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20/02/2014

Marcas de um regime...























Salazar encontrou na educação o terreno fértil para a proliferação da sua ideologia

A FORMATAÇÃO DE UM POVO

«Ensinai aos vossos filhos o trabalho, ensinai às vossas filhas a modéstia, ensinai a todos a virtude da economia. E se não poderdes fazer deles santos, fazei ao menos deles cristãos», Salazar.
«Instrução aos mais capazes, lugar aos mais competentes, trabalho a todos, eis o essencial», Salazar.
«Para cada braço, uma enxada, para cada família o seu lar, para cada boca o seu pão», Salazar.
«Tudo pela Nação, nada contra a Nação», Salazar.
«Vós pensais nos vossos filhos, eu penso nos filhos de todos vós», Salazar.





"A Minha Rua", Joaquim Luís Gouveia





12/02/2014

Licença de trânsito - Bicicleta


Hoje trago à vossa lembrança a “Licença de Trânsito” que permitia a livre circulação da bicicleta nas ruas e estradas das nossas aldeias e vilas. Também, esta, uma receita camarária, que juntamente com outras constituíam parte do magro orçamento destas parcelas do território português.
Com uma história riquíssima, a sua evolução, transporta-nos para as famosas “pasteleiras”. Para os mais novos, desconhecedores desta realidade, este veículo, era pesadíssimo, utilizando no seu fabrico, não alumínio como atualmente, mas sim ferro: forte e feio, como se costuma dizer.
Hoje em dia é considerado o meio de transporte mais utilizado e limpo no mundo.
Registo as vantagens que tem para a saúde, quando utilizada na prática desportiva, no lazer dos mais novos ou como veículo de transporte para o trabalho.
Mantenha-se atento!
Prometo trazer aqui mais uns pedaços de História.
 





"A Minha Rua", Joaquim Luís Gouveia


04/02/2014

Apontamentos sobre a nossa história recente


Não vai assim tão distante na História, o tempo em que, para tudo e para nada, era necessário uma licença específica quer fosse para, acender o isqueiro ou, simplesmente, para o carro de bois poder “circular” em caminhos de lama ou na estrada alcatroada. Para ridículo da questão, as respetivas licenças tinham que acompanhar, sempre, o verdadeiro utilizador e, no caso do carro de bois, teria que a exibir em local bem visível às autoridades. Por hoje, ocupemo-nos, apenas da licença do isqueiro.
A licença do isqueiro foi um dos símbolos das absurdas taxas aplicadas ao cidadão pelo regime de Salazar. Os portadores dos isqueiros eram obrigados, no início de cada ano civil, a deslocarem-se às finanças para tirar a respetiva licença de porte e uso, medida essa que, levava aos cofres do Estado muitos milhares de escudos, usurpados aos magros bolsos de muitos portugueses. Quem não cumprisse tal normativo e fosse apanhado a acender, na via pública, um simples cigarro, candidatava-se ao pagamento de uma coima, deveras superior ao valor da licença.
É evidente que contra este exagero, havia aqueles que, não concordando, boicotavam tal medida.
Deste tempo … não temos saudade alguma!

NOTA: Qualquer semelhança com a realidade dos nossos dias pode ser pura ficção.







"A Minha Rua", Joaquim Luís Gouveia



21/10/2013

Uma mais-valia para o Casteleiro


Nem sempre a interioridade é sinónimo de apatia, encolher dos braços…desistir!
Situada no Casteleiro, a Casa da Esquila é hoje sinónimo de requinte, bom gosto, profissionalismo e muita simpatia.
Rui Cerveira, proprietário e criativo na arte da gastronomia tem o gosto pela ruralidade do Casteleiro e das suas gentes.
A consideração pelo cliente e o respeito que este lhe merece fez com que, aos domingos, o som do saxofone se misture com o requintado bufet, com que presenteia as dezenas de forasteiros que ali se deslocam, oriundos de variadas terras.
Numa destas refeições dominicais fui presenteado com este requinte, invulgar, por estas e outras paragens…
 

Mas a surpresa não ficou por aqui!
Não resisti, e trouxe comigo um documento informativo dos vários serviços que a Casa Esquila presta.
“É o manifesto” do PORQUÊ GOURMET RURAL que não resisto a transcrever, aqui:
«Antes de mais, Rural, porque é a nossa identidade, somos assumidamente rurais; gostamos de ter tempo para as coisas, gostamos de provar os primeiros frutos da época, os legumes que vemos crescer da terra, a carne que vem das pastagens beirãs, o peixe com os perfumes da tradição.
Gourmet, porquê? Porque são esses produtos, naturalmente rurais, produtos de excelência. Carnes criadas livremente em pastos, legumes cultivados com a ternura das avós, que explodem de sabor quando os provamos; frutas que tiveram tempo para amadurecer…de manhã, ainda, na árvore e ao almoço apresentam-se, delicadamente, na mesa com todos os seus perfumes.
(…) Acima de tudo pretendemos com esta nossa forma de estar, proporcionar-lhe sensações de puro prazer e bem-estar físico e etéreo».
OBRIGADO RUI, PELO TEU PROFISSIONALISMO E BOM GOSTO!
 
