foram muito procurados pelas grandes potências nos anos da Guerra 39-45 – e hoje não têm qualquer valor, aos níveis em que existem e poderiam ser apanhados na nossa zona: não é rentável…
Mas acrescento que o tungsténio é raro no Mundo e que Portugal é dos países onde ele existe.

1
Não sei se todos os leitores estão conscientes de que o Casteleiro desempenhou à sua dimensão um papel interessante na recolha de dois metais importantes no fabrico de armamento na II Guerra Mundial: estanho e, sobretudo, volfrâmio.
Volfrâmio é o nome popular para o tungsténio.
O estanho, além de anti-corrosivo, é usado no fabrico do bronze – que recobre armas expostas às intempéries (as da Marinha e as da beira-mar, por exemplo).
O volfrâmio é muito duro e era usado no fabrico de balas e de canhões.

2
Talvez também não saibam que muitas pessoas (algumas ainda vivas) ganharam muito dinheiro nessa altura a recolher estes metais nas serranias e nas linhas de água a toda a volta da nossa terra.
Já ouvi mesmo dizer que até ouro se encontrou – mas em muito pequenas quantidades.
Depois de recolhido pelos «mineiros», o metal era vendido a intermediários que o vendiam a italianos e a ingleses.
De seguida, ia ser devidamente tratado e separado em pequenas unidades industriais que existiam aqui na região para depois seguir para o seu destino: as grandes fábricas de armamento existentes na Inglaterra e na Alemanha (o metal comprado pelos italianos era para aí encaminhado, visto que estes eram aliados dos alemães nessa guerra).

3
Num próximo artigo, falarei dos locais e do modelo de exploração destes dois metais no Casteleiro, da sua separação e venda e das consequências nos anos finais e seguintes da II Guerra Mundial (1939-1945).
E talvez lhes fale do dia em que uns tipos do Vale de Lobo perderam a cabeça com tanto dinheiro vivo no bolso feito com o dinheiro do volfrâmio…





"Memória", espaço de opinião de autoria de José Carlos Mendes

19/01/2010

Memórias Paroquiais - Questionário

Para uma melhor compreensão dos textos/respostas das "Memórias Paroquiais do Casteleiro", publicam-se as perguntas do questionário.




17/01/2010

Memórias Paroquiais do Castelleyro (1)

Faz amanhã 252 anos (18 de Janeiro de 1758), o Marquês de Pombal, o então Secretário dos Negócios do Reino Sebastião José de Carvalho e Melo, fazia remeter para todos os párocos do reino um interrogatório sobre as povoações. Nele pedia as suas descrições geográficas, demográficas, históricas, económicas e administrativas, para além da questão dos estragos provocados pelo terramoto de 1 de Novembro de 1755.
As respostas a esse interrogatório, de sessenta perguntas divididas em três grandes áreas (localização, serra e rio), ficaram conhecidas como “Memórias Paroquiais” e constituem até hoje uma das mais importantes fontes de conhecimento histórico de todas as povoações do ponto de vista administrativo, demográfico, estrutura eclesiástica, assistência social, actividades económicas, organização judicial, comunicações, etc.
No que se refere ao Casteleiro, o inquérito foi respondido pelo Cura Manuel Pires Leal e enviado a 25 de Abril de 1758.
Pelo seu valor histórico, e pelo contributo que pode proporcionar a todos sobre o conhecimento do passado do Casteleiro, a partir de hoje irei publicar aqui em diversos capítulos todo o conteúdo das “Memórias Paroquiais do Castelleyro”. Será publicado o original e, para maior facilidade de leitura, igualmente a transcrição em português dos nossos dias.

Castelleyro
1- Está na província da Beira, Bispado da Guarda, Comarca de Castelo Branco, Freguesia do Salvador, anexa de Santa Maria do Castelo da Vila de Sortelha e termo da mesma Vila.
2- É anexa da igreja de Santa Maria da dita vila de Sortelha. Pertençe a El Rei.
3- Tem cento e cinquenta e dois fogos, pessoas de confissão e comunhão trezentas e quarenta e oito; só de confissão setenta e quatro, crianças que ainda não se confessam cento e três, pessoas ao todo quinhentas e vinte cinco.
4- Está situada em Vale; dela se descobre para a parte do Nascente o lugar da Moita, distância de meia légua; para a parte do Norte a Vila de Sortelha à distancia de uma légua.
5- Nada
6- A paróquia está feita no lugar e logo junto às casas, tem uma quinta que chamam Cantargalo tem um morador; e tem outra que chamam do Espirito Santo, tem outro morador.
7- O orago desta freguesia é o Salvador do Mundo, a igreja tem três altares dois da parte do evangelho, um dedicado ao menino deus e outro a Santo António, e da parte da epistola tem outros dois um dedicado a nossa senhora do rosário e outro às almas do purgatório. Naves tem somente o arco da capela mor; e uma irmandade das almas do purgatório; e outra de S. Pedro.





