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27/10/2019

O Morgado e a primeira corrida automóvel


A 27 de outubro de 1902, faz hoje 117 anos, realizou-se a primeira corrida automobilística em Portugal: Figueira da Foz- Lisboa. O motivo desta evocação prende-se com o facto do principal protagonista desta prova ter sido José Caetano Tavares de Melo da Costa Lobo, então com 26 anos, conhecido entre nós como último “morgado” de Santo Amaro.


A corrida contou com 11 inscritos, entre os quais dois Darracq, marca representada em Portugal pela Empresa Automobilística Portuguesa que nesse ano tinha sido fundada em Coimbra por Tavares de Melo. Um dos carros seria conduzido por ele próprio e o outro por um afamado piloto françês de nome Edmond, contratado para o efeito. Acontece que o dito Edmond perdeu o comboio que o levaria de Coimbra à Figueira e, na hora da partida, cerca das 6 da manhã, Tavares de Melo partiu não no carro em que se inscrevera mas no outro que era mais potente. Em Coimbra deu o lugar ao piloto Edmond e este foi o primeiro a chegar ao Campo Grande. No entanto, a organização entendeu desclassificar o carro pois o piloto que partiu não foi o mesmo que chegara. E estava instalada a polémica com Tavares de Melo a lavrar protestos em todo o lado que os jornais da época alimentaram durante muito tempo. Para a história ficou este incidente mas também o tempo gasto no percurso: partiu da Figueira da Foz às 5 horas e 57 minutos da manhã e chegou ao Campo Grande às 12h e 24 minutos. O segundo carro, da marca Fiat, que seria depois declarado vencedor, chegou mais de uma hora depois e era propriedade do Infante D. Afonso.

Tavares de Melo foi um dos primeiros empresários e empenhado percursor das corridas automóveis em Portugal. Uma actividade iniciada por seu pai, Eduardo Tavares da Costa Lobo que, em Abril de 1897, importou o primeiro automóvel sobre pneus que deu entrada em Portugal: um Peugeot com motor Panhard colocado à retaguarda com a força de 1 cavalo e ¾, 3 velocidades e marcha-atrás. Diz a história que o primeiro carro com motor mecânico em Portugal era propriedade do Conde de Avilez e chegou em 1895, um Panhard & Levassor. O que é verdade. Mas o carro tinha rodas de ferro. O primeiro, com pneus, chegou dois anos depois pela mão do “Morgado” de Santo Amaro.


José Caetano Tavares de Melo Costa Lobo, nasceu em Santo Amaro em 2/11/1876, filho de Eduardo Tavares de Melo Costa Lobo (Santo Amaro) e Eugénia da Conceição Peixoto Brandão (Porto). Neto paterno de José Caetano Tavares da Costa Lobo e Souza (Covilhã) e Antónia Carolina de Mello Machado Côrte Real (São Martinho, Seia) e materno de João Filipe de Magalhães Brandão (Guimarães) e Maria Teresa Conceição Peixoto Brandão (Lisboa).
Em 1893, então com 17 anos, matricula-se no 1º ano de Direito na Universidade de Coimbra e em 1900 termina o curso como Bacharel. Curso que seu pai havia frequentado de 1861 a 1866.




















Esta é uma das muitas estórias que envolve a vida de José Caetano Costa Lobo, nascido na Quinta de Santo Amaro e registado natural do Casteleiro. Ao seu percurso no mundo dos automóveis e outros, voltaremos brevemente.







"Reduto", crónica de António José Marques

22/09/2019

A população do Casteleiro em 1920



Prosseguimos a divulgação e análise da evolução demográfica do Casteleiro, hoje com referência ao censos realizado em 1 de Dezembro de 1920.
Relembramos aqui os dados conhecidos relativo à demografia do Casteleiro: 1527: 52 habitantes; 1758: 527 habitantes; 1801: 462 habitantes e 135 fogos; 1849: 777 habitantes e 201 fogos; 1864: 848 habitantes e 214 fogos; 1900: 1210 habitantes e 307 fogos; 1911: 1268 habitantes e 317 fogos.
Em 1920 o Casteleiro tinha 1249 habitantes, 627 homens e 622 mulheres. Relativamente ao estado civil, 734 eram solteiros (381 homens e 353 mulheres), 434 casados (210 homens e 224 mulheres) e 81 viúvos (36 homens e 45 mulheres).
Relativamente à instrução, 1032 eram analfabetos (488 homens e 544 mulheres) e sabiam ler 217 (139 homens e 78 mulheres).
Os dados relativos à origem da população indicam que 1103 eram naturais da freguesia ou do concelho do sabugal, 23 de outro concelho do distrito da guarda, 119 de outra naturalidade e 4 considerados estrangeiros. Quanto número de fogos foram contabilizados 313.
Da análise deste censo comparativamente ao de 1911, constata-se que a população diminuiu pela primeira vez: 19 pessoas em 9 anos e o número de fogos também, de 317 para 313.
Esta diminuição da população ficou a dever-se à denominada “pneumónica” ou febre espanhola que assolou o País com maior incidência de Agosto a Dezembro de 1918. Estima-se que tenham morrido em Portugal 50 a 70 mil pessoas, maioritariamente crianças e idosos. Os dados do distrito da Guarda indicam que a população diminuiu 5,7% (258.243 pessoas em 1920) e. no concelho do Sabugal a população residente passou de 34.778 em 1911 para 33.653 em 1920.
Como veremos nos censos de 1930 esta tendência será invertida, mas lentamente!