 
"A Minha Rua", Joaquim Luís Gouveia


14/10/2013

Junta de Freguesia sempre atenta


As tardes solarengas deste início de Outono trazem ao largo de S. Francisco – local de todas as novidades – as conversas masculinas, reflexo dos trabalhos agrícolas, marcados pelo ritmo da natureza.
As vindimas acabam por ser o tema dominante destes últimos tempos: a abundância de uvas deste ano contrasta com a dificuldade de escoamento das mesmas mas, também, com a diminuição de consumidores do líquido protegido por Baco.
Mas neste espaço, nobre da aldeia, que ao domingo se encontra mais composto, a crítica às suas instituições assume por vezes, particular atenção neste canal vivo, desta terra que teima em resistir e se apresentar como um local onde apetece viver.
Vem isto a propósito de que, nem todas as críticas, que aqui são feitas têm razão de ser, nomeadamente, quando estas pretendem visar o infundado descuido da Junta de Freguesia, perante a manutenção dos caminhos rurais. O Inverno chuvoso, seguido de um Verão quente e prolongado, fizeram germinar todas as sementes que a terra guardara de anos anteriores, tomando conta de alguns dos caminhos por onde, solitariamente e de longe em longe, encontramos os seus utilizadores.
Atentos a esta realidade, ontem mesmo, pude encontrar o Presidente da Junta, o Secretário e o Tesoureiro, em pleno caminho da estrada a inteirar-se do estado dos caminhos, depois das fortes chuvadas deste início de Outono.
Gostei do que vi. Os caminhos estão ser limpos: silvas cortadas, valetas limpas, reposição de terras… A isto chama-se PREVENÇÃO! Mas também se chama GOSTO PELA TERRA!

 AS PESSOAS ESTÃO PRIMEIRO!







"A Minha Rua", Joaquim Luís Gouveia



24/08/2013

Empalhador de garrafões e garrafas



Durante a minha meninice, pelo Casteleiro vi passar, por alturas do final do Verão, estas habilidosas mãos que, das vergas de salgueiro, cortadas antes do nascer do sol, nas margens dos ribeiros que refrescam esta linda terra, produzirem verdadeiros rendilhados à volta de um garrafão ou de uma simples garrafa.
Empalhador de Garrafões era sinónimo de vida. Quantas vezes estes objetos que serviam para transportar vinho, tão necessário a uma “jorna mais produtiva” (dito popular com o qual não concordo), eram rebuscados dos sótãos, por entre as teias de aranha, que o tempo se encarregou de produzir e o caniço onde mais tarde as chouriças irão secar.
No Casteleiro não havia tal sabedoria! Havia outras, dirão os leitores! Claro que sim.
À semelhança de outros artesãos também este fazia uma rota algo distante e bastante penosa, no tempo. Saía da sua terra, e pelas aldeias onde passava, permanecia o tempo suficiente de satisfação total dos seus clientes. Não havia garrafão a necessitar de ser devolvido à sua serventia que não fosse minuciosamente reparado. Hoje chamar-se-ia reciclagem e antigamente? A “necessidade aguçava o engenho”. Isso mesmo, a miséria era tanta que nada se podia deitar fora. Como o vidro, “de velho vira a novo”, então aí temos um novo objeto, desta vez, com novo revestimento, prontinho a sair à rua (neste caso, à mesa), especialmente em dia de festa na aldeia ou na romaria mais próxima.
Podemos questionar onde trabalhava este artesão durante o seu périplo pelas aldeias? Muito simples: onde quer que houvesse trabalho, haveria, certamente, uma loja, bem fresca, onde esta hábil visita faria jus à sua arte de trabalhar o vime ou a verga.
O empalhador levava “uma vida de cigano”, andava de terra em terra, procurando, também este, o sustento de que tanto precisava para alimentar os sete filhos que deixara na terra, junto com a mãe, ajudando na lide da casa mas, sobretudo, nos trabalhos do campo que, esses, não podiam esperar pela vinda do progenitor.
Com a chegada da geração do plástico, esta arte foi desaparecendo, dando lugar ao sintético produto que, para além de prático, nada tem de belo, nem tão pouco o poder térmico do vime conseguiu conservar.
A arte de empalhar garrafões e garrafas de vidro é algo que a geração do plástico eliminou completamente.
                            