"Reduto", espaço de crónica semanal de autoria de António Marques

14/01/2010

Uma ideia simples: ouvir

Certamente, os leitores mais atentos deste «blog» deram-se conta de um «post» (um artigo, uma inserção e, neste caso, verdadeiramente uma notícia) sobre a constituição e funcionamento de uma estrutura concelhia das juntas de freguesia do Município do Sabugal chamada «Mesa das Freguesias». Se não leu, leia agora. É aqui.
O nosso amigo António José Marques, o Tó Zé, como autarca nº 1 do Casteleiro, é, inclusive, membro desta Mesa, o que, naturalmente, nos deixa satisfeitos e, até, orgulhosos.
Parece-me ser esta uma boa ideia, democrática. E fico contente por isto existir na minha terra, apesar de eu defender a mudança de Concelho e de Distrito – podem aproveitar para ler essa minha tese aqui.
Volto à Mesa das Freguesias.
Devo dizer que uma tal estrutura não existe, por exemplo, na Cidade de Lisboa e nem sequer tenho conhecimento de que exista em qualquer outro município. Falha minha, de certeza.
Esta ideia levou-me a outra: que o Tó Zé possa também, enquanto Presidente da Junta de Freguesia, dar a palavra e ouvir, mesmo que informalmente, os nossos conterrâneos que vivem mais afastados do centro do Casteleiro: na Carrola, em Santo Amaro, na Catraia, em Gralhais…
Uma ideia que nem deve ser original e em que o Tó Zé já deve ter pensado. Mas pode ficar aí como mera sugestão de alguém a quem os mecanismos da democracia participativa interessam muito.





"Memória", espaço de opinião de autoria de José Carlos Mendes

13/01/2010

Renovação da zona de caça

Ontem, 12 de Janeiro, foi publicada em Diário da República a Portaria 33/2010, através da qual o Ministério da Agricultura renova por seis anos a zona de caça municipal do Casteleiro, bem como a respectiva transferência de gestão para o Clube de Caça e Pesca do Casteleiro.

11/01/2010

Presidente da Câmara visitou o Casteleiro

A convite da Junta de Freguesia, o Presidente da Câmara Municipal do Sabugal, António Robalo, visitou hoje o Casteleiro. Durante a manhã, o executivo da Junta apresentou o seu programa de acção para o mandato ora iniciado tendo, no terreno, explicitado os vários projectos que pretende concretizar. Registamos a boa recepção do Engº António Robalo às diversas acções a implementar a curto e médio prazo na Freguesia, algumas só possíveis de realizar com o apoio da Câmara Municipal.

Montaria ao javali

Ontem, domingo, o Clube de Caça e Pesca do Casteleiro promoveu uma montaria ao javali. Com a neve e o frio que se fazia sentir, os destemidos caçadores avançaram bem cedo para a serra. Javalis ninguém viu, mas a jornada valeu pela confraternização do almoço!






Neve no Casteleiro


09/01/2010

A construção da torre do Casteleiro

Esta torre não existia. No topo da Igreja Matriz, o que existia era um campanário muito mais simples e mais baixinho – construído no modelo habitual em todas as Freguesias à data em que fora erigida a Igreja, no fim do século XIX (digamos: em 1890).
O campanário, sem portas, tinha um só sino, como agora na torre, ao contrário do que se conhece de muitas terras: campanários com dois sinos.
No Casteleiro havia outro sino, mais pequeno, uma sineta, mas na Igreja Matriz original: a Capela do Espírito Santo, ao Reduto.
Um aparte: a função do sino numa aldeia era muito importante e não só por motivos religiosos mas também por razões que hoje diríamos de Protecção Civil: quando havia fogo (um incêndio), tocava-se o sino em forma rápida de alarme e era o alerta geral.
Por isso, a grande festa quando, nas vésperas da inauguração da torre nova, o Sr. José Carlos (Mendes Figueiredo), à data Presidente da Junta de Freguesia, escolheu e mandou colocar e experimentar o novo sino (o velho dever ter ido por troca).