"Reduto", crónica de António José Marques

01/09/2019

UM CASAMENTO EM 1690


Em 31 de Agosto de 1690, faz hoje exactamente 329 anos, houve festa e boda no Casteleiro.

Aos trinta e um dias do mês de Agosto da era de mil seiscentos e noventa anos se receberam em face da igreja por palavras de presente na paróquia do Salvador deste lugar de Casteleiro perante mim o padre cura e testemunhas abaixo nomeadas, Manuel Dias filho de João Gonçalves e Isabel Dias com Maria Cerveira filha de João Cerveira e de sua mulher Isabel Gomes todos meus fregueses e moradores neste lugar, foram testemunhas o padre licenciado João Proença da Fonseca e outro padre Manuel Mendes deste dito lugar e outros moradores , por ser verdade fiz este assento que assino dia mês e era ut supra.
O padre cura Bernardo Nunes Peixoto”


Os pais do noivo, João Gonçalves (filho de João Fernandes e Maria Fernandes) e Isabel Dias (filha de Bartolomeu Dias e Maria Gonçalves) tinham casado em 23/11/1669. Tiveram, pelo menos, mais uma filha, Maria, nascida em 24/10/1678. Os pais da noiva, João Cerveira (filho de João Cerveira e Brites Jerónimo) e Isabel Gomes (filha de Manuel Gomes e Maria Fernandes) tinham casado 27/1/1675.
No ano seguinte ao casamento, em 7/11/1691, o casal teve a sua primeira filha de nome Maria e nove anos depois, em 22/8/1700 nasceu a Isabel.
No entanto, segundo um assento de casamento que se reproduz, ambos terão falecido antes de 1704. E em 31/1/1704, com apenas 13 anos, a sua filha Maria casa com Manuel Gonçalves com 21 anos (nascera em 5/10/1682), filho de Domingos Gonçalves do Olival e de Isabel Lourenço. Em 10/7/1715, Maria já com 24 anos tem a sua primeira filha, Maria.


Aos trinta e um dias do mês de Janeiro de mil setecentos e quatro nesta igreja do Salvador deste lugar do Casteleiro em presença de mim o licenciado Padre João Pinto de Fonseca Cura da dita Igreja e das testemunhas abaixo nomeadas e assinadas o padre Domingos Pinto da Fonseca, Manuel Cerveira e Marcos Gomes todos deste lugar e muita mais gente que presente esteve, em face da igreja conforme dispõem o Sagrado Concílio Tridentino e Constituições deste Bispado da Guarda, se casaram por palavras de presente Manuel Gonçalves, solteiro, filho de Domingos Gonçalves do Olival e de sua mulher Isabel Lourenço já defunta e Maria Cerveira, solteira, filha de Manuel Dias e de sua mulher Maria Cerveira já defuntos moradores neste lugar de Casteleiro e dele naturais os dito contraentes, de que fez este assento o licenciado Padre João Pinto da Fonseca que o escrevi.”

Factos reais de famílias casteleirenses!







"Reduto", crónica de António José Marques




27/01/2019

Quinta do Ameal foi o primeiro nome da Quinta de Santo Amaro


Em 9/7/2013 publiquei neste espaço um documento inédito  do primeiro numeramento do reino, feito entre 1527 e 1532, de todos os lugares do então termo de Sortelha. Lá constava o Casteleiro com 52 fogos e outras quintas e casais. No entanto, a quinta de Santo Amaro não constava….
E não era referida porque tinha outro nome: “Quymtam do Ameall”, com 2 fogos.
 
A Quinta do Ameal foi um prazo da Comenda do Seixo Amarelo da Ordem de São Bento de Avis. Pelo menos em 1396 já pertencia à Ordem, já que D. Afonso IV a escusou de impostos por estar despovoada. Na ocasião estava aforada a Fernão Gomes Góis.
Os caminhos de quando se investiga o passado são sempre imprevisíveis. E eis que é hoje possível saber e tornar público parte da estória de como a família Costa Lobo chega a esta Quinta que até hoje conhecíamos apenas por Quinta de Santo Amaro.
 