Joaquim Luís Gouveia
 
 

01/08/2013

O Amola Tesouras


Em cima da bicicleta e ao som da gaita chamava os clientes que pretendiam as facas e tesouras afiadas, ou até os guarda chuvas arranjados.
Era o amola tesouras.
Reza o ditado que, quando passava e com a sua gaita tocava a melodia emblemática, trazia chuva no dia seguinte.
 “A música da gaita, antigamente diziam que trazia chuva e batia certo, mas agora desde que começaram a subir para a Lua, estragaram tudo. Está tudo estragado e tudo mudado”, afirmava o protagonista que, ao longo dos anos, fez do Casteleiro um ponto obrigatório da sua penosa rota.
O seu transporte era uma bicicleta que tinha como apetrecho uma roda que amolava tudo o que as pessoas precisassem.
Há muitos anos atrás, cobrava 16 tostões por amolar uma tesoura. Agora, e com a raridade desta profissão, quando aparece na sua cíclica peregrinação, quase cinquenta anos depois, leva dez euros.
Ainda assim o amola tesouras justifica “a inflação”, ao afirmar que “é o que vai dando para viver, porque é chapa ganha chapa gasta”.
Com as aldeias a ficarem desertas, o som da gaita ecoa por entre as ruelas esguias e apertadas e pela Rua Direita (que é torta) anunciando, não a chuva que há-de vir “quando Deus quiser”, mas sim a presença do artesão portador de uma arte secular que, hoje em dia, está em vias de extinção.
 
 
 
 
 
 
 
Joaquim Luís Gouveia
 
 
 

07/07/2013

Chegou o Verão


 
Na cadência sequenciada do tempo o verde dos campos, ditado por uma prolongada primavera, deu lugar à cor dourada das searas e ervas daninhas que invadem a paisagem casteleirense contrastando, aqui e ali, com o arvoredo autótone da região.
A cor da paisagem mudou. A natureza, hoje e sempre, a cumprir a sua missão.
Com a magia do verão a aldeia transforma-se.
Os filhos da terra preparam-se para regressar, depois de mais um ano de intenso trabalho, noutras paragens, algumas bem distantes.
As casas, edificadas à custa de muitas ausências e saudades de quem fica, preparam-se para abrir as suas portas e, acolher no seu aconchego as gerações que um dia partiram à procura de uma vida melhor.
As ruas preparam-se para receber a gente que aqui falta, que dará mais vida à procissão de agosto – festa de Santo António.
A Junta de Freguesia, que durante o ano criou espaços novos e requalificou outros, quer agora, abrir as portas da aldeia e desejar a todos, votos de boas férias.
Também o Centro Cultural prepara já, o tradicional almoço de confraternização com todos os cateleirenses.
Com a chegada do verão os dias e as noites ganham outra dimensão.
O calor invade a aldeia, chamando todos ao convívio, interrompido pelas noites longas deste inverno, agreste, que passou.
Para os que estão…para os que regressam, BOAS FÉRIAS!






Joaquim Luís Gouveia



20/06/2013

Quando os dias passam devagar


 
O bater das horas no relógio da torre da igreja marca o ritmo artificial do tempo. É lento, demasiado lento…
Por aqui, o silêncio das ruas é quebrado por este som ritmado, algo sofisticado pela melodia que o acompanha.
De longe em longe encontramos mulheres de preto sentadas na soleira da porta ou no “balcão”, com degraus, desgastados pelo rigor do tempo.
No largo de S. Francisco permanecem, diariamente, as mesmas pessoas, quão “guardas do Templo” por alturas da guerra. Fazem de guias turísticos a quem passa de carro … vão arrumando as novidades, para que, ao domingo possam ser difundidas pelo engrossar do grupo de convivas…vão fazendo a crítica, pura e dura, às obras que, aqui e ali, transformam o Casteleiro.
Esta calmaria é caracterizadora de uma aldeia, como tantas outras, deste interior tão profundo.
A contrastar com esta desertificação, está o Lar e Centro de Dia da terra. Como dizia alguém, no passado fim-de-semana: “há mais gente no Lar, do que no Casteleiro inteiro”.
Aqui o tempo, também, passa devagar. As rotinas: das refeições, da higiene, dos procedimentos médicos…ou os trabalhos habilidosos de muitos dos seus utentes, marcam o ritmo dos dias.
Diariamente, a animadora cultural, rebusca nas memórias dos octogenários, residentes, vivências passadas, corporizando-as em artefactos reais, cada um com sua história, marcadamente rurais, marcadamente masculinos ou femininos.
Os espantalhos!
Por si só traduzem um tempo, envolvido em histórias, muitas vezes carregadas de humor, ou mesmo, roçando a brejeirice.
E o tempo passa…passa devagar!
 
Joaquim Gouveia

03/06/2013

As pessoas estão primeiro!