O campanário original era tão baixinho e acessível, que os miúdos chegavam a ir para lá brincar. Às vezes até furavam as regras sagradas de não se tocar o sino na Sexta-Feira Santa – e levavam tareia por causa disso…
E acrescento uma nota imaginária, de carácter ecológico: se calhar, era tão baixinho que nem sequer atraía as cegonhas que depois, na minha meninice, nunca deixavam de nos visitar em cada primavera e instalar-se no alto da torre, ao pé do relógio. Coisa que hoje parece que já não fazem, julgo que por causa do aquecimento global – mas podem vir a fazer outra vez. No Fundão, por exemplo, tinham desaparecido e voltaram, para minha delícia de cada vez que ali passo na A23.

Volto à torre.
Dizem-me que sempre fora desejo do Povo ter uma torre maior, com mais dignidade. Uma torre que impusesse o respeito que a terra achava que merecia.
Mas uma torre dessas implicava muito dinheiro.
Era preciso contratar quem a construísse.
Esses pedreiros tinham de vir de fora.
Maior a despesa.
Pois, há cerca de 60 anos, tornou-se realidade esse desejo do Povo da nossa terra: a torre concretizou-se, por negociação feita na altura.
A coisa terá sido falada e negociada ainda no tempo do Senhor Padre Sapinho e acabou por se concretizar e ser inaugurada quando era aqui Pároco o Senhor Padre Campos.

Mas quem, como e porquê fez esta oferta da torre?
Estava-se em 1950.
Daniel Machado já refere no seu livro «Casteleiro», a páginas 151-152, o essencial: foi uma troca.
Parece que nem toda a gente terá estado de acordo, porque o velho campanário era uma relíquia. Mas a conversação fez-se e a torre construiu-se. E lá está ela, altiva e imponente, para os padrões da terra e da época, um orgulho para todos nós. Mandaram-se vir os pedreiros de Alcains, trazidos pelo Sr. Venâncio.
O Povo foi acompanhando a obra magnífica que crescia dia-a-dia e a sua inauguração foi feita em dia de grande festa.

O que é que foi trocado?
A coisa mais importante, pela qual se lutava e até se matava se «necessário» fosse: o direito de passagem.
A situação era a seguinte: estão a ver toda aquela extensão de terras que vai desde as traseiras do Centro Cultural até à Ribeira? Pois isso tudo chama-se «o Alvarcão» e pertencia ao Senhor Manuelzinho Fortuna, que habitava na sua casa grande da rua da Igreja. Mas essas terras tinham um grande senão: é que eram atravessadas pelo Povo para as pessoas acederem aos seus terrenos do outro lado dessa propriedade. Era um vai-vém constante: nesse tempo, toda a gente trabalhava no campo, toda a gente cultivava os seus bocadinhos todos. Portanto, o Alvarcão era devassado, no entender do seu proprietário, que preferiu oferecer a torre a ter de se calar com a passagem permanente de tanta gente pelas suas terras.
A vereda de atravessamento entrava no local exacto onde hoje é o portão de acesso ao que foi um dos mais importantes lagares de azeite do Casteleiro.
Foi pois fechada a dita vereda, que mais parecia um caminho, foi colocado um portão e construído aquele grande muro alto, bem feito, que cerca o Alvarcão todo pelo caminho abaixo até à Ribeira e, depois, já mais baixo, ao longo da Ribeira, para jusante – digamos, na direcção da nascente da Ribeira...
Tudo isso, só possível por troca com a construção da nova torre, nos anos a seguir à 2ª Guerra Mundial.