 
Gregório Tavares da Costa, filho de Luís Tavares da Costa e Inês de Cáceres, Capitão Mor da Covilhã, Fidalgo da Casa Real, casou primeira vez com Maria de Campos, viúva de António Camelo Botelho que detinha o aforamento da Quinta. Este tinha herdado esse aforamento de seu pai, Nuno Camelo, em 1591, que o tinha herdado de sua mãe D. Constança Afonso de Proença em 1538, que esta recebera em 1530 por morte do marido, Jorge Álvares.
Maria de Campos deixa em 1624, por 3 vidas, o aforamento da Quinta a seu marido Gregório Tavares da Costa. Este é o momento que vai ditar a posse da Quinta do Ameal e mais tarde de Santo Amaro à mesma família por mais de três séculos.
Por morte de Maria de Campos, em julho de 1653, Gregório Tavares da Costa casa com Catarina Pinto Lobo em 15/5/1655, na Covilhã. Catarina Pinto Lobo, filha de Francisco Pinto Lobo, de Seia, e Inês Mendes, da Covilhã, descendente dos Senhores da Quinta de Carragosela de Santa Comba (Seia).
Em 30/11/1678, Gregório Tavares da Costa Lobo (passa a usar o apelido da esposa), obtém o aforamento em seu nome, por mais três vidas. Fica a pagar a renda de 1220 réis, a entregar no dia de Natal. Faleceu em 26/2/1684 e sucedeu-lhe seu filho Luís Tavares da Costa Lobo.
Este é, apenas, o início da estória da posse da Quinta até ao seu último proprietário José Caetano Tavares da Costa Lobo, nascido em 2/11/1876, oitavo neto de Gregório Tavares da Costa Lobo, por todos conhecido pelo “Morgado de Santo Amaro”.
 
Mas, seria mesmo Morgado?
 
 
"Reduto", crónica de António José Marques
 
 

09/12/2018

A população do Casteleiro em 1911


Prosseguimos a divulgação e análise da evolução demográfica do Casteleiro, hoje com referência ao censos realizado em 1 de Dezembro de 1911, um ano mais tarde que o previsto dado os acontecimentos de 1910 com a implantação da República.
Relembramos os dados conhecidos relativos ao Casteleiro: 1527: 52 habitantes; 1758: 527 habitantes; 1801: 462 habitantes e 135 fogos; 1849: 777 habitantes e 201 fogos; 1864: 848 habitantes e 214 fogos; 1900: 1210 habitantes e 307 fogos.
Em 1911 o Casteleiro tinha 1268 habitantes, 619 homens e 649 mulheres. Quanto ao estado civil, 740 eram solteiros (378 homens e 362 mulheres), 439 casados (208 homens e 231 mulheres), 88 viúvos (32 homens e 56 mulheres) e 1 separado judicialmente.
Quanto à instrução, 1133 eram analfabetos (510 homens e 623 mulheres) e sabiam ler apenas 105 pessoas (79 homens e 26 mulheres).
Relativamente à origem da população, 1105 eram da freguesia ou do concelho do sabugal, 15 de outro concelho do distrito e 148 de outra naturalidade. Em 1911 o número de fogos era de 317. Constata-se, assim, que em 11 anos a população aumentou em 58 pessoas e os fogos em 10, mantendo a tendência de crescimento.
Neste censo temos ainda possibilidade de conhecer o número de fogos e população da aldeia e de algumas das anexas. Assim, o Casteleiro aldeia tinha 806 pessoas e 215 fogos, Santo Amaro 183 pessoas e 42 fogos, Valverdinho 187 pessoas e 43 fogos, Quinta das Barrentas 17 pessoas e 4 fogos e dispersos por quintas 75 pessoas e 13 fogos.
Em próxima crónica analisaremos o censos de 1920, onde a “pneumónica”, que atingiu a região de maio a julho de 1918, vai ditar algumas alterações na evolução da população.
 