 
Vem esta crónica a propósito do trabalho sustentado da atual Junta de Freguesia do Casteleiro, cirurgicamente direcionado para todos quantos ali moram mas também para os filhos da terra que nos visitam durante o ano.
Refiro-me muito concretamente ao arranjo dos caminhos rurais que, outrora, mantinham um “movimento” constante e hoje, quando por ali passamos, raramente cruzamos com alguém.
Eu próprio já me questionei sobre o alcatroamento do caminho da estrada, noutro tempo, chamado estrada velha. Estranhamente, a resposta é óbvia: foi arranjado para facilitar a vida àqueles que por ali passam!
É exatamente esta sensibilidade que eu quero registar aqui. Sabendo a Junta de Freguesia que há poucas pessoas a utilizar estes caminhos, não é por isso que descuida a sua manutenção.
Hoje mesmo, pela manhã, deparei-me com o “Caminho da Serra”, completamente arranjado, mais largo e com um piso direito. Este, levava-nos ao “Cabeço Pelado”, local onde fica a primeira captação de água que abastecia o Casteleiro, hoje desativada. Falta apenas cortarem as silvas e outros ramos para que o referido caminho assuma outra dimensão. Tenho a certeza que, esse será o passo imediato, sim porque esta equipa “não brinca em serviço”!
Dei apenas estes dois exemplos mas poderia dar muito mais.
Apesar dos custos com os caminhos rurais diminuir, substancialmente, o orçamento de qualquer autarquia, é justo dizer que, para a Junta de Freguesia do Casteleiro as PESSOAS ESTÃO PRIMEIRO.
Bonito exemplo, este!
 



"A Minha Rua", Joaquim Luís Gouveia



26/12/2011

No Casteleiro a tradição ainda é o que era!












Ano após ano, o Natal traz à memória de todos nós, histórias de tempos passados onde o ritual do madeiro, das filhoses, dos doces…se repete como se o passado, às vezes já longínquo, tivesse sido um dia destes.
É verdade que, quem na noite de Natal confraternizou com amigos…gente que “regressou às origens” neste curto fim de semana, aquecidos pelo eloquente madeiro que ocupava o centro da praça, por certo não passou frio, muito menos esqueceu as brincadeiras – algumas rodeadas de grandes malandrices dos mais velhos - com que a garotada da época se entretinha nessa noite, tão diferente de todas as outras.
Os maços de madeira que todas as crianças gostavam de exibir nessa noite, para brincarem junto ao madeiro, retirando brasas do grande lume e fazendo um rebentamento, como de bombas se tratasse, às vezes nem chegavam a ser estreados, pois antes, tinham de ir caldear no enorme lume, que aquecia o Menino Jesus. Claro que o maço nunca mais era visto porque era queimado imediatamente pela rapaziada mais velha. Para estas crianças, terminava ali a festa e começava o choro. Hoje, as crianças (em menor número…) continuam a ir ao madeiro, levar o maço e divertirem-se, de uma forma pacífica e divertida. Os adultos assistem e aplaudem. Ainda bem que a atitude aqui mudou!
No percurso até este espaço mágico, o cheiro do azeite, misturado com filhoses invade, por completo as ruas, singularmente povoadas e a mente de quem sempre viveu este espírito de Natal na aldeia.
Vamos continuar a manter viva esta tradição natalícia, que assume o seu pleno sabor, neste nosso Casteleiro.
Oxalá estes cheiros e estas tradições persistam de modo a que as gerações futuras as consigam preservar e projetar nos tempos futuros.
BOM NATAL





"A Minha Rua", espaço de opinião de autoria de Joaquim Gouveia

06/03/2011

Hoje é Domingo Gordo

Não um domingo qualquer, este é o último domingo antes da Quaresma, pelo que, além de ser dia de folia, era dia de comer determinadas iguarias fornecidos pelo, com sua licença, o porco.
Depois da matança do porco que, geralmente ocorria por alturas do Natal, uma vez feito o enchido que embelezava o fumeiro, que secava junto ao caniço, as carnes mais gordas, juntamente com os ossos e os presuntos, eram guardados na salgadeira (arca com sal, normalmente em madeira – um conheço uma, totalmente esculpida em pedra com excepção, claro está, da tampa), donde eram tirados ao longo do ano, e geridos, regradamente, à medida das necessidades imperiosas.
Da água da cozedura dos ossos, repleta de gordura, juntamente com miolo de trigo e outros ingredientes eram feitos os farinheiros. Tal como a matança, a cozedura dos ossos era um ritual marcadamente familiar.
Enquanto os presuntos continuavam a repousar e “a tomar do sal”, na dita salgadeira, para o almoço de domingo gordo, eram guardadas determinadas carnes, que neste dia tinham um sabor especial. Refiro-me concretamente às orelhas, focinho, chispes e a cauda do dito animal.
Imaginem o quanto saboroso seriam todas estas carnes (bem, do sal, nem quero falar...), comidas no seu dia certo! Imaginem, se conseguirem, há quanto tempo eram desejadas…e já agora, quantas vezes seriam necessárias?
Tudo isto para explicar que o domingo que antecede o Entrudo, ao longo dos tempos, foi sempre carregado de fortes tradições religiosas, gastronómicas mas também com “foliões típicos” da nossa aldeia, à mistura.
Até porque a seguir ao Entrudo vinha a Quaresma que ditava forte rigor no jejum e abstinência. Daí que, nada melhor do que saciar bem o corpo. Quarta feira de cinzas – dia a seguir ao Entrudo, começava o rigor das leis religiosas…Nunca me esquecerei da frase que o senhor padre dizia na, quase sempre fria missa, dita na manhã desta quarta feira:”lembra-te ó homem que és pó e em pó te hás-de tornar” - ao mesmo tempo que fazia uma cruz, com cinza, sobre as nossas cabeças que até ficava todo arrepiado!
Tradições de outros tempos, que neste domingo gordo trago à vossa memória.
E, porque não, no próximo ano, o Centro de Animação Cultural proporcionar a todos os casteleirenses um almoço gastronómico a fazer lembrar os “velhos tempos”? Pensem nisso!
Aqui fica o desafio.