"Memória", espaço de opinião de autoria de José Carlos Mendes

08/01/2010

Conhecer a fauna e flora do Casteleiro

Olá a todos, mais uma vez espero que 2010 tenha começado bem. Aqui, pelo Viver Casteleiro, vou lançar uma nova temática para interagir com os visitantes.
Sendo eu um apaixonado pela flora, termo que se utiliza para designar plantas herbáceas, arbustos e árvores, já que a fauna designa a parte animal desde os pequenos mamiferos as aves e insectos, tendo depois cada grupo a sua designação especifica, lanço o desafio para quem quiser conhecer alguma espécie de planta ou animal existente na freguesia, ou mesmo fora dela, que me envie fotos ou uma boa descrição, para eu conseguir identificar, e falaremos aqui um pouco de cada uma.
Podendo dar um toque em especial às que tiverem finalidade Aromática e Medicinal designadas PAM.
Que se pretende com este desafio? Dar a conhecer e sensibilizar as pessoas para a diversidade de espécies que podem existir numa determinada área. Chamando atenção para algumas espécies estarem protegidas e não se poderem destruir.
Espero que seja útil este desafio pois, no final de algum tempo, teremos uma listagem de espécies e quem sabe não editaremos um guia para distribuir a quem nos visite.
Quanto às aves é interessante pois há programas a nivel nacional cuja função é registar o primeiro avistamento de espécies migratórias que venham passar uma estação cá ou estejam de passagem nas suas rotas migratórias.
Existe uma associação a nivel nacional designada SPEA – Sociedade Portuguesa do Estudo das Aves http://www.spea.pt/ que concentra esses registos e faz um relatório anual dos avistamentos.
Deixo o blogue dos censos das cegonhas em implementação no distrito da Guarda. http://www.censosdacegonha.blogspot.com/
Existem alguns blogues e sites que podem dar uma ajuda na identificação das espécies. Se alguém estiver interessado eu posso indicar.
Bom Ano a todos.



"Ambiente agrícola e espaço florestal", espaço de opinião de autoria de Ricardo Nabais

07/01/2010

Crianças de Avelar "invadiram" o Casteleiro

Entre os dias 19 e 22 de Dezembro passado a aldeia de Casteleiro foi invadida por um grupo de crianças do CATL 2,3 de Avelar, equipamento social pertencente à Cáritas Diocesana de Coimbra, acompanhadas por dois monitores, um dos quais casteleirense de gema e membro da actual junta de freguesia. Nestes dias ficámos alojados no Centro de Animação Cultural, que amavelmente cedeu as suas instalações.
No dia da partida e antes de rumar ao Casteleiro, fomos visitar a Serra da Estrela, onde alguns dos participantes tiveram pela primeira vez contacto com a neve. Já no Casteleiro, tempo para assistir à apanha da azeitona, tarefa que muitos viram e experimentaram pela primeira vez.
No segundo dia visitámos, o lar “S. Salvador”, levando um pouco da nossa alegria a esta instituição. Aqui não nos podemos esquecer das histórias contadas pela D. Antónia e do lanche que nos foi oferecido. Inesquecíveis na nossa estadia, foram os passeios na burra “Joana”, propriedade do Sr. Armando Plácido, que nos cedeu por alguns instantes este meio de transporte alternativo. À noite, tivemos sorte e felicidade de assistir à queda de neve, possibilitando a realização de algumas brincadeiras.
Os dias aqui passados permitiram aos jovens o contacto com uma realidade diferente da do seu quotidiano, a começar desde logo pelas condições climatéricas a que estão, normalmente, habituados. Mas de gorros, luvas e cachecóis conseguimos espantar o frio e aproveitar o que a natureza nos dá. Um desses exemplos foi o passeio à vila histórica de Sortelha, que só não foi mais proveitosa devido às condições climatéricas que se faziam sentir, principalmente, o nevoeiro que impossibilitou a contemplação da paisagem. No caminho, fizemos uma paragem e visita às ruínas das Termas Águas Radium. Já na padaria do Terreiro das Bruxas confeccionámos os tradicionais “bolinhos dos santos”, um costume da nossa zona aquando do “Dia de Todos os Santos”. Esta doce visita culminou na prova não só dos nossos “bolinhos”, mas também dos deliciosos “esquecidos”.
O último dia da nossa visita foi preenchido com uma visita a um pastor local, o Sr. Abílio, que nos deu a conhecer um pouco do seu ofício e nos recebeu em sua casa como se fossemos da sua família. Antes do regresso a casa, paragem na sede de concelho - Sabugal, onde visitámos o Castelo e o Museu. A nossa visita ao Sabugal envolveu ainda uma visita à Casa do Castelo, onde a proprietária, D. Natália Bispo “Talinha” simpaticamente, nos mostrou um dos ex-líbris desta cidade, ou seja, o altar judaico.
Estes quatro dias passados no interior do país serviram para conhecer melhor esta zona do nosso país e por esse motivo agradecemos a todas as entidades que connosco colaboraram, desde particulares (Sr. Abílio e Sr. Armando Plácido), associativas (CACC) às mais diversas entidades públicas (Câmara Municipal do Sabugal e Junta de Freguesia do Casteleiro) e particulares (Casa do Castelo e Lar S. Salvador). A todos vós o nosso muito obrigado e votos de um próspero 2010.