 
 
 
"Reduto", crónica de António José Marques
 
 
 

03/11/2018

O meu amigo Tó


Há cerca de 45 anos, por meados de junho, vindo de Lisboa, chegava anualmente ao Casteleiro para iniciar as “férias grandes”. Recordo que tinha três visitas que fazia de imediato. Ir a casa da tia Adelaide e Manuel Diogo, ir a casa da tia Ressurreição e Joaquim Diogo e subir o balcão do “tó alfaiate”. O Tó recebia-me sempre com grande carinho. Era um encontro de um jovem adolescente e um adulto com mais de o dobro da minha idade. Encontrava-o no seu trabalho de alfaiate num espaço com pouco mais de quatro metros quadrados, uma grande mesa que ocupava metade e, do lado esquerdo, uma pequena cadeira onde me sentava enquanto ele continuava a marcar os tecidos, a cortar as fazendas quase sempre também ele em cima da mesa. Um ritual que se repetiu durante muitos anos. E aquela sua “oficina”, qual porto de abrigo a qualquer hora do dia ou noite dentro, encerra estórias que, não sendo escritas, permanecem na minha memória e na de muitos e muitos dos seus amigos.
Falar do Tó é fácil. De como ele estimava os seus amigos, do seu amor incondicional ao Casteleiro. Em 1974, logo a seguir ao 25 de Abril, fez parte da Junta de Freguesia com o Sr. Manuel Guerra e o Joaquim Roxo. Sempre disponível, o Tó foi e será uma figura incontornável da Aldeia.
No início dos anos oitenta, num janeiro frio, o tó casou-se. Grande motivo de Festa e de mais uma vinda desde Lisboa para o acompanhar. Lá fomos até à Quarta-Feira, terra da Celeste. E a boda foi forte e duradoura.
O Tó partiu há três dias. Ontem rumei ao Casteleiro. Passei pelo “balcão” e olhei para o pequeno espaço que foi a sua oficina, segui para a Igreja. Ficam as memórias.
O Casteleiro está mais pobre. Eu estou mais pobre!






"Reduto", crónica de António José Marques


 

13/10/2018

A população do Casteleiro em 1900

Continuamos hoje a divulgação e análise dos dados demográficos do Casteleiro. Foram já aqui referidos os dados de 1527: 52 habitantes; 1758: 527 habitantes; 1801: 462 habitantes e 135 fogos; 1849: 777 habitantes e 201 fogos e 1864: 848 habitantes e 214 fogos.
Hoje, analisamos os Censos realizados em 1 de Dezembro de 1900. O Casteleiro continua a crescer em muito o número de habitantes e fogos e, pela primeira vez, temos acesso a dados até aqui desconhecidos, nomeadamente a naturalidade e a instrução, a nível da freguesia, e do concelho do sabugal no que se refere à ocupação profissional e deficiências físicas.
Assim, em 1 de dezembro de 1900, o Casteleiro tinha 1210 habitantes, 631 homens e 579 mulheres. Quanto ao estado civil, 367 homens e 299 mulheres solteiros e 238 homens e 233 mulheres casadas e 73 viúvos (26 homens e 47 mulheres). Quanto a instrução, 1090 eram analfabetos (536 homens e 554 mulheres), uma taxa de 90%, e sabiam ler apenas 120 pessoas (95 homens e 25 mulheres). Relativamente à origem da população, 1036 eram naturais do próprio concelho, 30 de outro concelho do distrito da Guarda, 139 de outro local e 5 “estrangeiros”. O número de fogos era, à data, de 307. Constata-se que, em 36 anos, a população do Casteleiro amentou em 362 pessoas e os fogos em 93.
Relativamente a outros dados recolhidos por estes censos, apenas são referidos a nível de concelho. Assim, o Concelho do Sabugal tinha 32624 habitantes, 26009 dos quais eram trabalhadores agrícolas, 3354 na área da indústria, 955 no comércio, 933 nos trabalhos domésticos e os restantes distribuíam-se por profissões liberais, força pública e ocupação desconhecida. De salientar, em todo o concelho do Sabugal, a existência de 26 cegos de um olho, 47 dos dois; 18 surdos-mudos; 15 “idiotas” e 38 alienados.
Como curiosidade, de referir que uma semana depois deste recenseamento, no dia 9 de dezembro de 1900, nasceu o José, filho de Manuel Antunes e Joaquina Gonçalves, neto paterno de Policarpo Martins e Maria da Assunção e materno de João Inzá e Maria Clara.
Em próxima crónica analisaremos o ponto da situação 10 anos depois, em 1911.
 
 
"Reduto", crónica de António José Marques
 
 