Bom Entrudo!


"A Minha Rua", espaço de opinião de autoria de Joaquim Gouveia

21/02/2011

O cheiro das palavras

Hoje queria apresentar-vos o jogo das sensações, que pretende despertar em cada um dos leitores o cheiro intenso, que estas palavras transportam ao longo do tempo, nesta terra que é nossa - Casteleiro:

- Uva; mosto, jeropiga, vinho, aguardente, balsa, pipa, adega
- Marmelo, marmelada, geleia, açúcar em ponto
- Ovelha, leite, queijo curado, requeijão, soro.
- Porco, chouriça assada, morcela, farinheira, fumeiro, presunto, salgadeira.
- Lume, lareira, lenha, fumo, brasial, maçã assada, panela de ferro.
- Castanha, lume, magusto, assador.
- Natal, Menino Jesus, presépio, igreja, madeiro, praça, filhoses, família, amigos.
- Azeitona, lagar, azeite.
- Terra, estrume, semente, flor, fruto

Que tal este desafio?
Afinal as palavras também têm cheiro e o que é curioso, é que cada uma delas nos transporta para vivências bem características de épocas festivas, vida rural…de um tempo já passado, mas que pretendemos trazer à memória presente.




"A Minha Rua", espaço de opinião de autoria de Joaquim Gouveia

21/01/2011

Expressões do linguajar casteleirense

Na sequência do trabalho que temos vindo a desenvolver à volta da riqueza linguística da nossa terra, trago-vos, aqui hoje, algumas expressões utilizadas no dia a dia da nossa gente mais idosa. Então registem com atenção, pois vale mesmo a pena guardar estas preciosidades:

“Agarrei em mim” – tomei a atitude de…
“Eu, mai a minha” – minha, refere-se à esposa
“Tchegar a vaca” – levar a vaca ao boi de cobrição
“Boi de cobrição” – Boi para procriar – normalmente havia um ou dois no povo onde os ganhões levavam as vacas, quando andavam com o cio
“Andar dalevanto a noite intêra” – Passar a noite com má disposição intestinal
“Dor nas cruz” – dor de costas
“Já tchega até da bonda” – Já chega, até de sobra
“Anda de barriga” – Está grávida
“Não atchei o cu cas mãos ambas” – Andei todo o dia a correr
“Está a atá-las” – Está a morrer
“Anda de mal com ele” – Está zangado com ele
“É muito zarêlho” – É muito irrequieto
“Anda a roçar a casa” – Anda a esfregar (lavar) a casa
“Não tens porte pra nada” – não tens iniciativa alguma/não sabes fazer nada
“Dias aslanados” – Datas importantes do calendário litúrgico e respeitados por todos ou então ligados a acontecimentos, marcadamente importantes
“Dia Santo, de guarda” – dia em que não se podia trabalhar, sobretudo trabalhos do campo.

Convém reter algumas pequenas regras visíveis em muitas das palavras utilizadas:
• O ditongo “ei” no meio de qualquer palavra é pronunciado “ê” (exemplo: lareira, diz-se “larêra”)
• O “e” no final da palavra é dito “ei” (exemplo: Zé diz-se “Zei”)
• O “ch” tem sempre junto a presença do “t” (exemplo: “tchapéu”; “tchave”).