Centro de ATL 2,3 Avelar

06/01/2010

Janeiras: a tradição

Já que me incentivaram, hoje, e sem pretensões, vou falar das «janeiras».
Tal como o nome diz, as «janeiras» eram uma tradição que acontecia em Janeiro, mês de muito frio, que levava as famílias e amigos para junto das lareiras, onde ficavam conversando das suas vivências e preocupações.
Em algumas casas, para o longo serão passar mais depressa, jogava-se às cartas. Não havia televisão à época: não esquecer…
Esta envolvência familiar era quebrada quando se começava a ouvir lá longe um coro de vozes mais ou menos afinadas que cantava entusiasmado.
Todos os anos, um grupo de jovens mais dinâmico se propunha correr a aldeia de lés-a-lés para cumprimentar as famílias, desejando bom ano e, ao mesmo tempo, «tirar as janeiras» (ou seja: receber algumas das especialidades da época: chouriça, morcela, frutos secos ou, muito raramente, dinheiro).
Chegando junto de cada casa, cantavam forte e de modo convincente a cantiga combinada.

Por exemplo:
Levante-se lá, senhora,
Desse banco de cortiça.
Venha-nos dar as janeiras:
Ou morcela ou chouriça…
Ou então:
De quem eram as liguinhas
Que se acharam entre as heras?
Eram da Menina …
Que lhe caíram das pernas.
Ou também:
Viva lá, senhora …
Sua cara é o sol.
Quando vai para a igreja
Alumia o altar-mor…
E repetia-se a cada vez o refrão:
Naquela relvinha
Que o vento geou,
A Mãe de Jesus
Tão pura ficou.

Fugindo a esta tradição, havia também outras letras maliciosas e com alguma escatologia à mistura, destinadas a «mimar» quem resolvia, antipaticamente, fechar a porta na cara dos cantadores das «janeiras» - o que era raro.
Acabado o périplo, juntavam-se as ofertas recebidas e fazia-se um convívio, onde se comiam com prazer e alguma gula os manjares adquiridos na ronda.
… Era assim que, nos anos 50, inocentemente se brincava, se comunicava e se trocavam a ternura e a alegria que em cada um existiam.

Texto de autoria de Dulce Mendes Martins

Entre, está aberta!

Hoje, acabado de chegar ao Casteleiro, a primeira notícia foi a de um assalto nocturno a uma pequena loja no Reduto. Pela calada da noite, arrombaram a porta e levaram um pouco de tudo: bacalhau, queijos, detergentes, um termoventilador, uns trocos...
Em conversa com o proprietário, ainda estupefacto, já que dormia no andar superior, lá fomos conjecturando as motivações, a audácia dos autores, os tempos de hoje...
E eu recordo outros tempos, de uma aldeia fraterna, sempre de porta aberta, para a rua e para a vida.
“Entre, está aberta!"



"Reduto", espaço de crónica semanal de autoria de António Marques

02/01/2010

A dor de sair e o prazer de regressar ao Casteleiro

Nos idos de 70, ainda muito jovem, no início da casa dos 20, e por força das circunstâncias, fui «obrigada» a sair da terra onde nasci e sempre vivi até então.
Doeu muito.
Mas a pequenez e a falta de oportunidades levou a isso.
Como, certamente aconteceu a tantos jovens obrigados ao mesmo rumo.
Com o coração dividido, lá vou eu a caminho do desconhecido.
Lisboa, Angola, Amadora…
Mas, sempre, sempre, a alegria de cada regresso.
Ainda hoje e cada vez mais, parece.

Por essas muitas paragens, tudo era tão diferente!
As pessoas, os lugares, os cheiros, os costumes… «aquilo» não me dizia nada.
Foi com dificuldade e algumas lágrimas que me fui adaptando.
Desejava ansiosamente uma oportunidade para poder voltar e matar as saudades. Da família, dos amigos e dos lugares.

Ainda hoje, apesar da longa ausência, sinto que as minhas raízes continuam agarradas a essa terra que me viu nascer.
E é com muito agrado e algum entusiasmo que vou sabendo da evolução que tem havido de há algum tempo para cá: na Junta, no Lar e até nas ruas – é um ambiente bom que se está a criar.
É sinal de horizontes largos e de preocupação de contribuir para que o nosso «berço» se alargue e possa oferecer à população e aos jovens as condições para poderem viver no Casteleiro com a qualidade de vida que merecem.
Força e não desistam.
Boas Festas.