28/08/2018

A população do Casteleiro em 1864


Em Outubro do passado ano abordei nesta crónica os dados relativos à população do Casteleiro segundo o censo de 1801, conhecido pelo ”Censo do Conde de Linhares”. Nesse ano, a Aldeia tinha 462 habitantes, 223 homens e 239 mulheres. Quanto aos fogos eram referidos 135.
Em 1849 existem dados de outro recenseamento, ainda com base nos assentos paroquiais, que referem 777 habitantes, 378 homens e 399 mulheres. Nesse ano foram registados 25 nascimentos, 9 óbitos e 3 casamentos. Relativamente aos fogos passaram a 201. Constata-se, assim, que em apenas 48 anos, a população aumentou em 315 pessoas e o número de casas em 66.
Mas foi em 1864 que se realizou o primeiro recenseamento geral da população, em que os dados obtidos são mais concretos e têm já um grau de confiança razoável.
Assim, em 1864, o Casteleiro tinha 848 habitantes, 430 homens (267 solteiros, 143 casados e 20 viúvos) e 418 mulheres (236 solteiras, 143 casadas e 39 viúvas). A estrutura etária estava assim distribuída: até aos 10 anos – 101 do sexo masculino e 86 do feminino; entre os 11 e os 25 anos – 109 do sexo masculino e 117 do feminino; entre os 26 e os 40 anos – 128 e 114; entre os 41 e os 60 anos – 69 e 73; entre os 61 e os 80 anos – 22 homens e 27 mulheres. Entre os 80 e os 90 anos foram recenseados um homem e uma mulher. Quanto aos fogos registam-se 214, um aumento de 13 em 15 anos.
Da análise destes números a salientar uma população francamente jovem: 187 crianças com menos de 10 anos e 226 jovens com idade entre os 11 e os 25 anos. Quase metade da população (413) tinha menos de 25 anos.
O censo de 1864 foi reportado ao dia 1 de Janeiro. Aí é referido que existia uma única criança do sexo masculino com mais de um mês e menos de dois meses completos. Para memória futura, após investigação nos paroquiais, essa criança chamava-se Joaquim, nascido a 5 de Novembro de 1863, filho de Manuel Cameira Nabais e Rosa Gomes, neto paterno de António Nabais e Maria Cameira e materno de José Caetano Esteves e Maria Gomes. Foi baptizado em 15 de Novembro de 1863 sendo padrinhos o casal José Fernandes Chambaril (forneiro) e Maria Soares.
A evolução demográfica do Casteleiro, conhecida e já aqui referida é a seguinte: ano de 1527 – 52 habitantes; ano de 1758 – 527 habitantes; ano de 1801 – 462 habitantes; ano de 1849 – 777 habitantes e ano de 1864 – 848 habitantes.
Em menos de 30 anos depois deste censo, o Casteleiro vai ultrapassar os mil habitantes. Essa é outra crónica!







"Reduto", crónica de António José Marques



14/08/2018

Requalificação do Largo do Reduto

                                                       
O secular Largo do Reduto ganhou nova dimensão. Domingo, 12 de agosto, assinalou-se a conclusão das obras de requalificação do Largo. Uma obra promovida pela Junta de Freguesia que implicou a aquisição das “palheiras” existentes no local, a sua demolição acompanhada por um arqueólogo e elaboração e execução do projecto que permitiu edificar um bloco de sanitários públicos, recuperar os muros e edificações envolventes, alterar a iluminação da área e, ainda, “transformar” um bloco granítico ali existente num chafariz público.
Estiveram presentes, entre outros, o Presidente da Câmara, António Robalo, o Vice-Presidente Vítor Proença, a Vereadora Sandra Fortuna e todos os membros da Junta e Assembleia de Freguesia do Casteleiro.
O primitivo Reduto amuralhado e estrutura defensiva da Aldeia num tempo em que tinha ao centro o único local de culto do aglomerado, hoje Capela do Espírito Santo, ganhou uma nova escala. Porque os espaços e as pedras também falam….
 
 
 
 
 
 




 
 



10/04/2018

Raptado por um oficial inglês


É do conhecimento histórico que, por ocasião das Invasões Francesas, Sortelha e todo a zona envolvente foi um dos alvos das tropas invasoras. Aliás, é bem conhecida a vitória do exército luso-inglês na famosa Batalha do Gravato, no Sabugal, a 3 de Abril de 1811. Certo é que os ingleses, depois da retirada dos franceses, ficaram por cá nomeadamente para reorganizar o exército luso, sob o comando dos generais Wellington e Beresford. E essa presença terá acontecido, também, na então capitania de ordenanças de Sortelha. O que poderá de algum modo estar na base deste facto acontecido no Casteleiro, em 1811 ou 1812.




Luís, filho do casteleirense José Martins da Costa e Maria da Costa do Vale de Lobo, nasceu em 1801. Setenta e um anos depois, a 3 de fevereiro de 1872, ficamos a saber por intermédio de um seu primo, Luís Martins Fortuna, que solicitou que o assento de baptismo fosse reescrito, que o Luís tinha sido raptado a seus pais por um oficial inglês, teria então dez ou onze anos de idade.