"A Minha Rua", espaço de opinião de autoria de Joaquim Gouveia

06/01/2011

A memória...das palavras (IV)

Hoje, quero agradecer, de uma forma especial, ao meu caro amigo José Carlos Mendes, pelo contributo dado na recolha destas palavras. Claro que este é um espaço aberto a outros colaborantes que queiram embarcar nesta “viagem no tempo”, enviando directamente para o “Viver Casteleiro” ou para o email jluisgouveia@gmail.com.
Continuemos a viagem:

Tchòriças (das pernas) – manchas, avermelhadas, de forma redonda existentes nas pernas, das mulheres, provocadas pelo calor excessivo do lume
Azamel – pessoa que anda constantemente doente
Patcharouco – pessoa de pouca iniciativa e a quem nada se pode confiar
Bòguêlo – criança que anda constantemente doente
Zarinzel – pessoa que não pára um bocadinho, mas que nada faz
Tcharimbelho – pessoa que ouve aqui e conta ali
Garrantchos – instrumento agrícola, em ferro com pontas aguçadas e que servem para retirar o estrume da cama dos animais
Carounho (do milho) – parte da maçaroca do milho, esbranquiçada, que sustenta as sementes. É o carounho que dá forma à maçaroca
Inchinho – instrumento agrícola, de madeira, com pontas aguçadas e que serve para alisar a terra, depois de semeada (inchinhar as batatas, o feijão…)
Galhoulho – pessoa que não diz coisa com coisa…que atrapalha qualquer conversa
Casquêro – chapéu velho; bocado de pão, geralmente duro, que era levado para o campo, servindo de alimento durante o dia de trabalho
Trempens – suporte em ferro, de forma arredondada, e uns ferros na vertical. Servem de suporte para colocar a frigideira onde se fazem as filhós, na noite de Natal
Coutcho – objecto de cortiça, em forma de cotovelo, que serve para beber água, retirada das frescas fontes, existentes nos campos
Cravelha – objecto em madeira, geralmente em forma rectangular, que servia para fechar a porta de casa, da loja…
Cadeias (do lume) – argolas em ferro, suspensas no interior da chaminé e que serviam para sustentar os “caldeiros” da vianda, que diariamente eram preparados para os porcos, vacas…
Tchanêlo – sapatos velhos, muitas vezes feitos de pano e borracha por baixo
Mòrão – parte superior da chaminé, geralmente em pedra, onde era colocada a caixa de fósforos e as tenazes
Acebarrado - entusiasmado
Contchas – manchas de sujidade, na roupa ou mesmo no corpo
Tchoquice – sujidade em abundância

Prometo continuar, com a memória…das palavras!




"A Minha Rua", espaço de opinião de autoria de Joaquim Gouveia

27/12/2010

A memória...das palavras (III)

Tal como prometi, cá estou, de novo, para mais uma viagem pelas entranhas linguísticas do nosso povo que vão perdurando no tempo, na conversa amena que travamos, aqui e ali, com as pessoas mais velhas. É fascinante observarmos como é fácil encontrar, ainda, este património, bem como o entusiasmo crescente dos nossos interlocutores, à medida que vamos caminhando pelas entranhas das suas vidas, povoadas de histórias sem fim.
Vamos a isso:

Laptchêro – caminho enlameado
Rbêro – pequeno ribeiro
Escalêra – degrau da escadaria
Balcão – escadaria
Banço – degrau da escada (geralmente de madeira)
Sarrar – serrar
Tchquêro – local onde guardavam os cabritos, quando retirados da mãe
Barbilho – pau colocado na boca dos cabritos ou borregos para deixarem de mamar
Vedar – período de tempo que a cria (cabrito, borrego, vitelo…) levava para se desabituar de mamar
Barraco – porco de cobrição
Agatcha-te – baixa-te
Carrapiço – rebento de um carvalho
Gravanços - grão de bico
Rnôvo – milho ou feijão depois de nascidos
Temporão – precoce
Serôdio – tardio
Enxotar – espantar
Pcthêgo – pêssego
Marigada – romã
Papino – pepino
Botêlha – abóbora
Sardêra – cerejeira
Nagalho – fio, cordel
Cangalhas – objecto de madeira que se coloca sobre os jumentos, para transportar estrume
Garrantchos – espécie de forquilha, com os dentes em garra. Serviam para tirar o estrume do curral.
Matchada – machada
Matchado – machada de grandes dimensões
Sarra – serra (instrumento cortante para cortar a madeira)
Tropeço – tronco de árvore onde se corta lenha em pedaços mais pequenos para alimentar o lume
Malha – castigo corporal com a mão ou qualquer instrumento. Pode significar também debulha de cereais
Sova – tem o mesmo significado que a palavra malha
Mordela – mordedura
Barrumas – verrugas
Descamisar – desfolhar o milho
Encarrapato – nú
Congra – congrua (tributo pago do padre por cada família com posses)
Trambolhão – tombo
Barrôco – penedo granítico de grandes dimensões
Tchaile – xaile
Comediantes – saltimbancos
Roçar – esfregar a casa; cortar mato
Conduto – carne ou peixe que acompanhe as batatas; queijo ou chouriça que acompanha o pão
Carne gorda – toucinho
Jornal – preço de um dia de trabalho
Peste – faísca proveniente da trovoada
Indrêta – curandeiro ortopedista

Prometo voltar, com mais memória…das palavras.