Texto de autoria de Dulce Mendes Martins
"O sol espreitando por entre a tempestade que se anuncia"
Casteleiro 1 de Janeiro de 2010 - 12h


Foto de autoria de Joaquim Gouveia

31/12/2009

Destaques do Ano

Hoje é último dia do ano. E, como é hábito, é tempo de fazer balanços e avaliar os factos que aconteceram no Casteleiro no ano que ora finda.
Nós, aqui no “Viver Casteleiro”, escolhemos como “Personalidade do Ano” o nosso conterrâneo e casteleirense de gema Daniel Machado, pela publicação da primeira monografia conhecida sobre a nossa Aldeia. Um livro escrito com amor e muitas horas de trabalho, mas que evidencia, a cada página, que o Daniel é um dos filhos mais insígnes do seu/nosso torrão natal.
Como “Acontecimento do Ano”, escolhemos o trágico incêndio que cercou a Aldeia, destruindo à sua passagem culturas e bens. Momentos trágicos que todos vivemos intensamente!
Na área política, em ano de eleições autárquicas, destaque positivo para o Programa apresentado pela nova equipa da Junta de Freguesia e, pela negativa, o facto do líder da lista derrotada não ter ocupado o seu lugar na Assembleia de Freguesia.

Bom Ano a todos.

Sabe que esta igreja hoje podia estar noutro local?

Devia estar-se aí pelos anos 80 ou 90 do século XIX: digamos por volta de 1880 ou 1890. O nosso caro amigo Daniel Machado afirma que foi em 1890 que foi construída a igreja no local onde está hoje, no seu magnífico livro de etnografia popular a que deu o título simples de «Casteleiro» e que agora amavelmente me ofereceu com dedicatória simpática que agradeço.
Pois bem: admitamos: estava-se em 1890.
Soube nestas férias que haveria então no Casteleiro – como em todo o País – dois partidos principais, ambos monárquicos ainda (já começava a aparecer lá para Lisboa o Partido Republicano, mas aqui ainda era cedo): um mais conservador e outro mais modernaço. Para a altura, claro. E cada um tinha o seu chefe, como era hábito no País (leia a nota 1).
Os dois chefes, «como mandavam as normas», nem se podiam ver.
As famílias chegavam a insultar-se de quintal para quintal, lá atrás.
E as famílias vizinhas a apreciar tudo.
Isso passava-se, digamos, das traseiras do actual Centro para as traseiras da casa que depois foi do Sr. Manuelzinho Fortuna.
Mas o pior eram as relações políticas e não só entre os chefes políticos e os seus apoiantes. Como em cada localidade do resto do País, nesses idos de 1880/1890, esses dois «chefes de partido» eram pessoas das mais influentes da aldeia.
Tanto quanto me contam, havia na altura no Casteleiro, como no resto do País, muita luta entre os partidos (leia a nota 2).
Ora o que é que isto tem a ver com a igreja?
Tem tudo e já veremos porquê.
É que ambos os partidos – ou melhor, os seus chefes – queriam oferecer terreno para a construção de uma igreja, uma vez que a igreja matriz da época (a capela do Reduto, dedicada ao Espírito Santo) era já muito pequenina.
Mas há mais.
Acresce que, no local onde hoje está a igreja matriz ou igreja paroquial, estava ainda o cemitério e uma capela.
Ora uma lei liberal de 1834 tinha proibido os enterramentos dentro das localidades (leia a nota 3).
Por isso, colocava-se à data um duplo problema: construir uma igreja matriz maior e transferir o cemitério para fora da aldeia.
O cemitério foi então criado no local onde hoje está e os corpos trasladados.

O local de construção da nova Igreja Matriz
Mas… e a nova igreja? O que é que as lutas entre os partidos têm a ver com a nova igreja?
Pois conta-se na nossa tradição oral que a coisa foi assim: o chefe do partido conservador ofereceu para a nova Igreja um terreno junto do cemitério da época, mesmo no sítio onde agora está de facto a Igreja Matriz; e o chefe do outro partido terá adiantado outra oferta de terreno: queria que a igreja fosse construída no terreno a que chamamos «Miranda» (cá em cima, onde depois foi instalada e onde ainda se encontra a cabina eléctrica, à beira estrada).
A minha fonte diz que o povo foi a votos e que ganhou o local lá de baixo.
Eu não acredito que houvesse uma verdadeira votação de braço no ar em pleno final do século XIX.
O que deve ter acontecido é que a maioria das pessoas, o pároco e os seus mais próximos seriam também mais próximos do partido mais conservador e assim se terá decidido construir a igreja ao lado do sítio onde estava o cemitério da época (que julgo que ficaria lá atrás, no adro de acesso ao Coro).
… E assim ficámos com a Igreja Matriz do Casteleiro naquele local mais antigo e mais histórico onde está hoje.