O porquê deste rapto, em que condições, o que lhe aconteceu, nunca o vamos saber. Quem serão os descendentes da família do Luís? Também dificilmente o saberemos. O que sabemos é que nunca mais se soube dele já que o assento é escrito setenta e um anos depois do seu nascimento.
E sabemos outra coisa. É que tantas décadas depois o casteleirense Luís não foi esquecido pelos seus, que fizeram questão de deixar para memória futura prova da sua existência e do que lhe aconteceu.
E esse foi um objectivo conseguido. Passados 217 anos estamos aqui a falar do Luís.

“Luís, filho legítimo de José Martins da Costa natural desta freguesia de Casteleiro concelho extinto de Sortelha e Belmonte, hoje do Sabugal Diocese da Guarda e de Maria da Costa ou Pires Reina, natural do Vale de Lobo concelho de Penamacor da dita Diocese , neto paterno de José Martins  Osório e de Violante da Costa , ignora-se o nome dos avós maternos por não serem desta freguesia. Nasceu no ano de mil oitocentos e um , foi solenemente baptizado pelo Reverendo José dos Santos e foi seu padrinho seu tio paterno  Manuel Martins da Costa o que tudo me foi certificado pelas testemunhas Luís Martins Fortuna primo do baptizado, de idade de setenta anos e Joaquim Gomes Rodrigues da idade de setenta e quatro anos. Em vista do alvará de autorização que me foi apresentado por Sua Exª reverendíssima o Bispo desta Diocese, Manuel Martins Manso, o qual alvará fica no arquivo desta paróquia, lavrei este assento que assino, Casteleiro 3 de fevereiro de 1872- o Vigário Joaquim Lopes Almeida. Declaro em tempo que as sobreditas testemunhas me confessaram que o baptizado foi raptado a seus pais por um Oficial Inglês em mil oitocentos e onze ou doze. Era ut supra.”






"Reduto", crónica de António José Marques




Assento de Baptismo disponibilizado por http://www.genregis.com/

23/12/2017

1757 - Casamento no dia de Natal

Domingo, 25 de Dezembro de 1757. Dia de Natal no Casteleiro. Passaram exactamente 260 anos. Dia de festa na Aldeia. Mas também dia de boda. Celebrou-se o casamento do Francisco e da Francisca. Com uma particularidade: foi o quarto casamento da Francisca!
Francisco Lopes Martins, solteiro, natural do Casteleiro. filho de Manuel José Martins de sortelha e de Isabel Pires Leal, do Casteleiro, casou com Francisca Martins Pacetta, viúva. A Francisca tinha casado pela primeira vez com Manuel Esteves do Casteleiro, a segunda vez com Manuel Antunes natural do Salgueiro e a terceira vez com António Martins, natural da quinta das Olas (Belmonte), filho de António Velho e de Ana Martins. António Martins, o terceiro marido da Francisca, tinha falecido no Casteleiro a 2 de Novembro de 1755. Estórias do passado!
 
  "Reduto", crónica de António José Marques
 

03/12/2017

O Cadastro de 1527




Em Julho de 2013 publiquei aqui parte de um documento inédito: o primeiro grande “recenseamento”  do Reino efectuado em 1527, no que diz respeito ao então “Termo de Sortelha”. Um documento cujo original se encontra no Museu Britânico e que mão amiga me fez chegar.
Hoje transcrevo a totalidade do documento num português que todos compreenderão.
“Termo da Villa de Sortelha /
Item na Villa da sortelha e seu termo vivem moradores ... 383 / na Villa dos muros adentro vivem ... 78 / E no termo tem quymze lugares e quymtas em que ha moradores se/quymtes / o lugar de samtestevam ... 76 / o lugar de samto amtonio ... 15 / o lugar malloata ( sic ) ... 13 / o lugar de pena lobo ... 24 / o lugar de bemdada ... 48 / o lugar do casteleiro ... 52 / o lugar da mouta ... 42 / A quymtam de cyzirota ... 4 / A quymtam dagoas bellas ... 12 / A quymtam de Vallmourysio ... 7 / A quymtam dos amos ... 3 / A quymtam da ( sic ) pam ... 2 / A quymyam do azinall ...3 / A quymtam do ameall ... 2 / o cassal do duraom da rua ... 1 / que todos ffazem a soma .... ( sic ) /
E a dita Villa tem de termo em comprido seis legoas e em largo tres le/goas parte e comfromta ho termo da dita Villa com o termo da cidade 7 da Goarda que estaa pera o norte e da Villa a dita cidade sam quatro / legoas e omde se parte o termo ha legoa e mea e asy parte e confromta / com a villa de bellmomte e ha de huuma Villa a ouutra duad llegoas / pera ho poemte e omde se partem os termos huuma legoa e asy parte e / comfromta com a villa de covjlham e ha de huuma vylla a ouutra quatro / legoas omde se parte o termo huuma legoa e asy parte e comfromta / com a Villa de penamacor e de huma villa a ouutra sam tres legoas e / omde se parte o termo haa huma legoa e asy parte e comfromta com o / reyno de Castella cimco legoas e / parte com a villa do sabugal e ha de / huuma villa a outra duas legoas e tamto tem de termo pera a dita vylla / chega o termo a dita vylla pelo ryo de coa que vay pegado nos muros // do sabugal e asy parte e comfromta com ha villa de touro e tem de termo / pera lla legoa e mea / o sabugal faz pera ho nascente e o touro mais / pera o norte /”.
Como então referi, este documento revela-nos a existência de 52 moradores no Casteleiro mas, por outro lado, levanta outras questões. Estão aqui referidos 15 topónimos: 7 “lugares”, 7 “quintas” e 1 “casal”. E se muitos dos topónimos referidos chegaram sem grandes alterações aos nossos dias, outros não têm correspondência. O estudo desses lugares está quase feito na totalidade.
Em próxima crónica irei aqui desvendar essa correspondência para a actualidade e, finalmente, aquilo que há alguns anos tem sido objecto de investigação exaustiva: o nome possível, em 1527, da Quinta de Santo Amaro.
 