"A Minha Rua", espaço de opinião de autoria de Joaquim Gouveia

18/12/2010

Mas que terra activa, esta!

Fazendo uma viagem no tempo e recuando algumas dezenas de anos, deparamo-nos com o Casteleiro como sendo uma terra com uma vida activa muito diversificada. Para além dos trabalhos ligados à agricultura e pastorícia, que marcavam fortemente a labuta diária, constituindo os verdadeiros suportes da economia desta gente, existiam, paralelamente, um conjunto de profissões que nos ajuda a perceber melhor a autonomia que o Casteleiro demonstrava, nessa época.
O trabalho de pesquisa hoje apresentado pretende dar uma visão deste tempo, trazendo à lembrança e ao conhecimento, as várias profissões bem como os verdadeiros protagonistas, tentando manter a marca do registo linguístico, patente nas várias palavras utilizadas. Fica desde já, o meu pedido de desculpa às pessoas visadas e seus familiares, ao utilizar os nomes pelos quais eram mais conhecidas no nosso povo.
Passo a enumerar:

Sapatêro: Ti Luís Pinto; Ti Paralta; TZé Martins; Ti Martinho
Alfaiates: Tó Coxito; Mguel Coelho; Abílio Coxo; Tó Coxo; Mguel Beijina
Ferrêro: TJoão Ferrêro; Tó Ferrêro
Pedrêro: Senhor Venâncio (mestre); TJaquim Pedro (Catana); TJoão Catana; Manele Catana;
Carpintêro: TZé Melo; TZé Lopes
Tanoêro: TZé Melo (fazia e reparava pipas, dornas…)
Barbêro: Ti Náciso; Mudo
Ferrador: Ti Torra (colocava as ferraduras – protecção dos cascos – das vacas, burros…)
Costurêra: Senhora Maria Augusta; Ana Coxa; Alice costureira
Assougue (talho): TJaquim Soares ; Titôr; TJaquim Snêto
Pêchêra/Sardnhêra: Ti Carminda; Ti Rsolina
Caldêrêro / latoêro: TJoão Latoêro
Lagares de azête: Senhor Manelzinho; D. Maria d'Céu (lagar da Senhora)
Fornêra: TMari Bárbola; Ti Delfina (forneira)
Tabarnêro: TManel Silva; Tzé da Velha; Tórra
Negociante de animais: Zé Maria (cuecas) e pai
Negociante de sementes: TManel Abade; TJaquim Canêlo; Ti Américo Leitão
Merceeiros: Senhor Firmino; Senhor Tó Pinto; Senhor Zé Mourinha;
Bodguêra: Senhora Lpondina; Ti Pruficação (confeccionavam comida para casamentos, baptizados, festas religiosas… Faziam bodas e emprestavam a loiça para estes eventos)
Taxista: Senhor Quim Paiva; Quiel; TZé Pedro
Ganhão: TJaquim Blantim; TJaquim Nabais…
Pastor: Ti Farnhêra; Sabastião
Cantnêro: TZé Pires (Piralhas)
Guarda rios: Senhor Torrão
Eletsísta: Senhor Campos; Antónho eletsísta
Sarrador (serra madeiras para vários fins): Tmanel Sarrador e irmão
Covêro: TJaquim Barbas

Tomando como referência, este povo trabalhador e exemplar no percurso por tempos difíceis, aqui fica um grande desafio para esta geração actual.




"A Minha Rua", espaço de opinião de autoria de Joaquim Gouveia

10/12/2010

A memória...das palavras (II)

Há uns dias partilhei com todos aqueles que passam por este blogue, algumas das palavras que fazem parte da memória deste povo. Prometi voltar com novos exemplos dos percursos linguísticos que vão resistindo à voracidade do tempo.
Aqui vão:

Pão-leve – pão-de-ló
Meda – conjunto de molhos de centeio, aveia…acabados de ceifar
Jêra – porção de terra lavrada durante um dia, por uma junta (duas) de vacas. Representa cerca de meio hectare de terra
Alqueve – terra alta, preparada para a sementeira de cereais, normalmente centeio
Almude – medida de volume de origem árabe; cerca de 28 litros. Um cântaro de vinho leva 14 litros, ou seja meio almude
Dorna – vasilha cilíndrica formada de aduelas (tábuas de madeira de castanho), sem tampa e cujo diâmetro da boca é ligeiramente menor do que o do fundo. Servia para transportar uvas, em carros de bois, para o lagar. Tendo a boca mais estreita adquiria maior estabilidade nos caminhos maus e era, por isso, difícil voltar-se.
Balsêro – vasilha de tipo idêntico à “dorna”mas mais baixa e com os diâmetros da base e da boca sensivelmente iguais.
Borratchêra – bebedeira
Espitcho – orifício que se faz na pipa ou no pipo que tem vinho, para ver em que condições se está a fazer – “fazer a prova do vinho”. Depois tapa-se com um pauzinho afiado numa extremidade e untado de sebo.
Môtcho – banco de palha ou cortiça, baixo e quadrangular.
Putchêro – pequeno recipiente, geralmente de barro, que quase sempre estava junto à lareira, com chá, café… ou mesmo vinho com açúcar.
Têsto – tampa dos recipientes da cozinham (panela, tacho…)
Pilhêra – local da lareira, atrás do lume, para onde se costuma deitar a cinza. Esta era retirada de semana a semana.
Tanazas – tenazes
Tção – pedaço de lenha que não conseguiu arder completamente.
Aptchar – acender
Mourão – prateleira de granito sobre a lareira. Servia para ali colocar os palitos, novos e usados.
Palitos – fósforos
Caniço – grades de ripas colocadas no tecto da cozinha e que serviam para aí secar as castanhas.
Estrugir – fritar (batatas esturgidas = batatas fritas)
Amaga-te – baixa-te (obrigada Isabel Ângelo!)

E… nunca se esqueça que a língua (falada ou escrita) é parte integrante do património do nosso povo!

Prometo voltar com mais memórias das palavras.

"A Minha Rua", espaço de opinião de autoria de Joaquim Gouveia

29/11/2010

A memória...das palavras

Como todos sabemos a língua portuguesa tem sofrido, ao longo dos tempos, uma evolução, quer através do significado das palavras, quer através da sua escrita. Segundo os especialistas na matéria, este é um processo natural, pois ela está exposta às influências dos povos vizinhos, dos efeitos (e)migratórios, bem como ao processo de evolução linguística a que todas as línguas estão sujeitas.
Vem isto a propósito, de que o Casteleiro (à semelhança de algumas aldeias vizinhas) tem um património linguístico que interessa preservar e dar a conhecer às gerações mais novas.

Sugiro um exercício simples: procurem conversar com pessoas idosas da nossa terra e, abordem com elas temas que façam parte do seu quotidiano, verificarão, rapidamente, que a conversa é levada para memórias passadas.
É neste contexto que, facilmente, poderemos encontrar vocabulário, enriquecedor sob o ponto da evolução linguística de que vos falava atrás.

Hoje partilho convosco alguns exemplos:
Palhêra – loja onde se guardava a palha, o feno e os animais.
Polêro – galinheiro; é bom lembrar que na vizinha Espanha “Polho” significa frango.
Cortêlho – pocilga.
Tchambaril – espécie de cruzeta de madeira para pendurar o porco, logo a seguir à matança.
Marrano – suíno, porco.
Vianda – refeição, normalmente fervida, que se preparava para os suínos.
Caldudo – Sopa de castanhas secas.
Vivo – animais de diversas espécies (veja-se o exemplo: “vou dar de comer ao vivo”).
Pastoria – rebanho
Pão – pão centeio; ceara de centeio (o povo usava a seguinte quadra:
“Oh João Catalão,
olha as cabras no pão,
toca-lhe a gaita,
que elas virão”.

Agora que estamos próximos do Natal e, certamente, muitos casteleirenses estarão entre nós, aproveitem este desafio e concluirão que o vocabulário hoje utilizado, foi algo que se transformou ao longo de sucessivas gerações.

Por mim, fica a promessa de voltar com mais memórias…das palavras.




"A Minha Rua", espaço de opinião de autoria de Joaquim Gouveia

10/05/2010

E dos caminhos rurais...ninguém fala?!

Então falo eu!
É de elementar justiça trazer a este espaço, o esforço que a actual Junta de Freguesia do Casteleiro está a fazer em prol da melhoria dos caminhos rurais que serpenteiam o espaço rural desta terra. Eu sei que há gente que os utiliza diariamente e já sentiu bem a diferença…”Está aqui um serviço bem feito! Até valetas têm! Agora sim, até são mais largos!” – isto eu ouvi no sábado passado, que mais parecia um dia de Inverno, do que de plena Primavera!
É verdade! Hoje ir de carro à “Presa”, sítio bastante longínquo da aldeia, mas de todos bem conhecido…pelos menos de nome, é uma maravilha!
Quem diz à Presa, diz à Serra, ao Caramelo, ao Marineto …
Muito trabalho se fez numa semana! Eu sei que isto é só o começo, mas começar…está muito bem!
Esta é uma grande aposta no nosso mundo rural, que não pode desaparecer e, que esta Junta de Freguesia parece estar bem atenta!





"A Minha Rua", espaço de opinião de autoria de Joaquim Gouveia