A torre
Há também uma história que ouvi nestas férias à lareira sobre a construção da actual torre, que não vem de 1880-90 como a igreja mas sim de 60 ou 70 anos depois.
Mas essa história fica para outra crónica, que esta já vai longa.
Bom Ano, Amigos!

_________________
Notas

1.
As duas formações partidárias da época no País, se ainda me lembro de quando estudei estas coisas, seriam o Partido Histórico e o Partido Democrata.
No Casteleiro, os seus chefes eram os seguintes: um, julgo que do Partido Histórico, mais conservador, era o «Sr. Calheiros» (que vivia na casa mais tarde habitada pelos sobrinhos, o Pe. Fortuna e o Sr. Manuel Fortuna, ao pé da actual Igreja).
O outro, do Partido Democrata, era «o Sr. Manuel José» (pai do Dr. Guerra, marido da Sra. Dona Maria do Céu, da «Quinta» – que na altura viviam nas casas depois ocupadas pela famílias do Pe. António Diogo e no que hoje é o Centro, e onde hoje está também a Junta de Freguesia).

2.
O chefe do partido mais conservador, que, como digo na nota 1 e de acordo com a minha fonte, era «o Sr. Calheiros», tinha um filho muito aguerrido. Tinha o hábito de percorrer o Casteleiro de noite armado de paus e outras armas da época para bater nos adversários políticos e familiares. Uma noite, o rapaz (já com boa idade, entenda-se, não seria nenhuma criança) andava então na sua ronda, armado de uma barra de ferro. Na quelha de trás da casa onde mais tarde habitaria da Sra. Maria Augusta, costureira, mulher do Sr. Miguel «Beijina», encontra-se com ele um adepto da facção contrária, por sinal meu tio-bisavô e ia atacá-lo. O homem tirou a barra de ferro ao rapaz e deu-lhe com ela na cabeça. De tal modo que, segundo me contam, o rapaz esteve de cama até que morreu, um ano depois.

3.
Esta lei levantou muita polémica no século XIX. As suas razões claro que tinham a ver com epidemias e cheiros da situação dos cemitérios próximo das casas de habitação (seriam tantos os cheiros na aldeia, pelo que deduzo, que ninguém achava estranhos os do cemitério). Mas as reacções à lei não se fizeram esperar. Conta-se mesmo que em certas aldeias se recusavam a «enterrar os nossos mortos no meio do mato». No Casteleiro, levou pelo menos 56 anos a ser aplicada esta lei.




Texto de autoria de José Carlos Mendes

30/12/2009

Apoiar as nossas instituições

Para os mais desatentos, saiu há pouco tempo mais um medida do governo para incentivar o emprego e reduzir o desemprego, através da medida INOV-SOCIAl. Podem descarregar o documento clicando aqui.
Estabelece o regime de concessão dos apoios técnicos e financeiros da medida INOV-SOCIAL, define as respectivas normas de funcionamento e acompanhamento e aprova o Regulamento da referida medida.
Descidi escrever estas linhas porque, para quem não me conhece, além da preocupação ambiental que tenho e desenvolver a minha actividade profissional no sector florestal e conservação da natureza, também me preocupo com o interior e o desenvolvimento local bem como o seu futuro, daí apoiar algumas associações que têm um papel importante no desenvolvimento do concelho.
Queria com isto dar um contributo aos dirigentes das nossas intituições, nomeadamente o Centro Cultural e o Lar que têm aqui a possibilidade de ter um estagiário durante 12 meses das áreas que engloba o inov-social. Até mesmo o Clube de Caça e Pesca poderia ter uma pessoa do ramo da engenharia florestal ou recursos naturais para fazer uma melhor gestão da zona de caça.
Gostaria de ver, ainda, o Centro Cultural com outra dinâmica, fazendo mais actividades. Estou disposto a colaborar para manter a instiuição viva.
Acho que não podemos deixar fugir estas oportunidades, ajudando as gentes da freguesia ou mesmo do concelho a manterem-se por cá. Só com o esforço de todos iremos conseguir manter o interior vivo.
Aproveito para desejar boas festas e que 2010 seja um ano cheio de novos projectos e iniciativas pela nossa freguesia.