"Reduto", crónica de António José Marques


28/10/2017

A população do Casteleiro em 1801


O primeiro recenseamento geral da população foi feito em 1864. No entanto, através de fontes quase sempre com origem na Igreja, é possível encontrar alguns dados relativos ao Casteleiro.  O primeiro que se conhece, já aqui referido, é o numeramento de 1527 que aponta a existência de 52 moradores na aldeia.
Hoje, abordo aqui aquele que ficou conhecido pelo “Censo do Conde de Linhares” referente a 31 de dezembro de 1801 que, pela primeira vez, nos revela dados concretos sobre a população e que, de alguma forma, colide com os elementos escritos pelo cura Pires Leal nas “Memórias Paroquiais” de 1758.
Assim, em 1801, o Casteleiro tinha 462 habitantes, 223 homens e 239 mulheres. Durante esse ano houve 25 nascimentos e 24 óbitos. A estrutura etária era distribuída da seguinte forma: até aos 7 anos – 42 do sexo masculino e 31 do feminino; entre os 7 e os 25 anos – 79 e 102; entre os 25 e os 40 – 62 e 61; entre os 40 e os 60 anos – 32 e 38; entre os 60 e os 80 anos – 9 homens e 6 mulheres. Com mais de 80 anos não consta ninguém. Quanto aos fogos é referida a existência de 135.
A análise destes números mostra-nos uma população muito jovem: 73 crianças até aos 7 anos; 181 pessoas entre os 7 e os 25 anos; 123 com idade entre os 25 e os 40 anos e apenas 70 entre 40 e 60 anos.  Acima de 60 anos apenas 15 pessoas e nenhuma com mais de 80 anos. Números que indicavam já o grande aumento de população que o Casteleiro iria ter ao longo do século XIX.
Chegados aqui, importa referir os números já nossos conhecidos revelados nas “Memórias Paroquiais” de 1758. Aí, o cura Pires Leal refere: “  Tem cento e cinquenta e dois fogos, pessoas de confissão e comunhão trezentas e quarenta e oito; só de confissão setenta e quatro, crianças que ainda não se confessam cento e três, pessoas ao todo quinhentas e vinte cinco.”
Ora, comparando os números, em 43 anos existe um decréscimo da população de 63 pessoas e o número de fogos decresce em 17. Numa primeira análise algo parece não bater certo já que estamos num período em que a aldeia se encontra em expansão. No entanto, embora possam existir erros, poderá haver uma explicação.
Em relação ao número de fogos, não sendo provável que em quase 50 anos houvesse decréscimo de fogos mas sim o seu aumento, a justificação pode estar na noção de “fogo” que foi variando ao longo do tempo e de região para região. Alguns estudos nesta matéria referem essa realidade. Um “fogo” tanto pode ser considerado uma casa como poderá estar, por exemplo, relacionado com “um” chefe de família.
Em relação à diminuição da população em 63 pessoas, embora a probabilidade seja mínima, também pode ter uma justificação. Estamos num período em que o País atravessa um período de fome generalizada e, mais concretamente na nossa região, com condições meteorológicas adversas em que as culturas são quase inexistentes. Acresce, ainda, ser esse um período em que as doenças proliferam, nomeadamente o tifo e outras epidemias que, ao tempo, não tinham cura.
Por exemplo, de agosto a dezembro de 1762, estão registados cerca de 50 óbitos nos assentos paroquiais do Casteleiro, na sua maioria de menores, podendo este número ser muito superior já que em muitas paróquias era hábito não registar os falecimentos de menores de 7 anos.
Com ou sem erros, justificações plausíveis ou não, estes foram os números que chegaram aos nossos dias. E que nos ajudam a conhecer um pouco mais da nossa história!


 
"Reduto", crónica de António José Marques
 
 

07/10/2017

REDUTO

O Largo do Reduto vai ganhar novas formas. Após largos meses de negociações, a Junta de Freguesia adquiriu as “palheiras” junto à capela do Espírito Santo, entretanto já demolidas. No local vai nascer um WC público e reordenado todo o espaço envolvente. O projecto está concluído e foi já entregue na Câmara do Sabugal no início do mês de Agosto.









09/06/2017

Reordenamento do Largo do Reduto

Após longos meses de negociação, a Junta de Freguesia de Casteleiro concretizou a aquisição de duas 'palheiras' situadas ao lado da Capela do Espírito Santo, no largo do Reduto. O projecto tem por objectivo a construção de um WC público, uma já antiga aspiração da população. O processo de demolição das edificações existentes que se encontravam em adiantado estado de ruína já se iniciou. Simultaneamente, será reordenado todo o espaço envolvente.
António Marques

 

19/10/2016

Passado e Presente



Todos os casteleirenses conhecem o local. Todos por aqui passaram centenas de vezes. Esta foto, que me chegou por mão amiga mas que se desconhece o seu autor ou data, depois de inquirições a alguns dos nossos seniores, poderá ter sido obtida na década de cinquenta do século passado. A outra foto, exactamente do mesmo ângulo, foi tirada ontem, 18 de outubro.
Dizia o poeta que “onde não estamos é que estamos bem. Já não estamos no passado, e então ele parece-nos belíssimo”. Acrescento eu, neste caso, que não parece, é belo.
Mas estas duas fotos transportam-nos para a realidade do presente. Ouvi há alguns meses, numa aldeia do concelho, alguém referir “aqui, onde a estrada acaba”. No Casteleiro a estrada não acaba, a aldeia é atravessada em todo a sua extensão por uma estrada nacional. Mas é uma estrada que tem servido para levar gente. Hoje a população é menor que no século XVI. As casas foram recuperadas, novas e muitas se construíram. Mas não estão habitadas.
Contudo, o Casteleiro é a mais bela aldeia. Sempre foi. Porque é a nossa. E quando olhamos uma foto que nos faz recuar no tempo, as certezas são maiores e a energia para olhar o futuro ganha força e vigor.






"Reduto", crónica de António José Marques




21/06/2016

O arrolamento dos bens da Igreja em 1912


Como já aqui referi em crónica anterior, a propósito da existência na nossa aldeia da Confraria de Nossa Senhora das Dores, a Lei de Separação do Estado e da Igreja, publicada a 20 de Abril de 1911, determinou o arrolamento e inventário de todos os bens da Igreja.
Hoje reproduzimos aqui o original desse inventário realizado no Casteleiro no dia 6 de Março de 1912. Estiveram presentes e assinaram o documento: José Augusto Martins Paiva, representante do Administrador do Concelho; Norberto de Amaral Azevedo, Presidente da Junta da Paróquia de Casteleiro e Manuel José Gonçalves Coelho, delegado da comissão concelhia do inventário.
O documento descreve os bens móveis, a saber:
- “uma igreja denominada de S. Salvador que serve de igreja matriz com capela mor, sacristia, uma pequena casa para despejos, campanário com um sino quasi de grande tamanho…”
- “uma capela denominada de S. Francisco, campanário e púlpito cá fora, mas sem sino tendo dentro um altar e imagem de São Francisco…”
-“uma capela denominada do Espírito Santo situada no Reduto com campanário e sineta tendo dentro um altar e imagem do Espírito Santo…”
-“uma capela denominada de São Sebastião, no sítio de São Sebastião com um altar dentro em mau uso…”

Quanto às imagens encontradas na igreja matriz: São Salvador, Coração de Jesus, S. Sebastião, Senhora de Lurdes, Santo António e Menino Jesus. Segue-se depois uma longa lista de alfaias e utensílios. De várias casulas, a missais, um par de galhetas de vidro, um relicário de prata, estolas, etc…
Todos os bens ficam à guarda do Presidente da junta da Paróquia.
Curiosidade, ou talvez não, o pároco de então, António Gonçalves Sapinho, não assinou o documento pois, escreve o delegado, “o pároco desta freguesia não assistiu por não ter sido encontrado”. Obviamente o padre Sapinho não iria assistir ao despojamento dos bens e nesse dia, certamente, terá aproveitado para fazer um passeio!
Em 1932 foi feita nova adenda ao inventário já que, imaginem, vinte anos depois tinham descoberto que alguns dados estavam em falta. Mas isso é tema para outra crónica…
 
 
 
 
 
"Reduto", crónica de António José Marques