"Ambiente agrícola e espaço florestal", espaço de opinião de autoria de Ricardo Nabais

27/12/2009

Nascer Casteleiro

Uma das iniciativas enunciadas no compromisso eleitoral da actual Junta de Freguesia, foi a implementação do subsídio “Nascer Casteleiro”, no valor de 500€ por nascimento, a jovens casais com residência permanente na Aldeia.
Hoje, domingo, foi publicamente entregue o primeiro subsídio ao Vitor e à Suzete Fortuna, pelo nascimento da sua filha Raquel. Com esta iniciativa pretende a Junta de Freguesia incentivar a natalidade na nossa terra, onde os nascimentos são cada vez mais escassos e a média de idade dos residentes avança a cada ano.
Independentemente do valor monetário entregue, importa aqui o valor simbólico. Porque o nosso melhor património são as pessoas!
Felicidades Raquel.

26/12/2009

A Maria e o Natal

A Maria nasceu no seio de uma família modesta no final dos anos 40. O principal acontecimento no Casteleiro, em noite de Natal, era assistir à “Missa do Galo” à meia-noite, quando os sinos repicavam sem parar e anunciavam o nascimento do Menino Jesus. Tinha o pequenino coração inundado de alegria, pois o Menino tinha nascido. Lá estava Ele no presépio da Igreja, muito pequenino e pronto para cada um o beijar, pois era uma figurinha que a sua mente transformava em menino verdadeiro.
Ao terminar a “Missa do Galo” caminhava para junto do “madeiro” que os rapazes que iam nesse ano à inspecção, a fim de serem apurados ou não para a vida militar, se encarregavam de acender, diziam, para aquecer o Menino Jesus. Aqueciam ao mesmo tempo, com vinho e filhós o corpo. O espírito, esse, era alimentado com as canções de Natal. Faziam rondas pelas ruas a cantar “ Oh meu Menino Jesus, Oh meu Menino tão belo, só tu vieste nascer, na noite do caramelo”, ou outras canções mais profanas como, “ Natal! Natal! Filhoses com vinho não fazem mal” coisa que a gente bem estranhava e achava mal, por haver assim uma profanação da Noite Sagrada.
Para ela as prendas de Natal eram coisas de meninos ricos. Apesar de tudo tentava a sorte ao colocar na chaminé o seu sapatinho de menina. Tinha rezado ao deitar, mas nunca se sabe, pois Ele tinha tantos meninos para cuidar, porquê ela ser especial?
Ao levantar-se, na manhã seguinte, corria para a lareira, para ver se o Menino Jesus se tinha lembrado dela nessa noite. Aí encontrava então alguns tostões e rebuçados. Que bom, dizia, afinal o Menino Jesus tinha passado por ali. Não entendia porém, porque é que junto a este presente estava também piripiri!...Era uma coisa que a intrigava, pois o Menino Jesus que sabe tudo, bem sabia que ela tinha horror ao picante. No entanto ouviu o criado de lavoura a rir-se e descobriu que afinal tinha sido ele que fez tamanha malvadez, pois o Menino Jesus nunca lhe pregaria uma partida dessas. A mãe Hermínia repreendia o criado por fazer isso à miúda, porém o pai Manuel Guerra ria, pois tinha achado piada.
A avó também tinha sempre algum pequeno presente para si, nem que fosse o boneco pançudo, feito com a massa das filhós, assim como o melhor bocado de cabrito ou peru, o arroz doce e o famoso leite-creme da avó.
A Maria cresceu, foi para a cidade e o Natal mudou. Já não há “Missa do Galo” não há “madeiro” mas as prendas, essas, são mais valiosas do que os simples tostões colocados no seu sapatinho. As prendas deviam dar-lhe uma alegria proporcional ao valor dos presentes que recebe, mas isso não acontece! Descobriu então, que afinal ela tem mais prazer em dar do que receber, sobretudo àqueles que nem sequer têm como ela tinha os tostões e o boneco pançudo feito da massa das filhós.

“A viagem mais importante que podemos fazer na vida é encontrar pessoas pelo caminho”

Um Bom Ano 2010 para todos.

Texto de autoria de Mariazinha Guerra

24/12/2009

Feliz Natal

A equipa do "Viver Casteleiro" deseja a todos os Casteleirenses, especialmente aos que vão passar a consoada longe da sua Aldeia, um Santo e feliz Natal. Estamos certos que, independentemente do local onde estão, continuam na nossa companhia e não vão deixar de saborear as tradicionais filhozes.

Casteleiro nevado




No passado Domingo, pela noite, a neve chegou ao Casteleiro. O nosso amigo Daniel Machado, qual repórter destemido, estava lá e enviou estas fotos do Terreiro e do Madeiro. Bem Hajas Daniel.